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Casal diz 'sim' em união inédita em Araçatuba

Neste Dia dos Namorados, contamos a história de Carlos Roberto Venâncio e Dalva Nogueira de Oliveira, que em plena pandemia, se casaram na residência terapêutica Beija-Flor

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
12/06/20 às 08h00
Reverendo celebrou a união de Carlos e Dalva na própria residência, por conta da pandemia (Foto: Colaboração)

Nem a pandemia atrapalhou os planos do casal Carlos Roberto Venâncio, de 61 anos, e Dalva Nogueira de Oliveira, de 58 anos, que protagonizou um fato inédito, e inusitado, em nome do amor.

Os dois protagonizaram o primeiro casamento entre moradores da Residência Terapêutica Beija-Flor, que atualmente acolhe residentes do Hospital Benedita Fernandes, que encerrou as atividades em 2015.

O casamento aconteceu no dia 29 de maio e foi realizado de forma simbólica, contando com a presença de um reverendo para dar a benção na troca das alianças. A celebração não teve efeito civil devido os transtornos mentais dos recém-casados; Dalva foi diagnosticada com TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) e Carlos possui deficiência intelectual moderada.

Por conta da pandemia, a celebração, que seria realizada num local maior para receber convidados, precisou ser na residência.

Mas isso não significa que a cerimônia não teve todos os elementos que eles queriam. O evento contou com troca de alianças, bolo, doces, churrasco, decoração especial e um baile.

Mesa contou com iniciais do casal, bolo decorativo, flores e doces (Foto: Colaboração)

Aproximação

Dalva e Carlos são de Andradina. Eles contam que no município, eles se conheciam apenas de “vista”, mas que nunca chegaram a conversar.

Também já tinham se encontrado em outros hospitais psiquiátricos, porém foi no Benedita Fernandes que eles tiveram mais convivência como amigos, apesar das alas masculina e feminina serem separadas.

Ao chegarem na residência terapêutica, em 2017, se aproximaram e por escolha deles, se tornaram namorados, destaca o coordenador do local, Reinaldo Cavalcante Peres. De acordo com Dalva, foi ela quem pediu Carlos em casamento.

“Eles vivenciaram essa experiência do namoro e manifestaram a intenção de se casar. Então, a gente começou a organizar tudo, cuidados médicos, preparamos o quarto para eles, porque hoje eles vivem como casados, dividem o mesmo quarto”, conta Peres.  

Dalva e Carlos participaram de toda a organização do casamento, escolhendo desde a aliança, comprada com o dinheiro da aposentadoria deles, até o cardápio do jantar.

Vida de casados

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Segundo Carlos, depois do casamento, a vida dele melhorou bastante; Dalva concorda com ele. Quando questionados sobre o que mais gostam um no outro, ambos responderam que gostam de tudo. Na residência, o passatempo favorito dele é ouvir música e varrer.

Eles também gostam de fazer planos para morar em uma casa própria. Quando pensam nessa possibilidade, Dalva destaca que gostaria muito de cozinhar.

Resgate

Para o coordenador da residência, que atende pessoas com transtornos mentais com menores graus de autonomia, o relacionamento amoroso dos moradores mostra uma evolução dos dois.

O relacionamento do casal é visto de forma positiva pelo coordenador Reinaldo (Foto: Manu Zambon/Hojemais Araçatuba)

“A gente vê como uma evolução, porque eles têm essa oportunidade de escolha, de convivência, algo que não acontecia com tanta naturalidade no hospital por conta da organização. O fato de se relacionarem, vemos de forma positiva. A gente acredita que o que melhora é essa conquista de vida. Mesmo do jeitinho deles, na residência, eles estão tendo a oportunidade de resgatar, conforme a compreensão deles, a afetividade”, explica Peres.

O coordenador conta que a equipe da residência também ajuda dando orientações ao casal, principalmente quando há brigas ou outros problemas.

Profissionais do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) trabalham questões de higiene e sexualidade, para que essa retomada de vida seja saudável.

“A residência é para resgatar uma melhor condição de vida dessa população que ficou um período longo no hospital e reinserir na sociedade”, finaliza.

Além da Residência Terapêutica Beija-Flor, o município conta com a unidade Violeta, que atende os mesmos tipos de casos.

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