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Editorial: As mentiras que eles querem que acreditemos

Criação do Conselho LGBTQI+ foi rejeitada pela Câmara dos Vereadores de Maringá

Victor Faria - HojeMais Maringá
02/09/21 às 12h33

O bom mentiroso sabe a hora de falar. Fato. Em tempos da mentira, propagada de forma rápida e exacerbada, as pessoas se blindam em factóides para tentar enfiar interpretações duvidosas goela abaixo das pessoas. Chamam de escudo democrático o que é, na verdade, as espadas do preconceito.

Mais uma vez, a Câmara de Maringá deu mau exemplo, quando o assunto é humanidade. Miram-se em seus próprios medos e mentiras  - talvez para se sentirem um pouco melhor - e atentam contra o que é um direito das pessoas. O conselho LGBTI+ foi rejeitado em plenário. Freud, talvez, explique. 

Imagens compartilhadas por políticos locais em suas redes, sensacionalizam algo que era muito simples. Um espaço de debate e proposição de políticas públicas. Onde, nesse mundo de meu Deus, seria esse um espaço antidemocrático? Inventam custos a toda custa para ludibriar a população.

Essas são as mentiras que eles querem que acreditemos. Ideologia de gênero, custos em uma pandemia, fogueiras ao culto religioso. Não sei como defini-los. Falsos vigários? Talvez. Déspotas esclarecidos? Não sei. O que fato é que, votação após votação, conclui-se algo cada vez mais claro e caro. O preconceito paira onde não deveria. O preconceito paira pela casa do povo. A história mostra o quão ruim isso é.

“A promoção da igualdade substancial e a eliminação da discriminação e de toda e qualquer manifestação atentatória e discriminatória em razão da orientação sexual e/ou identidade ou expressão de gênero”.

Esse trecho, compartilhado insistentemente nas redes sociais - alegando a regulamentação da identidade de gênero - diz, nada mais, nada menos, do que o óbvio: não discriminar alguém por orientação sexual. É só ler e entender. Não é difícil. Se você é contra isso, você tem, sim, preconceito. Fim de papo.

Dez vereadores: Alexa Chaves (MDB), Altamir dos Santos (PODE), Belino Bravin (PSD), Cris Lauer (PSC), Delegado Luiz Alves (Republicanos), Maninho (PDT), Onivaldo Barris (PSL), Paulo Biazon (PSL), Rafael Roza (Pros) e Sidnei Telles (Avante), votaram contra. Tenho vergonha de vocês. No conforto de seus discursos no púlpito edil, falta a decência de entender a dor dos outros que lutam por espaço. Questão de moral e equidade é o que falta. Um show de horrores não justificado (por nenhum).

Destaque para o líder do governo na Câmara, Alexa Chaves, Belino Bravin (PSD) - que também é da base do prefeito e que propôs o projeto e Maninho, do PDT. Este último, se sabe quem foi Brizola, deve saber que, hoje, atormentou a alma que descansava do tradicional PDTista. 

Quatro vereadores: Ana Lúcia Rodrigues (PDT), Flávio Mantovani (Rede), Dr. Manoel (PSL) e Mário Verri (PT), um acerto a mais! Independentemente do cenário proposto pelo eleitorado, não é compatível com um representante do povo ir contra um projeto que vise o bem-estar de uma população. Questão moral e de compromisso social.

As mentiras que eles querem que acreditemos é que Deus não compactua com o conselho em Maringá. A verdade é que Deus tem vergonha de ser utilizado assim. Por falsos profetas e arautos da moralidade. Tem vergonha dessas mentiras que eles querem que acreditemos. Essas mentiras ainda vão matar a nossa fé na humanidade.

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