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Tio doa rim para sobrinho com síndrome rara na região

Na semana em que é celebrado o Dia Mundial do Rim, contamos a história emocionante entre o tio Ricardo Canteiro e o sobrinho Eduardo Canteiro Cocarolli, de 19 anos, que nasceu com a síndrome de Alport e necessitava de um transplante 

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
13/03/22 às 19h00
Eduardo (camiseta branca) e Ricardo (Foto: Arquivo pessoal)

*Matéria atualizada às 14h15 do dia 14 de março de 2022

O dia 1º de fevereiro de 2022 ficará marcado para sempre como sendo o início de uma nova vida para o jovem Eduardo Canteiro Cocarolli, de 19 anos, de Bilac (SP).

O jovem nasceu com a rara síndrome de Alport, uma doença genética que provoca a lesão progressiva dos pequenos vasos sanguíneos que estão nos glomérulos dos rins. Isso faz com que o órgão não consiga filtrar o sangue corretamente. 

Como os rins de Eduardo estavam se tornando insuficientes, o transplante passou a ser indicado. Foi então que seu tio, Ricardo Canteiro, 44 anos, também de Bilac, passou a representar sua única chance de recuperação. Na semana em que celebrou o Dia Mundial do Rim, no último dia 11, contamos essa história emocionante e que é um exemplo de amor ao próximo e empatia. 

A luta da família Canteiro começou com irmão mais velho de Ricardo, que foi diagnosticado com a doença. Por conta disso, quando sua situação agravou, fazia diálise e hemodiálise, mas não resistiu às complicações e faleceu em 1996, aos 22 anos.

Sua outra irmã, que é a mãe de Eduardo, também tinha a síndrome e faleceu em 2009, aos 37 anos, quando o rapaz ainda era uma criança. Entre os três irmãos, Ricardo é o único que nasceu sem a síndrome. 

Compatibilidade

O pai de Eduardo, João Fernando Cocarolli, de 55 anos, tem pressão alta e por isso não poderia ser um doador do rim que o filho necessitava. Como Ricardo não tem a síndrome, passou a fazer exames para saber se era compatível com o jovem. 

"Eduardo começou a ter alguns sintomas que indicavam que teria problema renal, como perda de audição e dificuldade na fala. E o pai dele sempre fazendo os exames no filho, em São Paulo. Sempre me coloquei à disposição, se um dia precisasse de mim, estaria aqui. Mudei meus hábitos para me preparar, caso tivesse que fazer a doação", disse Ricardo, que no dia da entrevista, estava de licença, se recuperando da cirurgia em casa. 

Em uma dessas baterias de exame, a médica informou ao pai que os resultados de Eduardo não estavam bons e queria começar a diálise. Porém, antes disso, o tio começou a fazer exames para saber se era compatível. "Esperei um mês para sair o resultado. Nesse mês, coloquei tudo nas mãos de Deus", lembra.

O resultado saiu e o diagnóstico tão esperado apontava a compatibilidade positiva de Ricardo. Outra rodada de exames começou a ser feita no Hospital do Rim, em São Paulo, em junho do ano passado, para saber se Ricardo tinha algum problema que impedisse o transplante. Após todas essas análises, a cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) foi marcada para fevereiro e ocorreu no dia 1º. 

Ricardo destaca o atendimento prestado no hospital. Para ele, a unidade faz um ótimo trabalho, comparando o local e as equipes com os serviços médicos particulares. Após o transplante, o tio teve alta dois dias depois e o sobrinho precisou ficar mais uma semana, já que foi necessário acompanhá-lo de perto por conta da possibilidade de rejeição do novo órgão.

Ato nobre

"As pessoas falam que foi um ato nobre, mas é o mínimo que eu poderia fazer. É um filho de uma irmã minha, é como se fosse um filho meu, é meu sangue. E ele estava precisando de um rim. Acredito que qualquer tio faria isso pelo sobrinho. Não estou me engrandecendo. Deus cuidou da minha vida para acabar com essa doença, que sempre existiu na minha família, que tanto deixa minha mãe baqueada. Eu só agradeço a Deus por tudo ter dado certo. Fiz o que tinha que fazer. Não tinha uma outra pessoa".  

A vida de Ricardo segue normal. O sobrinho ganhou um novo rim e, quando os outros dois rins atrofiarem - o que é o esperando por conta da síndrome -, o órgão doado pelo tio será o suficiente para ele também levar uma vida normal.

João, Eduardo e Ricardo (Foto: Arquivo pessoal)

Para Eduardo, que está se recuperando muito bem, a ficha de tudo o que aconteceu ainda está caindo. "É um ato que serei grato pelo resto da minha vida. Isso não tem preço e palavras para descrever. Um ato de amor e carinho pelo filho de sua irmã que se foi", relata Eduardo, que deu entrevista para o Hojemais Araçatuba três semanas após o transplante. 

Agora, a faculdade que Eduardo queria frequentar se torna mais próxima. Quando foi fazer a matrícula, a médica marcou a cirurgia e ele precisou adiar esse projeto. Mas sua ideia é cursar medicina veterinária assim que puder. Além dos estudos, o jovem também pretende arrumar um emprego. "Como os médicos mesmo disseram depois do transplante que foi bem-sucedido: vida que segue". 

Incentivo

"Nunca desisti do meu filho, sempre disse que estaria ao lado dele para o que der e vier e, graças a Deus, meu caminho foi iluminado. O Ricardo era nossa única chance. Eu sempre fui consciente quanto à doação de órgãos. Bastou meu filho nascer com esse problema e futuramente precisar de uma doação, que eu e minha esposa sempre já nos posicionamos a ser doadores. Hoje, até coloco no meu Facebook a importância de ser doador", diz o pai de Eduardo, João. 

Sobre a importância da doação, Ricardo também deixa seu apoio, tanto é que um dos motivos para ter aceito contar sua história, é justamente mostrar a importância da doação de órgãos. "As pessoas precisam olhar para esse assunto de uma outra maneira. Na questão do rim, é tranquilo. A gente tem que ter empatia. Eu olhava o Eduardo, as limitações dele, tudo o que aconteceu com ele. Tem muitas pessoas assim, precisando". 

*Matéria atualizada para alteração da idade da mãe de Eduardo

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