A comerciante Orlandina Nunes Trindade, de 48 anos, também compara preços para economizar. "Eu pesquiso pelos aplicativos, olho o que está mais em conta. É o jeito, a gente tenta se virar como pode", diz.
Segundo Sônia Talietta, "há produtos que não tem como diminuir o consumo ou substituir, como o leite. Então eu busco por promoções", ressalta a fisioterapeuta de 58 anos.
Redução do poder de compra deixa todo o salário no supermercado
Com a elevação da inflação, o poder de compra diminuiu e os consumidores reclamam de gastar todo o salário no supermercado. Para a estudante Renata Vitoria, o dinheiro desvalorizou muito nos últimos anos. "Para mim que sou jovem, os preços dos alimentos pesam muito. É o pior começo. O que você faz com R$ 1.500 hoje em dia? Porquíssima coisa, e esse é o valor que uma pessoa da minha idade ganha normalmente", afirma.
"Boa parte do meu salário fica no supermercado, porque a gente tem que ajudar em casa, senão ajudar o salário dos nossos pais não dá para pagar as contas com esses preços. Não tem mais como sair da casa dos pais, ficar independente está bem mais difícil", completa a jovem.
Já a cuidadora Solange relata que, além de reduzir à metade o que conseguia comprar com o mesmo salário anteriormente, precisa usar o cartão de crédito para poder pagar depois. Já a aposentada Nanci Minguin, de 66 anos, acredita que a diminuição no poder de compra foi maior ainda. "Meu dinheiro com a inflação, com certeza, desvalorizou uns 60% no supermercado de uns anos pra cá", afirma.
Segundo Orlandina Trindade, foi preciso cortar muita coisa da lista do supermercado. "Se der para levar, eu levo; se não der, a gente fica só na vontade. Eu gasto mais do que o dobro na minha compra mensal do que alguns anos atrás. O supermercado tem comido 100% da minha renda, praticamente tudo. Os salários estão incompatíveis com esses preços. Como uma pessoa que paga aluguel, conta de luz e água vem ao supermercado pagar isso? Não tem como", ressalta.
Redução do consumo e escolha de marcas mais baratas
Quando a troca por alimentos e marcas mais baratos não é suficiente, a saída é comer menos. "Faz dois meses que não faço a compra que eu fazia antes, não dá para fazer mais. Os preços estão um absurdo, é assustador, a gente teve que reduzir o consumo", conta Solange.
A consumidora, que estava acompanhada do filho, de 32 anos, que trabalha como barbeiro, e dois netos, de 5 e 1 ano, conta que lidar com a inflação fica ainda mais complicado nas férias escolares. "Quanto traz criança, a gente tenta comprar alguma coisa a mais, porque elas passam mais tempo em casa neste mês. Fica mais difícil", destaca.