AO VIVO
Opinião

Editorial: incoerência é o eufemismo da ignorância de Bolsonaro

Presidente esteve em Maringá na última sexta-feira (1º) para entregar as obras do aeroporto da cidade; cerimonial foi no parque de exposições e presidente não citou, sequer, as obras, em meio ao discurso eleitoreiro

Victor Faria - HojeMais Maringá
03/10/21 às 11h01

A coerência é um aspecto interessante nos dias de hoje. Digo isso porque não necessariamente ela precisa fazer sentido ou ser coerente. Com os absurdos cada vez mais próximos das canetas e discursos, esperar coerência do que não faz sentido é cada vez mais inteligível. Explico:

Em qualquer democracia séria - republicana, eu diria - esperar um tratamento de respeito a jornalistas, por exemplo, é um preceito básico. Faz sentido que, com o respeito às instituições, valorize-se o trabalho de cobertura jornalística e da divulgação dos fatos.

Quando o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), veio a Maringá, na última sexta-feira (1º), e cercou os jornalistas ao longe, feito animais em um zoológico, não há sentido na ação em uma democracia, embora fosse coerente à postura do presidente e, em absoluto, nada surpreendente.

Demorei a entender e digerir o que foi feito em Maringá, na última sexta. Talvez, por isso, esses escritos saiam de maneira tão tardia. Mas é preciso escrever. Bolsonaro, se pudesse hoje definir, é a coerência na incoerência. É uma ignorância rebuscada, que se pauta no mais extremo da opinião pública.  

Imagine você: sair de Brasília para fazer a entrega de obras em um aeroporto no norte do Paraná. Fazer a entrega em um outro local e, sequer, citar as reformas que foram feitas.

Um discurso de pouco mais de 10 minutos, bradando frases eleitoreiras que soam como música aos ouvidos dos extremistas, mas que, ao utilizar dinheiro público para fazer campanha, se veste da mais elegante incoerência. Por ali, há gloria e orgulho na ignorância. Há coerência na incoerência.

Perguntar a qualquer pessoa que lá estava sobre o discurso é o mesmo que retornar 2 mil anos e, em meio ao coliseu lotado, perguntar a postura do imperador que escolheu a morte de um gladiador. Vox populi, vox dei . O famoso jogar para a torcida.

Crer que no seu cercado particular tudo está correto, enquanto no cercado dos bichos - onde jornalistas tentavam trabalhar - as palavras não eram sequer entendidas.

"Protótipos de ditadores". Assim chamou o presidente, os governadores, prefeitos e cortes que restringiam a circulação de pessoas para controle sanitário contra a Covid-19.

Em meio aos gritos de "mito", o presidente - naquele momento - sentia-se Deus -, poderia eu apostar caso tivesse a tal da oniciência.

Coerente em sua incoerência, Bolsonaro, hoje, nada mais é do que o velho Santiago. Lutando contra a própria ganância e vendo seu grande marlim branco ser dissipado mar afora. Fisgou o grande espadarte da presidência mas, ao chegar à costa das eleições sabe que colherá tão somente os restos de decisões erradas, em meio a ignorância do querer sempre mais. A natureza cuida de fazer o incoerente ser, gradualmente, pouco mais coerente.

Incoerência e ignorância, hoje, deixam de ser adjetivos para se tornarem eufemismos do que é ser Bolsonaro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM OPINIÃO
Franquia:
Maringá PR
Franqueado:
SPOT COMUNICACAO DIGITAL LTDA
37.794.547/0001-16
Editor responsável:
Victor Faria / Amaro de Oliveira / Anderson Lopes
contato@mga.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2022 - Grupo Agitta de Comunicação.