Opinião

Leonel de Moura Brizola completaria 100 anos no dia 22 de janeiro de 2022

Um relato de Tadeu França, ex-deputado federal constituinte e coordenador de campanha de Brizola no Paraná em 89.

Tadeu França - Especial para o HojeMais Maringá
20/01/22 às 16h45

No próximo dia 22 de janeiro, Leonel Brizola estaria completando 100 anos de idade. Gaúcho de Carazinho, era casado com Neusa Goulart Brizola. Engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi um dos principais líderes do trabalhismo nacionalista de Getúlio Vargas e de João Goulart. Foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Porto Alegre e governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

Sempre defendeu o direito de propriedade, mas posicionou-se com clareza a favor da reforma agrária e de uma justa distribuição de rendas no Brasil. Banido pelo golpe militar de 1964, permaneceu exilado no Uruguai até 1979, ano em que voltou ao Brasil pela Lei da Anistia, mesmo sem haver praticado crime algum.

Em 1984, foi um dos líderes da campanha nacional pelas "Diretas Já". Sempre alinhou-se em defesa dos produtores brasileiros. Apregoava restrições ao capital estrangeiro em nome da soberania do Brasil quanto ao seu povo e ao seu território.

Veio a falecer no dia 21 de junho de 2004, aos 82 anos de idade.

Na época das duas visitas que fez a Maringá, eu era o único deputado federal paranaense filiado ao PDT e presidente estadual do partido. Durante as eleições presidenciais de 1989, tive a honra de ter sido o coordenador da campanha dele à presidência da República no Paraná. Por uma pequena margem de votos, foi que ele não obteve o espaço para disputar o segundo turno das eleições presidenciais contra o então candidato Fernando Collor.

Na condição de humilde coordenador de campanha por várias vezes pedi a Leonel Brizola, para que ele não aderisse a um confronto aberto contra a Rede Globo de Televisão, mesmo porque os comícios dele se iniciavam assim: "Eleito Presidente da República, o meu primeiro ato administrativo será cassar a concessão da Rede Globo de Televisão".

Ele no máximo respondia sorrindo: "Fique tranquilo, Tadeu, tu não passa de um meninão em quem confio, mas as minhas raízes são profundas. A hora e a vez da Rede Globo não haverão de tardar".

Aqui fica a expressão de meu eterno respeito e gratidão pelo defensor intransigente da democracia em nome  da "voz da legalidade" e do trabalhismo nacionalista.

Herdeiro político de Getúlio Vargas, não tenho dúvidas de que em 1989, o povo brasileiro perdeu a oportunidade de reconquistar o direito de contar com um timoneiro inteligente e afinado principalmente com os pequeninos e humildes que nele teriam um estadista à altura do que a nossa pátria necessita com urgência.

Um líder não morre, porque ele se pereniza nas marcas dos ideais que ficam para sempre.

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