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Uma breve análise da sequência de fatos e ações, causas e consequências econômicas

Ineficiência, desemprego, queda da renda e retração do PIB com a diminuição do consumo pelas famílias

Economista - João Adolfo Stadler Colombo
11/10/21 às 06h45

A covid torna-se uma iminente ameaça vindo do exterior, com isso vem os decretos com inúmeras restrições para conter seu avanço e não sobrecarregarmos nosso sistema de saúde. Como consequências a ineficiência, desemprego, queda da renda, retração do PIB com a diminuição do consumo pelas famílias. Enquanto havia estoque não houveram alterações nos preços, pelo contrário, não existindo quem comprassem os produtos, vimos eles retraíram e tivemos deflação no IPCA (quando os produtos perdem valor – petróleo, como o mais notório deles, vindo de US$ 66,00 para US$ 38,00). A taxa Selic acompanha o IPCA e chega a seu menor patamar histórico: 2%a.a.

O governo dá suporte com o auxílio emergencial aos informais, também concede crédito subsidiado aos empresários, elevando em muito a oferta de moeda. Em paralelo, o mercado de capitais entra em pânico, empresas com queda no faturamento e resultados, investidores liquidam posição em papéis na bolsa de valores e ao converterem os reais em dólares, pressionam o câmbio que dispara. Começamos então a ter inflação interna elo excesso de moeda e externa com a alta do dólar, parte de 2%a.a. para mais recentemente 10%a.a.

O Banco Central não acompanha a Selic em função do IPCA, não enxuga o excesso de moeda, não utiliza as reservas cambiais para tentar conter o câmbio. Hoje, com um dólar em R$ 5,50 e tendo o barril do petróleo em US$ 82,00 chegamos num preço em reais superior a R$ 450,00 (algo que chegou a estar em menos da metade desse valor).

Uma vez que a política é a de paridade com os preços internacionais, dessa forma ficamos reféns da OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo, segurando a oferta pra elevar os preços e compensar os prejuízos durante a pandemia.

Enquanto o BACEN não for mais enérgico no uso dos instrumentos de controle de câmbio e inflação, principalmente elevar a Selic acima do IPCA (voltar a pagar juros real positivo), restringir crédito e leiloar dólares usando parte das reservas (hoje em 350 bilhões de dólares), continuaremos nesse ciclo vicioso com inflação crescente – setembro foi o pior para o mês desde 1994, o início do Plano Real.

O fundo do poço pode não ter chego ainda, vale se atentar que o barril já chegou a bater os US$ 125,00 num passado não muito distante. Hoje com um câmbio em R$ 5,50 teríamos o litro da gasolina em R$ 9,00 caso nada fosse feito, principalmente em relação as alíquotas de ICMS pelos estados. Enquanto isso vemos a Petrobras registrar 42 bilhões de reais em lucro só no último trimestre. Bom para os acionistas, em sua maioria estrangeiros, ruim para o brasileiro. O governo detém 50% da composição acionária, então pode vir a usar sua parcela em dividendos para amenizar no preço dos combustíveis sob forma de subsídio.

Por hora, o que nos resta infelizmente é montarmos comitivas para vender nossas cidades nas feiras em Dubai, de forma a atrair os petrodólares gerados pelos lucros astronômicos pelo cartel internacional do petróleo. O Brasil supostamente é autossuficiente na extração de petróleo, entretanto o tipo foge dos padrões para os quais foram construídas nossas refinarias (vem lá da década de 70, durante o regime militar), por isso seguimos exportando o que extraímos e importando da Oriente Médio. Teríamos que realizar investimentos para adequação do refino, supostamente não existe o monopólio da Petrobras (por força de lei garantindo reserva de mercado), mas a verdade é que ela detém 98% do refino e não está nos seus planos focar nas refinarias. Por isso, seguimos exportando o óleo cru (matéria prima) pra depois importar diesel e gasolina (produto acabado). É a eterna síndrome do Brasil colônia.

De certa forma, pro governo é bom que a inflação siga alta, uma vez que ele tem batido recorde de arrecadação, contendo artificialmente o crescimento da dívida, inclusive reduzindo a relação ‘dívida x PIB’, sendo até elogiado pelo FMI (indicador sinalizaria menor risco de descontrole ou iminência de calote – o povo pagando a conta). Infelizmente parte do déficit será resolvida com a contenção nos salários e benefícios, com um reajuste muito aquém da inflação oficial, pior ainda quando comparado com outros indicadores (o IGP-M, por exemplo, que já bateu 37%a.a. e hoje segue alto em 25%a.a.).

Pra artificializar a problemática da desigualdade social, o governo pretende ampliar justamente o programa que mais criticava – o Bolsa Família (agora com novo nome, “Auxílio Brasil”) – de 30 para 60 bilhões de reais. E seguimos assim com fundamentos cada vez mais maquiados e manipulados, onde pra não somente apontar problemas, encerramos a análise apontando o que temos de mais positivo por momento: queda do desemprego (IBGE de 14,7% pra 13,7% e CAGED apontando geração de 2,2 milhões de novas vagas, um excelente resultado).

Provavelmente tenhamos um bom último trimestre, com o natal e réveillon um pouco mais esperançoso, com retorno de seguimentos tão penalizados durante a pandemia (entretenimento, lazer, turismo, eventos, etc.) – é a volta a normalidade, novamente em 2019, porém um pouco piores em dívida, inflação, renda e emprego.

Que 2022 não seja tão tumultuado quanto promete, com as eleições, novamente a população dividida e polarizada. Sugiro que evitem discussões desde já e foquem no trabalho.


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