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Bate-boca, bajulação e investigação na Santa Casa marcam sessão em Birigui

Prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) participou da sessão no espaço destinado ao público e desrespeitou regimento da Casa

Coluna Pimenta* - Hojemais Araçatuba 
05/02/20 às 21h36
Prefeito Cristiano Salmeirão participou da sessão acompanhado de secretários (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

A primeira sessão ordinária da Câmara de Birigui (SP) de 2020 adiantou o clima de disputa que permeará os próximos meses deste ano de eleições municipais. A presença inédita do prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) na galeria (espaço destinado ao público), acompanhado de secretários da administração, e os discursos dos vereadores bem alinhados em defesa da administração, reforçaram a postura “chapa branca” do Legislativo, órgão que tem como função legislar e fiscalizar a gestão municipal.

Boa sorte

Foi a primeira vez que Salmeirão, como prefeito, participou da sessão do auditório. Questionado sobre sua presença, disse que era apenas para “desejar boa sorte aos vereadores” e que não comparece com mais frequência em respeito à separação dos poderes.

Combate

Benedito Dafé Gonçalves Filho (PV) não se intimidou e manteve sua postura combativa. Durante uso da tribuna livre, indagou a Prefeitura por não responder requerimento com pedido de informação sobre a Santa Casa de Birigui, falou de ações no Ministério Público sobre áreas verdes, apelidou de “Lagoinha do Cristiano” o trecho da avenida João Cernach que inunda com fortes chuvas, entre outras críticas.

Respostas

Em alto e bom tom e do auditório, Salmeirão disse que “tem que saber fazer o pedido”, referindo-se as respostas não recebidas por Dafé, e continuou respondendo às críticas do opositor. O presidente da Casa, Felipe Barone Brito (Cidadania), lembrou ao prefeito que os presentes não podem se manifestar, mas também pediu para Dafé não indagá-lo.

Só lembrando que Salmeirão conhece bem as regras da Casa, onde foi presidente e vereador por quatro mandatos (a primeira candidatura foi em 2000, quando conquistou uma suplência e assumiu o cargo por alguns períodos, segundo informações do site da Câmara).

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Assoprou e bateu

Com menos intensidade, porém passando seu recado, César Pantarotto Júnior (Pode), que conseguiu barrar pelo menos temporariamente a concessão da água em Birigui, falou das cobranças que faz ao cargo do prefeito e não à pessoa do Cristiano, pois como vereador tem a obrigação de fiscalizar o Executivo.

Citou os recapeamentos que estão sendo feitos em toda a cidade como ponto positivo da atual gestão, porém lembrou que a conta será paga pela população. “Agradecer o prefeito por recapear a cidade é a mesma coisa que agradecer o caixa eletrônico por me dar o dinheiro”, comparou.

Bajulação

Com exceção dos conhecidos nomes da oposição, os vereadores que utilizaram a tribuna rasgaram elogios a Salmeirão. Para José Roberto Merino Garcia, o Paquinha (MDB), a presença do prefeito é “uma honra” à Casa. Leandro Moreira (Republica) disse que “é preciso fazer oposição inteligente”, numa declarada crítica ao discurso anterior feito por Dafé. “Nunca Birigui teve tantas obras como hoje”, disse Lê. Até aqueles que raramente fazem uso do tempo para assuntos diversos fizeram questão de utilizar cada segundo.

 

"Agradecer o prefeito por recapear a cidade é a mesma coisa que agradecer o caixa eletrônico por me dar o dinheiro", disse Cesinha

Lendo pouco

Eduardo Fonseca de Luca (PT), também alinhado com a bancada do prefeito, chegou a culpar a imprensa pelas notícias negativas. Para exemplificar, citou o georreferenciamento feito pelas prefeituras de Araçatuba e Birigui, mas que, segundo ele, só virou notícia negativa na cidade pérola.

Parece, no entanto, que o nobre vereador não tem acompanhado a imprensa regional. Em Araçatuba, a cobrança do IPTU de áreas construídas e não declaradas, foi denunciada no Ministério Público. No entanto, diferente de Birigui, onde as ações partem apenas de dois ou três vereadores, em Araçatuba, as manifestações são da própria população.

Medo

Outro ponto em comum nos discursos foi a operação da Polícia que investiga suposto esquema criminoso envolvendo OSSs (Organizações Sociais de Saúde) que atuam na região e recebem dinheiro público, entre elas, a Santa Casa de Birigui. Valdemir Frederico (PTB) disse que o assunto predominante durante o dia nos corredores do Legislativo era a presença do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo), do Ministério Público, na sessão, o que não aconteceu.

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