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Editorial: ser chamado pelo nome é um privilégio e não direito em Maringá

Foram sete votos contrários contra seis favoráveis. Votaram contra o projeto os vereadores Maninho, Rafael Roza, Delegado Luiz Alves, Paulo Biazon, Cris Lauer, Altamir dos Santos e Alex Chaves

Victor Faria - HojeMais Maringá 
13/07/21 às 11h54

Ser chamado pelo nome é um privilégio e não um direito. Essa é a mensagem que passa a Câmara dos Vereadores de Maringá, ao rejeitar o projeto de lei que regulamenta a utilização de nome social no âmbito da adminsitração pública de Maringá. O projeto de lei do vereador Flávio Mantovani (Rede) foi rejeitado na manhã desta terça-feira (13), no plenário da Casa de Leis, por sete votos a seis.

Confesso que havia um pingo de esperança de bom senso da Câmara dos Vereadores, mesmo após o projeto de lei ter sido retirado de discussão por dez sessões. O adiamento do debate nada mais era do que um presságio da confirmação da falta de coerência - ou falta de respeito - de alguns vereadores com toda uma comunidade, que já sofre diariamente com o preconceito e hostilidade de tantas pessoas más. 

Não sou ingênuo. Entendo que há todo um eleitorado que deva ser respeitado e ouvido. Em questões humanitárias - e não políticas - o que se espera de um representante público é força e pulso firme. Mais do que isso: é necessário que dentro das próprias crenças, o vereador saiba respeitar direitos individuais. O Brasil é um Estado laico. Todos têm direito à fé, assim como todos têm o direito de ser chamados da forma como se sentem mais confortáveis. 

Em meio a um roteiro sórdido, que pôde ser assistido no canal da TV Câmara, o preconceito dançou através do silêncio dos nobres vereadores. A rejeição não foi sequer justificada pelos edis. Indago agora, o que o projeto traria de mal à população de Maringá? Posso afirmar o que traria de bom: respeito, dignidade e reconhecimento de um público que, ainda hoje, em pleno século 21, é tão perseguido.

Não posso deixar de registrar o voto de dois vereadores em específico. O primeiro deles é quase uma piada de mau gosto. O vereador Cristian Marcos Maia da Silva (PDT) é chamado em todas as sessões do legislativo pelo seu apelido: Maninho. O voto dele é quase um paradoxo existencial e exíguo em coerência. Novamente, ser chamado pelo nome é um privilégio e não um direito. Aqui, um exemplo claro da falácia da igualdade.

O segundo voto contrário, do líder do governo na Câmara, Alex Chaves (MDB), mais me decepcionou do que irritou. Alex vinha fazendo um bom trabalho. Discute as questões de forma ponderada e objetiva. O voto que deu e não justificou deve agradar parte considerável de seu eleitorado. Eu esperava do vereador, entretanto, um pouco mais de empatia e sensibilidade em um tema tão sensível. Bola fora de Alex Chaves.

Somados aos dois vereadores, foram contra o projeto os vereadores Luiz Alves (Republicanos), Altamir dos Santos (Pode), Rafael Roza (Pros), Cris Lauer (PSC) e Paulo Biazon (PSL). Desses vereadores gostaria, somente, de saber: qual o ônus do projeto? Quais malefícios a aprovação dele traria para a administração pública e para a população de Maringá? São perguntas importantes e que espero, sinceramente, que os nobres legisladores se manifestem.

Aos vereadores Flávio Mantovani (Rede), Ana Lucia Rodrigues (PDT), Onivaldo Barris (PSL), Dr. Manoel (PL), Belino Bravin (PSD) e Mario Verri (PT), meus parabéns. A humanidade, antes de qualquer outra coisa, falou mais alto. Que sirvam de exemplo para os demais. Sidnei Telles (Avante) saiu de seu posto antes da votação, mas já havia sido contra as emendas propostas por Ana Lucia. Mario Hossokawa tem prerrogativa de se abster e assim o fez.

Hoje cravo o que muitos já sabem. A Câmara de Maringá é retrograda. A não aprovação do projeto é preconceituosa. O silêncio da rejeição afirma: há covardia nos que votam mas não falam. No espaço e tempo em que vivemos, a covardia não pode ter vez e as minorias terão voz.

Nenhuma pessoa deveria ter o próprio nome engasgado por burocracias e a história vai mostrar que a luta de tantos não foi em vão. O HojeMais Maringá se solidariza com cada pessoa que se sentiu ofendida pela posição dos vereadores e tenham certeza: Maringá é maior e melhor do que eles.  

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