Cotidiano

Pandemia afeta transplantes mas Maringá se mantém dentro da meta

A regional foi a única do estado a atingir a meta em 2020 e Paraná segue líder no rankig nacional

HojeMais Maringá - Kris Schornobay
04/02/21 às 08h21
Equipe de captação de Maringá (Foto: acervo pessoal)

A pandemia do novo coronavírus não gerou impacto apenas na quantidade de leitos ou no aumento do número de internações; a quantidade de transplantes caiu em 2020 ante 2019. Isso representou uma queda no ciclo de crescimento anual, que em 2019 teve elevação de 2,5% em relação a 2018.

O Paraná segue lider no ranking nacional. Com 41,6 doações por milhão de população (PMP), o estado está bem acima da média nacional, que é de 18,4. Porém, a partir de março do ano passado, o cenário nacional se inverteu, registrando forte queda no número de procedimentos.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), abril de 2020 teve 34% transplantes a menos do que o mesmo período de 2019, em um reflexo direto da pandemia de Covid-19, que afetou o Brasil principalmente a partir de março.

No Paraná
A Central Estadual de Transplantes, mantida pelo Governo do Estado, é em Curitiba, mas há quatro OPOs (Organizações de Procura de Órgãos), presentes na Capital, Londrina, Maringá e Cascavel.

Estes centros trabalham na orientação e capacitação das equipes distribuídas em 67 hospitais do Paraná, que mantêm Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT).

São cerca de 700 profissionais envolvidos, entre eles 23 equipes de transplante de órgãos, 25 centros transplantadores de córneas e três bancos de córneas em atividade – Londrina, Maringá e Cascavel.

Maringá
"Se conseguir um órgão já é um feito. No cenário atual se tornou um ato heróico já que os critérios para validação das doações e coleta dos órgãos ficam mais difíceis," diz Cristina Yurie Sekine, Coordenadora substituta da Organização de Procura de Órgãos de Maringá (OPO-Mga)

Mesmo diante da diminuição na oferta de órgãos, o resultado de Maringá durante 2020 atingiu as metas estabelecidas. Maringá, inclusive, foi a única regional do estado que conseguiu manter o desempenho dentro da média.

Cristina explica que isso se deve ao esforço redobrado dos membros da equipe, que mesmo com todas as dificuldade não desistiram de atuar. 

"Todos entendem esse trabalho como uma missão, muito mais do que uma profissão, é comovente ver a dedicação deles nesse dia a dia tão difícil", ressaltou.

Desafios
Novas regras para a doação deixaram o processo ainda mais complicado. Além da liberação da família para o procedimento, algo que cerca de 50% não aprova, há a preocupação com a questão da Covid-19. Pessoas que tinham interesse de se tornarem doadoras, mas faleceram em decorrência da nova doença, são recusadas no processo. O mesmo vale para quem morre com a suspeita do novo coronavírus. 

Na doação entre indivíduos vivos, é preciso que o doador não tenha tido contato com pacientes suspeitos ou confirmados de covid-19. Além disso, é necessário realizar o teste antes de a cirurgia acontecer. Por fim, no caso de doador que foi infectado, é preciso esperar 28 dias antes de se realizar o procedimento.

Os exames também são aplicados em quem necessita de transplante. Em caso de confirmação da Covid-19, a operação deve ser adiada. O teste é feito em todos os envolvidos, mesmo que não apresentem sintomas da nova doença.

Outros fatores indiretamente relacionados à pandemia também reduziram a quantidade de transplantes. O número de acidentes de trabalho que geram óbito diminuiu, gerando consequência nos números de transplantes realizados.

“Os números positivos de doações e transplantes também são reflexo da capacitação contínua dos profissionais que atuam no processo. O esclarecimento das etapas do diagnóstico de morte encefálica e o acolhimento e apoio às famílias que perdem seus entes queridos são essenciais para que a doação seja efetivada e beneficie os que aguardam na fila”, acrescentou a coordenadora.

Distanciamento social e a dor da perda
O distanciamento social foi um dos maiores obstáculos encontrados pelos profissionais de abordagem das famílias.

No Brasil, as doações só ocorrem após o diagnóstico da morte encefálica e precisam ser autorizadas pela família do doador, mesmo que o paciente tenha registrado em vida o desejo de doar. Todas as famílias dos potenciais doadores passam por uma conversa com as equipes de saúde para esclarecer as dúvidas e receberem orientações.

A abordagem da família é o momento mais delicado do processo, é preciso contar que um ente querido se foi, mas que isso pode salvar a vida de outras pessoas. Com a pandemia e a impossibilidade de abraçar quem sofre a perda deixou tudo ainda mais doloroso. 

"O abraço nesse momento é importante não só para a família que perdeu alguém querido, para o profissional da saúde também faz muita falta, nosso trabalho é muito gratificante, porque ajudamos a salvar vidas, mas ao mesmo tempo é muito sofrido, porque precisamos acompanhar todo o processo de perda. Somos todos humanos e muitas vezes, o abraço da equipe médica é o único abraço que a pessoa em luto vai receber", finaliza.

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