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Teria a vida na Terra começado no espaço? Cientistas encontram compostos orgânicos em meteoritos

Em artigo na revista “Nature Communications”, pesquisadores da Universidade de Hokkaido, no Japão, descobriram recentemente que três meteoritos contêm os blocos de construção moleculares do DNA e o seu primo RNA

Jornal da USP - Denis Pacheco
13/05/22 às 15h29
Fotomontagem com imagens de Wikimedia Commons e Pixabay por Adrielly Kilryann/Jornal da USP

Uma das teorias mais aceitas sobre o aparecimento da vida em nosso planeta postula que, mais de 3,5 bilhões de anos atrás, os primeiros organismos surgiram na chamada “sopa primordial”, uma mistura teórica de compostos orgânicos que podem ter dado origem à vida na Terra.

Mas como esses compostos orgânicos vieram parar aqui? Poderiam alguns deles ter vindo de fora do nosso planeta?

Em um estudo publicado na revista Nature Communications, cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão, descobriram recentemente que três meteoritos contêm os blocos de construção moleculares do DNA e o seu primo RNA. No trabalho, os pesquisadores relataram que encontraram todas as cinco nucleobases dentro de meteoritos ricos em carbono. Isso incluiu vestígios de todas as três pirimidinas: citosina, uracila e timina.

Também conhecidas como bases nitrogenadas, as nucleobases são compostos biológicos capazes de formar nucleosídeos. Esses nucleosídeos formam pares de bases e empilham umas sobre as outras levando diretamente a estruturas helicoidais de cadeia longa que conhecemos como o ácido ribonucleico (o RNA) e o ácido desoxirribonucleico (o DNA).

De acordo com o professor Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, a busca pela origem dos compostos orgânicos se enquadra com uma série de teorias sobre como essas substâncias podem fazer parte da gênese dos sistemas planetários: “Qualquer sistema planetário se forma assim, temos uma grande nuvem de gás e poeira que, por uma instabilidade qualquer começa a girar, faz uma grande concentração no centro maior, que será a futura estrela e outras menores, na periferia, que serão os futuros planetas”, esclarece ele ao completar que, caso a nuvem original já contiver moléculas chamadas de prebióticas, como, por exemplo, os componentes do DNA, “elas já estão no material do planeta”.

Outra teoria, revela ele, envolve a hipótese de que esse tipo de componente tenha sido dispersado por meteoritos, vindos de fora do planeta. Nesse sentido, descobertas como a realizada pelos cientistas japoneses alimentam essa hipótese, também conhecida como panspermia.

Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

“Achamos que os sistemas planetários contaminam os próximos, aqueles que têm vida, no caso”, reforça. Segundo o professor, o processo envolve o desprendimento de partes dos planetas, na forma de cometas ou meteoritos que, potencialmente, transportam componentes da vida pelo Universo.

Sobre o estudo dos japoneses, Pacheco reforça que um subconjunto desses componentes já havia sido detectado em meteoritos antes, mas o restante da coleção de pirimidinas estava misteriosamente ausente das rochas espaciais até agora. Para confirmar a descoberta, os pesquisadores usaram uma técnica chamada cromatografia líquida de alta performance, que envolve o uso de água pressurizada para separar as amostras de meteoritos em suas partes componentes.

Mas como podemos ter certeza que esses componentes vieram mesmo do espaço e não foram fruto de uma contaminação posterior no solo terrestre? O especialista argumenta que existem “técnicas muito sofisticadas para testar a possibilidade de contaminação, técnicas que não existiam até dez anos atrás e agora são seguras”. Dessa forma, a equipe extraiu as nucleobases de cada amostra e, em seguida, analisou as bases usando espectrometria de massa, uma técnica que revelou a composição química do material em detalhes.

Ainda assim, mesmo que os componentes detectados sejam extraterrestres, a presença escassa deles nos meteoritos não é suficiente para confirmarmos a teoria de que a primeira vida na Terra foi semeada por componentes de DNA do espaço. Entretanto, conforme o professor, a descoberta é, de fato, muito importante e “a busca continua”. 











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