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Corinthians x Flamengo: as lições de Renato Gaúcho e Sylvinho

'Passeio’ do rubro-negro em São Paulo escancara o abismo entre o limitado elenco corintiano e o rubro-negro candidato ao título

Neto del Hoyo - Dois Toques/HojeMais Maringá
02/08/21 às 18h39

Se alguém ainda questionava o motivo de Renato Gaúcho não ter aceito o convite da diretoria corintiana para assumir o time, o jogo de domingo, com 3 a 1 (fora o baile!) para os cariocas na casa do rival, esclareceu tudo. Um jogo com cara de treino para o Flamengo, esse sim, o time escolhido por Renato após a saída do Grêmio. 

Há quem pense que foi o Flamengo que escolheu o treinador. Mas a verdade é que foi o próprio Renato que se colocou na cara do gol ao rejeitar o convite de Santos e Corinthians. Como nos bons tempos de atacante, estava lá, no lugar certo só esperando sua vez chegar. Com Rogério Ceni mais firme que prego na areia, tudo foi questão de tempo.  

Mas os 3 a 1 do Flamengo em cima do Corinthians no domingo não servem apenas para explicar a escolha feita pelo treinador. Nem tanto o resultado, mas principalmente os (quase) 90 minutos de ataque contra defesa revelam o abismo entre o futebol praticado pelo time rubro-negro, de Renato, e o que se esforça para apresentar o alvinegro, de Sylvinho.  

Com Renato, o ótimo elenco flamenguista é candidato ao título. Ele tem o que faltava a Rogério Ceni. Taticamente, não inventa moda nem improvisa. Com ele, Willian Arão é volante, não zagueiro. Sua personalidade também faz toda diferença, principalmente num elenco recheado de estrelas. Ele não tolera chiliques (como os de Gabigol, Gerson, Bruno Henrique e Pedro), é muito mais acessível que Ceni e tem o domínio completo do vestiário.  

Já Sylvinho vem decepcionando. Fica difícil defender um técnico que em 16 jogos pelo clube tem 4 vitórias, 6 derrotas e 6 empates. Um aproveitamento de 37,5% que só é superior ao de dois treinadores desde o rebaixamento em 2008: Oswaldo de Oliveira (37,03%) e Jair Ventura (31,57%). Faltam peças no elenco, mas isso todos já sabiam. Inclusive Sylvinho. 

"Quando era cobrado pelo ‘futebol feio’ do Grêmio, Renato Gaúcho dizia: 'Se me derem um time de R$ 200 milhões, vão ver futebol bonito também'. Pois bem, agora ele conseguiu" 

DE COADJUVANTES A PROTAGONISTAS E VICE-VERSA 

A expectativa do Comitê Olímpico Brasileiro era aumentar as medalhas em Tóquio com a inserção de dois esportes que dominamos: skate e surfe. 

Poucos falavam de Rebeca Andrade antes da ginasta levar o ouro no solo e a prata no individual geral. Foi preciso pendurar duas medalhas no pescoço para notarmos o brilho de seu sorriso único de quem já venceu num esporte pouco reconhecido por aqui.  

No skate street, nem Letícia Bufoni, considerada uma das melhores de todos os tempos, nem Pâmela Rosa, a 1ª no ranking. Quem garantiu uma medalha para o Brasil foi Rayssa Leal.  

Aos 13 anos, a menina que viralizou na internet anos atrás como “fadinha do skate”, comemorou a prata com a pureza da resposta das crianças: “Eu estava apenas me divertindo”. Puro carisma. 
No surfe, coube ao atual campeão mundial, Ítalo Ferreira, nosso “moleque” de 27 anos, brilhar e garantir o ouro. E enquanto o mundo conhecia a história do potiguar de Baía Formosa, Gabriel Medina iniciava um movimento sem volta no Brasil. 

Líder do ranking, o garoto-propaganda oficial da modalidade voltou de Tóquio sem medalhas e reclamando das notas na semifinal. Pronto. Oficialmente somos mais de 200 milhões de especialistas em grabs de aéreos! 

Ainda resta uma semana de Jogos Olímpicos e cá estamos, fingindo interesse em modalidades pouco lembradas, certos de que fomos injustiçados pela arbitragem e acreditando em contos de fadas. Por motivos óbvios, apenas a última afirmativa é tolerável. O resto é dispensável.






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