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Brincar em casa: diversão, aprendizado e boas memórias afetivas em tempos difíceis

“Brincar entre o céu e a Terra” é o tema da Semana Mundial do Brincar 2020, que até 31 de maio realiza ações que incentivam a reflexão sobre a importância das brincadeiras

Da redação* - Sesc Birigui
26/05/20 às 11h34
Na família de Natália, a ideia é estimular nos filhos o livre brincar, imaginação e a leitura (Foto: arquivo pessoal)

A imaginação sempre foi aliada no desenvolvimento infantil e incentivá-la da melhor forma potencializa a criatividade e sensibilidade das crianças. “Brincar entre o céu e a Terra” é o tema da Semana Mundial do Brincar 2020, que, de 23 a 31 de maio, realiza ações que incentivam a reflexão sobre a importância das brincadeiras.

Realizado no Brasil desde 2009 pela Aliança pela Infância, e contando com a parceria do Sesc São Paulo desde 2013, o projeto está ligado ao Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio. 

Neste ano, porém, a campanha acontece em meio ao enfrentamento de uma pandemia e em um período de necessidade de distanciamento social. Assim, a semana tem todas as suas ações realizadas de forma on-line, diferente das edições anteriores.

A proposta é exercitar o brincar dentro de casa, com cuidado e carinho, o que já tem acontecido na rotina de famílias com filhos há pelo menos dois meses. Em meio a várias mudanças, esses familiares acabaram tendo que reinventar as relações com as crianças, sobretudo no quesito “brincadeiras”. 

Ideias

Até antes de 17 de março, desde quando as unidades do Sesc SP permanecem fechadas (como medida de auxílio ao controle da pandemia), Natália Petini dos Santos de Sousa, 33, funcionária pública estadual em Birigui (SP), era frequentadora do Sesc Birigui aos finais de semana. Acompanhava atividades como teatro, contação de histórias e jogos aos finais de semana com os filhos Hugo, de 7 anos, e Helena, de 1 ano e 4 meses.

Com o distanciamento social, ela afirma que as crianças sentem a falta destas atividades de lazer e também da rotina escolar. Em casa, as ideias para um cotidiano mais prazeroso são criadas em conjunto. “Procuramos estimular o livre brincar, a imaginação e a leitura. Tento manter a rotina apenas com o horário da leitura; para outras atividades, costumo fazer algumas propostas para o dia e observo o interesse deles. Às vezes eles comandam as propostas”, conta Natália. 

A mãe diz também que oferece algumas opções, principalmente ao mais velho, desde ajudar em alguma receita, a lavar o quintal – atividade que acaba às vezes se tornando um banho coletivo de mangueira! Jogos de tabuleiro, cabanas no meio da sala, brinquedos de papelão e reciclagem, desenhos no chão com giz... A criatividade e a diversão estão garantidas. 

Mas Natália tem consciência de que isso pode agregar muito mais que diversão às experiências dos filhos. “A ludicidade e o brincar têm muita importância na vida das crianças, pois a aprendizagem deles gira em torno do lúdico. Além de estimular a independência, o raciocínio, a criatividade e a autonomia, aprendem também questões como compartilhar, perder e ganhar, empatia e solidariedade. No ‘faz de conta’ é que eles compreendem conceitos como certo e errado, que são tão abstratos a eles ainda”, conclui.

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Para Ana Claudia, mãe de três meninas, com o distanciamento social, as brincadeiras em casa ganharam mais relevância (Foto: arquivo pessoal)

Adaptações

Também de Birigui e frequentadora da unidade do Sesc no município, Ana Claudia Trevisan de Mori, 41, assistente judiciária e mãe de Laura, de 7 anos, e das gêmeas Cecília e Helena, de 3 anos, afirma que, com o distanciamento social, percebeu que as brincadeiras em casa ganharam relevância, uma vez que as pequenas ficaram privadas da convivência com outras crianças e afastadas das atividades pedagógicas da escola. 

