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Estudo dos vulcões é importante para compreender a evolução do planeta

Dados sugerem que a própria origem da vida no planeta Terra ocorreu em fontes termais geradas por atividades vulcânicas

Jornal da USP - Rodrigo Tammaro
26/06/22 às 10h27
Kilauea Vulcão Havaí – Foto: Pixabay

Recentemente o planeta Terra testemunhou algumas erupções vulcânicas de destaque. Nas Ilhas Canárias, a destruição obrigou muitas pessoas a deixarem suas casas. Na Itália, um rastro de fumaça de mais de 10 km se formou. E, na Ilha de Tonga, a erupção de um vulcão submarino foi a mais intensa dos últimos 140 anos.

Apesar desses casos recentes, segundo Caetano Juliani, professor do Instituto de Geociências da USP, não é possível afirmar que as erupções se tornaram mais comuns nos últimos anos. “Nós estamos em um ciclo constante de atividades vulcânicas maiores ou menores”, afirma Juliani, ao comentar que essas atividades são registradas toda semana. Para o professor, o que acontece atualmente é que as informações circulam mais rapidamente.

O que são os vulcões?

Os vulcões são estruturas geológicas muito antigas formadas de duas maneiras. A primeira delas está relacionada à movimentação das placas tectônicas, blocos que se movimentam sobre o manto do interior do planeta Terra. Quando essas placas se chocam e dobram a crosta terrestre, dão origem aos vulcões. O outro processo ocorre devido a anomalias térmicas em que as rochas que estão no interior do planeta sobem até a superfície. As erupções ocorrem quando a estrutura geológica expele o magma, que se transforma em lava.

Enquanto esses processos acontecem e o vulcão dá sinais de erupção, ele é caracterizado como ativo. Os vulcões dormentes são aqueles que não estão em atividade, mas apresentam evidências de que podem entrar em erupção no futuro. As atividades vulcânicas são intermitentes, mas Juliani explica que elas terminam quando o canal por onde a lava é expelida muda. Isso significa que os processos de formação e atividade dos vulcões foram encerrados e por isso eles são definidos como extintos. “Fatalmente todos vulcões acabarão extintos em determinado período”, afirma.

Apesar de incomuns, as erupções mais intensas têm alto poder de destruição. Na tentativa de prever esses fenômenos, técnicas de monitoramento das atividades vulcânicas são utilizadas. Elas analisam sismógrafos, que medem tremores e atividades sísmicas, e a emissão de gases. Essas técnicas, entretanto, não são 100% precisas. “O problema disso é que, quando uma previsão falha, a próxima não é muito levada em consideração pela sociedade civil e pelos governos”, conta o professor ao comentar casos em que, após uma falha de previsão em um primeiro momento, as pessoas não acreditam na previsão posterior.

O Brasil possui algumas estruturas e derrames de rochas vulcânicas em locais como Minas Gerais, São Paulo e Amazonas. Entretanto, elas são muito antigas e ocorreram há mais de 1 bilhão de anos. “É um país que tem uma história de vulcanismo, mas sempre muito antigo”, afirma Juliani. “Os mais recentes são os de algumas ilhas que temos no litoral e, ainda assim, são da ordem de dezenas de milhões de anos atrás.”

No País não há nenhum processo de vulcões perigosos como os observados em outras regiões do mundo. Por isso, não há motivos para preocupação. “Se o nosso conhecimento estiver correto, processos desse tipo só vão voltar a ocorrer daqui centenas de milhões de anos”, conta o professor.

Importância do vulcanismo

Os vulcões são muito importantes do ponto de vista mineral – Foto: Pixabay

Apesar de mais lembrados pelas erupções e destruição, os vulcões são muito importantes do ponto de vista mineral. “As atividades que geram os vulcões também geram diferentes tipos de depósitos minerais: ouro, prata, cobre, chumbo, zinco. É muito comum nós termos depósitos de minerais de produtos que são essenciais para a nossa sociedade vinculados com os mesmos processos que geram as atividades vulcânicas”, comenta Juliani.

Outro aspecto importante do vulcanismo é sua relação com as mudanças climáticas. “Os vulcões emitem muitos gases e as grandes atividades promovem algumas alterações climáticas locais. Em alguns casos, não houve verão no Hemisfério Norte por causa de atividades vulcânicas.”

Para o professor, estudar os processos vulcânicos também é importante para compreender a evolução do planeta e as relações dessas estruturas em outros planetas do sistema solar. “Muitos dados sugerem que a própria origem da vida no planeta Terra ocorreu em fontes termais geradas por atividades vulcânicas, provavelmente elas forneceram energia e compostos químicos que propiciaram a formação da vida.”

“Eu diria que, desde a economia até a origem da vida, esse é um campo bastante amplo e muito interessante. O estudo do vulcanismo tem múltiplas facetas e é fundamental para entendermos o planeta e nos mantermos no planeta”, finaliza o professor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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