João Borzino
diz que a ejaculação precoce ( ou Ejaculação rápida – ER) é um problema comum que afeta muitos homens em diferentes fases da vida.
"Estima-se que a incidência variem entre 20% a 30% da população masculina, mas alguns estudos apontam que esse número pode ser ainda maior, dependendo da definição e dos critérios utilizados para avaliar a condição.
É uma condição em que um homem ejacula mais rapidamente do que ele ou sua /seu parceira/o gostaria durante a relação sexual.
Isso causa estresse e insatisfação em um relacionamento, mas é uma situação comum. As causas podem incluir fatores emocionais, psicológicos ou físicos, sendo as causas físicas ainda uma hipótese não bem estabelecida e provavelmente relacionada àqueles que eram normais e passam a apresentar descontrole ejaculatório em algum momento da vida ( ejaculação rápida secundária)".
O terapeuta sexual diz que a imensa maioria é fruto da ansiedade de mau desempenho associada ao estado de excitação. "A maioria é primária, ou seja, vem desde a primeira relação sexual".
Ele afirma que é importante ressaltar que esse fato comprova a característica psicossomática do quadro:
"
Falta de educação sexual efetiva:
ninguém nasceu sabendo fazer sexo e isso é um problema pois a realidade vivida em nossa sociedade gera uma expectativa angustiante de que o homem imaturo sexualmente vai se comportar como um já experiente e maduro. Resultado: trauma"
"Mito da Virilidade":
os adolescentes continuam sendo levados por amigos ou parentes, contra a sua verdadeira vontade ou devido momento, a situações de “primeira vez” com garotas de programa ou parceiras meramente desconhecidas . Aqui , claramente fica dissociada a questão da afetividade e intimidade. Resultado: ansiedade no desempenho por medo, constrangimento e vergonha".
"Ilusão do controle:
depois de percebido o problema, o indivíduo começa a tentar “malabarismos” no momento sexual como prolongar as preliminares, evitar posições mais instigantes, pouca penetração e tentativa de continuar a penetração mesmo após o orgasmo ( ejaculação)".
"
Alcoolismo:
muito comum o uso de álcool na tentativa de retardar a ejaculação, levando ao alcoolismo, depressão e exposição à condições perigosas ( para contrair ou transmitir doenças, gravidez indesejada e golpes como “boa noite cinderela”)".
"
Isolamento social e depressão:
o indivíduo passa a evitar situações sociais por se sentir incapaz , impotente diante de todo um grupo de pares que “estão felizes e contentes com suas vidas sexuais”. Sente-se excluído, triste, frustrado e assim deixa as interações sociais de lado. Condição depressiva ou no mínimo melancólica".
"
Silêncio:
notadamente o indivíduo sofre sozinho, pois não vislumbra com quem falar, desabafar ou realmente procurar ajuda. 'Homens não falam sobre falhas sexuais com ninguém”.
"
Descaso dos profissionais de saúde:
infelizmente há pouco ou nenhum preparo por parte dos colegas médicos que não sabem dar o devido aporte e encaminhamento dos pacientes que os procuram com queixa de ER. Na maioria das vezes os urologistas ( mais procurados pelos sofredores de ER), dão uma dimensão pouco acolhedora e soluções paliativas como uso de antidepressivos, pomadas anestésicas e até medicações para ereção. Quando melhores orientados, encaminham para algum profissional de psicologia sem a devida formação e experiência em tratar"
"
Prejuízo econômico/financeiro:
na busca de uma solução, a maioria cai nas garras das propagandas enganosas vendidas em todos os tipos de mídia: suplementos milagrosos, clínicas com soluções imediatas, e-books com o segredo da solução, pomadas e tônicos retardantes. Assim, esses homens gastam fortunas com métodos inescrupulosos. Resultado: tristeza, dívidas e frustração com a possibilidade da verdadeira cura".
"
Associação com Disfunção erétil e baixa libido:
com o tempo, a ansiedade/frustração/medo/ isolamento faz com que muitos passem a ter tanta insegurança com o contexto sexual, que passam a perder a ereção. Isso é tão comum, que muitos chegam a mim como primeira queixa ser disfunção erétil, e quando vou pesquisar a história, tudo se inicia com ER".
O médico diz que ejaculação rápida não é doença, é uma manifestação física da ansiedade sexual misturada com excitação.
"Resolver é primeiro psicoeducar e depois aplicar técnicas dessensibilizatórias para que o indivíduo não “queime na largada”. O programa de terapia cognitivo comportamental é o que resolve. É um método gradual, mais caro e que depende muito de um profissional altamente habilitado ( psicoterapeuta sexual), e do alto grau de consciência do paciente. Isso não é fácil nos dias de hoje, pois a maioria não quer lidar com o autoconhecimento, psicoeducação e modulação afetiva. Acabam comprando os tratamentos enganosos, que dominam o mercado", destaca.
Borzino afirma que, após 22 anos fazendo apenas isso, tendo dezenas de milhares de pacientes atendidos, pode dizer: ainda é muito difícil tratar pois é quase impossível conscientizar. "A concorrência desleal com a indústria que se nutre do adoecimento da sexualidade é de fato o pior dificultador.
Hoje entendo perfeitamente o estado de cansaço e desesperança no tratamento que vejo nos pacientes que finalmente chegam até mim. É natural que depois de passarem por tantos enganos e prejuízos emocionais e econômicos, cheguem descrentes e desconfiados de tudo".
"Apenas 33% dos pacientes que trato continuam até o final e assim obtém o sucesso e trabalho com afinco para essa média aumentar. Oitenta por cento do tratamento depende do paciente. Luto diariamente ao lado de quem vem a mim, pois sei que posso ajudar e não vou desistir mesmo que muitos desistam do tratamento. É a realidade: trabalho com mudança de consciência e hábitos, e assim é. A verdadeira dica é: ejaculação rápida não se resolve de imediato. Tratar é uma transição. Não se iludam, mas não desistam", completa.