Cotidiano

Quando a lei não basta: O Novo Olhar sobre as Crises da Família

Vivemos um tempo de contrastes profundos.

Artigo - Andradina - Por Ednilton Farias Meira -  Advogado Bacharel em Ciências 
22/04/26 às 19h04
Psicólogo e terapia - imagem ilustrativo web

Vivemos um tempo de contrastes profundos. Nunca tivemos tanto acesso a bens materiais e, ao mesmo tempo, nunca nos sentimos tão órfãos de afeto genuíno. A família moderna atravessa uma crise silenciosa, mas devastadora.

O stress do dia a dia, a ansiedade, o distanciamento da espiritualidade e a facilidade das traições no mundo digital criaram um cenário onde o lar, que deveria ser um porto seguro, muitas vezes se torna um campo de batalha.

Nesse contexto, surge uma pergunta essencial: será que um processo judicial, por mais técnico que seja, é capaz de resolver a dor de uma família partida? A prática nos mostra que não. Muitas vezes, a briga por um imóvel ou por uma pensão alimentícia é apenas o "disfarce" para feridas emocionais que a lei, sozinha, não consegue curar.

Para ilustrar essa realidade, pensemos no caso de F.J. Silva e M.R. Souza (nomes fictícios). Casados há duas décadas, construíram um belo patrimônio. No entanto, enquanto corriam atrás de dinheiro para dar "o melhor" aos filhos, esqueceram-se de dar o principal: presença e amor. Quando o divórcio chegou, a disputa não era sobre valores financeiros, mas sobre uma tentativa desesperada de punir um ao outro por anos de carência e abandono emocional.

 

Ednilton Farias Meira - Advogado e Bacharel em Ciências

É aqui que a figura do advogado entra e deve perceber que o operador do Direito não pode ser apenas um cumpridor de prazos e leis. Ele precisa ter o "olhar clínico" para enxergar o que está nas entrelinhas de cada conflito.

Após muitos anos de atuação foi preciso mudar a abordagem, é permitido dizer que passou a ser revolucionária. Hoje está claro que a experiência jurídica está vinculada à sensibilidade da escuta analítica. Essa combinação permite entender que, por trás de um cliente agressivo ou de uma disputa judicial interminável, existe alguém sofrendo com o desamparo, com o apego material excessivo ou com a falta de amor recebido na infância, entre outras dores.

É muito importante a transparência com o público, que precisa saber da complexidade de sua própria alma. Transferir culpas e responsabilidades para o outro é muito fácil. Querer a todo custo ganhar a causa pode transformar a família num cenário de guerra, de terra arrasada. A busca de pacificação das relações que não deram certo, busca proteger o futuro de todos: dos pais e dos filhos. É preciso que se tenha a coragem de dizer aos pais, porque um dia o futuro chega, que o maior legado não é o que se deixa na conta bancária, mas o amor que se dedica no presente.

Em um momento de crise total dos valores familiares, o profissional do direito deve compreender tanto o Código Civil quanto as profundezas da mente humana, só assim poderá fazer a diferença entre um processo que destrói e uma solução que reconstrói vidas.

No Direito de Família, um “ mergulho nos abismos do ser”, na “ percepção das sutilezas do íntimo” e na “ origem dos sentimentos” , sem dúvida, se tornam as chaves para quem busca justiça com humanidade.

“ A maior tragédia da família são as vidas não vividas pelos pais" ( Carl Gustav Jung - foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica. Com um legado influente nos campos da psiquiatria, psicologia, filosofia, ciência da religião e literatura. * 26/07/1875. + 06/06/1961).

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