AO VIVO
Economia

Custos represados podem elevar tarifas de energia elétrica em 2023

Especialista analisa fatores do aumento do preço e as manobras do governo para conter os reajustes em época de eleições

Jornal da USP
03/07/22 às 10h53
Montagem sobre foto: Marcos Santos/USP Imagens

Os preços mais elevados da energia elétrica vêm desde o ano passado, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criou a bandeira tarifária de escassez hídrica para custear o uso intensivo das usinas termelétricas diante da forte seca que afetou diversos reservatórios. Agora, está em vigor a bandeira verde, sem cobranças adicionais para o consumidor. A Aneel também informou que seria feita uma compensação de impostos cobrados a mais, reduzindo o valor das contas de energia.

“As compensações estão sendo aplicadas e os aumentos indicados segundo a Aneel já levam em consideração essa compensação de impostos que foram cobrados indevidamente em períodos anteriores”, explica Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP.  Ainda assim, há movimentações das distribuidoras de energia para reajustar as tarifas, inclusive acima da inflação. Alguns Estados brasileiros tiveram aumentos na casa dos 20%. 

A ideia do governo é manter a bandeira verde até o fim do ano, mas Côrtes chama a atenção para alguns impedimentos: o fenômeno climático La Niña, que “volta no segundo semestre e, sempre que isso acontece, traz irregularidade e redução de chuvas na região Sul do Brasil, podendo atingir o Estado de São Paulo”.

Custos represados

As distribuidoras também tiveram a autorização do governo para contratar empréstimos junto aos bancos públicos ou privados para compensar os custos da geração de energia nas termelétricas, que usam combustíveis fósseis e são mais onerosas. Os custos alegados são de manutenção e ampliação de infraestrutura, impactados pela cotação internacional do dólar e das commodities , como o petróleo e o cobre. 

“Quem é que vai pagar esse empréstimo? Nós, a partir de 2023, com sobrepreço na tarifa”, afirma o professor. Ele também teme aumentos logo depois das eleições. “Muitas vezes os governos ficam represando algumas situações negativas até o momento da eleição. E aí vem o ‘Day After’ , o dia após a eleição, ou seja, a eleição já está consumada, aí vêm os possíveis aumentos de tarifa.”











 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM ECONOMIA
Franquia:
Maringá PR
Franqueado:
SPOT COMUNICACAO DIGITAL LTDA
37.794.547/0001-16
Editor responsável:
Victor Faria
contato@mga.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2022 - Grupo Agitta de Comunicação.