Uma mulher estava pedalando sossegada quando foi vítima de assédio por um homem desconhecido. O caso foi captado por uma câmera de monitoramento e rapidamente ganhou a internet. Dentre os mais diversos comentários, muita gente acredita que o assediador cometeu este delito na certeza de que não seria punido por isso.
No entanto, conforme define a neuropsicóloga Leninha Wagner , “vivemos numa sociedade capitalista e de cultura machista. As mulheres fizeram grandes conquistas, abriram caminhos sociais onde antes era impensada a participação delas. Hoje ocupamos postos de trabalho de nichos absolutamente masculinos anteriormente. Estudamos mais, controlamos a natalidade por meios contraceptivos, temos mais informação e formação de nível superior. Mas, isso não fez das mulheres aliadas dos homens, ainda nos veem como competidoras, uma adversária que agora é protagonista da própria história”.
Além disso, o modelo cognitivo masculino por via de regra, é de ser o macho alfa, o grande predador. “Quer, portanto, estabelecer uma relação predatória. Enquanto isso, as mulheres estão ganhando espaço, como atores sociais importantes, e isso acarreta a mente masculina, uma espécie de ameaça para a posição social ou laboral deles”. Para reverter este quadro, Leninha recomenda “modificar o modelo mental, tornar homens e mulheres, aliados, parceiros e sócios para a vida”.
A neuropsicóloga recorda ainda que atualmente as mulheres que sofreram assédio podem contar com o suporte da tecnologia: “Quando uma vítima fala e denuncia traz voz a muitas outras que se calaram. Quando ela se cala, perpetua o crime, o desrespeito, silenciando todas as outras que foram desrespeitadas, violadas. Então aproveitem que existe este espaço e não deixem de denunciar casos como este. A situação só poderá mudar quando atitudes como essa forem tomadas pelas mulheres”, completa.