Ela destaca que por conta de um maior período em casa, algumas mudanças  foram necessárias. “A adaptação em casa foi um processo que durou cerca de 15 dias, permeada de irritação e brigas mais intensas, mas depois as crianças assimilaram, dentro das limitações próprias da idade, que uma nova realidade se impunha. Passamos a praticar mais jogos com as crianças (memória, dominó, jogos com formas e cores, quebra-cabeças), brincadeiras de rua (amarelinha, esconde-esconde), atividades esportivas (futebol, basquete, pedaladas, patins, patinete) e algumas manuais (massinha e pintura)”, comenta. 

“Entendemos o brincar como forma de aprendizado, em especial a habilidade de relacionamento com os irmãos, saber dividir o espaço e os brinquedos, a driblar o tédio diante da escassez de novidades de ambientes e de companhias. O incentivo a novas práticas dentro da realidade que a pandemia impôs ensina às crianças também sobre a maleabilidade e capacidade de adaptação às limitações momentâneas, incentivo à valorização da família e ambiente familiar como um lugar de diversão, segurança e conforto”, analisa Ana Claudia.

Incentivo

A responsável pelo Programa Espaço de Brincar do Sesc Birigui e pelas ações da Semana Mundial do Brincar da unidade, Maria Clara Soares Pontoglio, destaca que os pais e familiares devem incentivar as crianças a brincarem em casa para não perderem a essência da infância e passarem por esse período com mais leveza, sem se esquecer dos limites.

“Esse incentivo é importante também para haver equilíbrio entre as atividades escolares e o tempo de lazer da criança, limites que ficam mais difíceis de se definir quando se está no mesmo ambiente o tempo todo”, complementa.

Maria Clara afirma ainda que é essencial que pais e adultos responsáveis aproveitem o maior tempo de convívio com suas crianças para criarem boas memórias em família deste período difícil. “Ao brincar com as crianças, os pais se beneficiarão também dos efeitos da ludicidade e do contato com as suas vivências e experiências da infância”, acrescenta.

Atividades

Neste ano, a Semana Mundial do Brincar realiza todas as suas ações de forma on-line. Até o dia 31 de maio, o público pode conferir atividades no site do Sesc (www.sescsp.org.br) e nas redes sociais do Sesc São Paulo e de suas unidades na capital, interior e litoral, e ainda no site da Aliança Pela Infância (http://aliancapelainfancia.org.br/).

Transmissões ao vivo, vídeos do tipo “do it yourself” (faça você mesmo) e vídeos de apresentações artísticas, como contações de história, entre outras, estão na programação.

O Sesc Birigui preparou algumas ações especiais para a campanha: um vídeo para mostrar como fazer o brinquedo “balangandã”, construído com materiais simples como papel e jornal, mas que garante boa diversão; além da publicação de adivinhas, parlendas e enquetes sobre brincadeiras para interagir com as pessoas pelas redes sociais aguçando as memórias afetivas da infância.

Para conferir a programação proposta pelo Sesc Birigui, basta acessar: www.facebook.com/sescbirigui, www.youtube.com/sescbirigui e @sescbirigui (no Instagram). 

Tema da Semana 

O tema “Brincar entre o céu e a Terra” está relacionado a proteger e cultivar a imaginação e o devaneio da criança, reconhecendo que estes estão conectados e se alimentam do ser e o estar no universo da infância. De acordo com a coordenadora da secretaria executiva da Aliança, em entrevista concedida ao site da Aliança Pela Infância, Letícia Zero, a ideia é abordar como a imaginação e o devaneio alimentam o ser e o estar no mundo da criança. 

Outro grande motivador para a escolha do tema, segundo Letícia, foi o aniversário de 30 anos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). “Quando olhamos para o ECA e pensamos que é um instrumento para defender a criança como um sujeito de direitos, foi uma maneira de trazer um aspecto do Estatuto e celebrar a importância de a criança ter na infância e no brincar elementos que a tornam um sujeito singular”, conclui.

*Com informações da assessoria de imprensa do Sesc Birigui

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