Economia

Com apoio da Adapar, Polícia Civil investiga adulteração em fertilizantes

Cargas foram apreendidas em abril pela delegacia da PCPR em Marechal Cândido Rondon, na região Oeste. Laudo da Adapar confirmou a fraude nos produtos, provenientes do Porto de Paranaguá entregues em empresas de Marechal Cândido Rondon e Mercedes. Prejuízo estimado é de R$ 500 mil

AEN - Redação - HojeMais Maringá
18/08/21 às 21h07

A Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) e a PCPR (Polícia Civil do Paraná) acompanham a ocorrência de adulteração de fertilizantes na região Oeste. Laudo concluído neste mês pela Adapar confirmou a fraude em produtos apreendidos em abril pela delegacia em Marechal Cândido Rondon. Na ocasião, a polícia localizou seis cargas que seriam adulteradas. Duas delas foram apreendidas e um motorista detido no momento da entrega, mas ninguém foi preso.

De acordo com o delegado Rodrigo Baptista Santos, os fertilizantes eram provenientes do Porto de Paranaguá e foram entregues em empresas de Marechal Cândido Rondon e Mercedes. “Até o momento, foram identificadas seis cargas com valor aproximado de R$ 91 mil, gerando um prejuízo de mais de R$ 500 mil”, explica Santos. A polícia está buscando os autores das adulterações.

A coordenadora do Programa de Fiscalização de Fertilizantes da Adapar, Caroline Garbuio, explica que diversos itens nos fertilizantes suspeitos indicaram, inicialmente, que se tratava do produto original, como a origem fiscal, registro do estabelecimento produtor, especificações, características das embalagens, entre outros.

No entanto, avaliações mais detalhadas revelaram diferenças. “Desta forma, fizemos coletas oficiais, considerando 222 toneladas desses fertilizantes suspeitos, e encaminhamos para análise em laboratório oficial do Estado, que comprovou a adulteração”, diz.

De acordo com o laudo, o rótulo do fertilizante declarava que a fórmula apresentava 7% de nitrogênio, 34% de fósforo e 12% de potássio. Porém, apresentou 0,7% de nitrogênio, 5,2% de fósforo e 3,8% de potássio. “Muitas vezes, a adulteração é tão perfeita que somente a análise laboratorial permite detectar esse tipo de irregularidade. Daí a importância do trabalho da Adapar”, explica a coordenadora.

Insumo

A coordenadora explica que o uso dos fertilizantes permite tornar um solo pobre em nutrientes em um solo agricultável e produtivo. A matéria-prima, geralmente adquirida de outros países, apresenta significativo impacto no custo de produção dos agricultores. “Devido ao alto valor agregado, os fertilizantes frequentemente são objeto de adulteração em sua qualidade”, afirma.

A eficiência de um fertilizante é medida pelo ganho de produção por unidade de nutriente aplicado. Ou seja, a dose aplicada deve corresponder à necessidade da cultura. A garantia quanto à concentração de nutrientes é uma das características preponderantes na qualidade desse tipo de produto.

Em 2016, a Adapar atendeu casos de adulteração em Toledo e Cascavel. Os agricultores tinham comprado aproximadamente 200 toneladas produzidas por empresa idônea e comercializados por estabelecimentos devidamente registrados. Porém, ao iniciar a semeadura, os produtores perceberam anormalidades nas características físicas do produto e comunicaram a agência. Após amostragem oficial, o resultado acusou deficiência em todos os nutrientes.

Recomenda-se que os consumidores sempre busquem fertilizantes de empresas fabricantes registradas no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e de estabelecimentos comerciais registrados na Adapar. Nesses locais há fiscalizações rotineiras para verificação da conformidade dos produtos.

Também é importante exigir a nota fiscal de compra dos fertilizantes, além de contratar empresas de transporte idôneas, pois é grande o indício de adulteração dos fertilizantes durante o transporte.

Ao receber o fertilizante no comércio ou em propriedade rural, o produtor deve verificar se os lacres da carga batem com o número identificado na nota fiscal. É preciso conferir se os lacres das embalagens não foram violados (rompidos ou dilatados) e se as características das mesmas e rótulos são iguais às descrições da nota fiscal. Por exemplo: garantias dos nutrientes, registros de estabelecimento, número do lote, data de fabricação e especificações físicas.

Para verificar a conformidade do fertilizante, o próprio agricultor pode coletar amostras e encaminhar para análise em laboratório credenciado no Ministério da Agricultura. Nesse caso, é importante que a amostragem ocorra considerando o mesmo lote do produto e a retirada da amostra abranja toda a extensão da embalagem, tendo em vista que é comum em fertilizantes adulterados a presença de fertilizante original apenas na parte superior.

Se no momento da semeadura o agricultor observar problemas nas características do fertilizante, recomenda-se a suspensão do uso do fertilizante e contato imediato com a empresa que comercializou o produto e com o fabricante. Permanecendo a dúvida, pode-se procurar a unidade da Adapar mais próxima.

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