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Nós precisamos descer do pódio

Brasil segue sendo o país que mais mata homossexuais no mundo

Neto del Hoyo - Dois Toques/ HojeMais Maringá
28/06/21 às 12h03

Você nem precisa entender de ginástica, tampouco gostar de esportes para perceber que alguém com tantos títulos assim só pode ser um vencedor. E ele é.

Talvez você até pense que, num país onde se vive a “ditadura do futebol” entre os esportes coletivos, seja louvável um multicampeão de uma modalidade que sequer aparece na lista das preferências nacionais quando o assunto é a individualidade. Tênis, surfe, boxe, atletismo, natação... todos esses e tantos outros aparecem à frente da ginástica no gosto do brasileiro. 

É incontestável que Diego Hypólito tem uma carreira profissional repleta de conquistas. Mas a maior delas veio em 8 de maio de 2019, quando o atleta já tinha 32 anos. Diferente de tantas outras, essa conquista não veio num ginásio, não houve pódio e nem aplausos das arquibancadas. Naquele dia, o ginasta assumiu publicamente a homossexualidade. E com seus 1,70m, Diego foi gigante. 

Não entendeu? Bom, você pode até não saber absolutamente nada de ginástica e nem gostar de esporte nenhum. Mas tem uma coisa que você não pode fugir: o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo. Um título que nos envergonha e que pune pessoas que sofrem por medo do preconceito.  

Foi assim com Diego, que carregou por anos um fardo que jamais deveria carregar. Um dos maiores atletas brasileiros da ginástica guardou o segredo por 13 anos, já que tinha 19 anos quando assumiu para si mesmo que era homossexual, mas que só teve coragem de contar para sua família aos 28, às vésperas do Mundial da China de 2014.

Diego é só um exemplo. Enquanto não temos uma sociedade livre de preconceitos e igualitária, independente do gênero e da orientação sexual, seguimos liderando uma competição que sequer deveria existir.

"O portal Wikipedia lista 427 esportistas assumidamente homossexuais, bissexuais e trans

A POLÍTICA ESPORTIVA CUBANA

Lá se vão 45 anos do bronze olímpico em Montreal-1976 e a política que levou jogadores abrirem mão da seleção de vôlei ao defender clubes internacionais faz Cuba, uma das maiores formadoras de atletas, apenas assistir seus craques sendo protagonistas por outros países. 

Juantorena ja brilhou na conquista da medalha de prata da Itália no Rio, em 2016. Agora temos León (Polônia) e Leal (Brasil) assumindo o protagonismo em duas das candidatas ao pódio em Tóquio. 

No domingo, melhor para o cubano/brasileiro que ajudou o Brasil a conquistar a primeira Liga das Nações em cima dos poloneses.

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