AO VIVO
Opinião

Futebol brasileiro sobra na América do Sul

Finais brasileiras da Libertadores (Flamengo x Palmeiras) e Sul-Americana (Athletico-PR x Red Bull Bragantino) representam feito inédito, mas não mudam o preço do dólar e nem o longo caminho que ainda temos pela frente

Neto del Hoyo - Dois Toques/ HojeMais Maringá
04/10/21 às 15h44

A classificação do Athletico-PR para a final da Copa Sul-Americana apenas confirmou o que as Eliminatórias da Copa do Mundo já revelavam: o futebol brasileiro sobra na América do Sul. 

Com o Furacão garantido, temos a certeza de que as quatro equipes finalistas dos torneios de clubes do continente serão brasileiras. Enquanto Flamengo e Palmeiras se enfrentam na decisão da Libertadores em 27 de novembro, a final da Sul-Americana terá o Red Bull Bragantino como adversário do time paranaense uma semana antes, dia 20. Ambas as decisões serão em jogo único no estádio Centenário, em Montevidéu.

E daí? Bem, se isso não muda o preço do dólar - que continua bem alto – ao menos serve para carimbar essa tal superioridade na história do esporte, uma vez que o feito, na América do Sul, é algo sem precedentes. 

A Libertadores já teve finais “caseiras” antes, precisamente em quatro ocasiões: Athletico-PR x São Paulo (em 2005), São Paulo x Internacional (2006), River Plate x Boca Juniors (2018) e Palmeiras x Santos (2020). A Sul-Americana também, mas somente em 2020 com os argentinos Lanús e Defensa y Justicia. E outras finais nacionais ocorreram mais três vezes em cada uma das extintas Copa Mercosul e Supercopa. Mas, nas duas competições continentais ao mesmo tempo? Nunca antes.

Um feito histórico que impõe o futebol brasileiro, incontestavelmente, como o melhor no continente. Mas isso não é tão bonito quanto parece.

A primeira pergunta que precisa ser feita é se essa realidade é mais mérito do nosso futebol que começa a evoluir ou fruto de decisões equivocadas de nossos vizinhos que pararam no tempo. Pode ser um pouco das duas. Acredito nisso.

Se por um lado a situação de Boca e River, dois gigantes argentinos, repete o enredo de péssimas administrações que vimos em Cruzeiro, Vasco e Santos, a classificação de RB Bragantino e Athletico confirma que é possível fazer futebol com qualidade e organização mesmo sem a mesma exposição que os chamados “times grandes”.

"Quatro finalistas do mesmo país no mesmo ano foi algo que só aconteceu antes na Europa, na temporada 2018/19, quando os ingleses Liverpool x Tottenham (na Champions League) e Chelsea x Arsenal (Europa League) jogaram as decisões"

PREMIANDO A INCOMPETÊNCIA

Além do fato histórico, a classificação dos quatro times brasileiros para as finais em Montevidéu ainda vale um fator extra para o Brasileirão, que terá nove equipes na próxima edição da Libertadores.

Mais do que isso, do campeão ao 15º na classificação final, todos estarão em alguma competição continental no ano que vem. Ou seja: apenas o 16º ficará no 0 x 0, uma vez que os times entre o 17º e o 20º lugar estarão rebaixados para a Série B. 

Imaginando que a diferença de pontos entre o 15º e o 17º colocados na última rodada seja mínima, podemos afirmar sem medo de errar que a incompetência será mais uma vez premiada. 

Não se trata de não enxergar mérito na permanência na elite do futebol nacional, mas premiar isso com uma vaga em competições internacionais é demais. Não é nada saudável para o campeonato.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM OPINIÃO
Franquia:
Maringá PR
Franqueado:
SPOT COMUNICACAO DIGITAL LTDA
37.794.547/0001-16
Editor responsável:
Victor Faria / Amaro de Oliveira / Anderson Lopes
contato@mga.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2022 - Grupo Agitta de Comunicação.