Polícia

Apologia à violência contra a mulher em grupo de whatsapp de Maringá causa indignação

Lutador de Jiu Jitsu, que responde a processo por lesão corporal contra a ex-companheira, assume que bate em mulher e ainda descreve o método que usa em grupo da academia

HojeMais Maringá _ Kris Schornobay
13/05/21 às 01h59

Mensagem de áudio postada num grupo de alunos e professores de uma escola de jiu jitsu causou indignação e revolta em Maringá. Na mensagem, um dos alunos declara, entre risos e gargalhadas que espanca mulheres:

“Ah, eu não tenho paciência, não. Eu já chamo no “doze” e dou cadeirada nas costas até envergar. E se ficar falando muito, eu boto pra dormir.” Diz num trecho da gravação.

A  declaração foi registrada na terça-feira (11) durante uma discussão sobre a condenação do assassino da advogada Tatiane Spitzner, Luis Felipe Manvailer, que era praticante de Jiu Jitsu e conhecido de alguns integrantes do grupo de whatsapp. (Print 1)

“Esse cara foi meu aluno em Curitiba… Treinou comigo durante uns 5 anos. Dos 16 aos 21 anos de idade. Nunca imaginaria que isso pudesse acontecer. Pensem num cara que não fazia mal para uma mosca... Mas nós nunca vamos realmente conhecer as pessoas. Infelizmente ele fez algo que vai ter de levar no consciente dele pro resto da vida. Pode ser que não fique todo esse tempo preso, vai apelar, bom comportamento, etc… mas não vai eximir o erro dele”
 
 Manvailer foi condenado, nesta segunda-feira (10), a mais de 31 anos de prisão, por homicídio com as qualificadoras de feminicídio, meio cruel, motivo fútil e com emprego de asfixia, além do crime de fraude processual.

A discussão sobre o caso se acirrou  quando alguns no grupo passaram a culpar a vítima pela violência sofrida. (Print 2)

1 -  “ Mas tem casos mano, que não é pq o cara é “mal” (sic)”

2-   “ Tem mete sequela e roda no braco”*

* “Tem que meter a soqueta e rodar no braço” 

1-   “ kkkkk Bem isso. 

Ele segue recebendo apoio de outro colega e logo depois envia o áudio. (Print 3)

1-   "Eu bato, não deixo estralar não kkkkk”.

Aúdio: “ hehehe Tem umas nega forgada véi, tem jeito não, tem que chamar no doze, na bicuda mesmo, não tem dessa.Se vacilar ela te mete cadeira, paulada, pedra,vai pra cima e “regaça”, depois dá uma de inocente: ai,ele me bateu! Sorte sua que você correu,se não “tinha te rebentado'', te moído no soco. Humpf! Ah, eu não tenho paciência, não. Eu já chamo no “doze” e dou cadeirada nas costas até envergar. E se ficar falando muito, eu boto pra dormir. Ainda chacoalho pra acordar e pra não deixar ali caída no chão. Acorda. Continua xingando? Dorme de novo. Acorda. heheheheheh Depois á noite tá tudo zero! hahahaha”

Edson Cleyton, o autor do áudio, já responde por lesão corporal contra a ex-mulher. No boletim de ocorrência do dia 24/06/2019, consta que as agressões sofridas pela parceira são exatamente as mesmas que descreveu ao grupo.

“ *EDSON CLEYTON DOS SANTOS* A AGREDIU FISICAMENTE E AMEAÇOU AO DAR SOCOS NO CORPO E ROSTO DA VÍTIMA, CHUTES NO CORPO E UMA CADEIRADA, ELE A APERTOU O PESCOÇO ATÉ ELA DESMAIAR, TENDO ELA FICADO COM HEMATOMAS NO OLHO E BRAÇO ESQUERDO.”

Ao tomar conhecimento da gravação, o Ministério Público informou que se manifestou sobre o caso no último dia 21 de Janeiro. A Promotora de Justiça Carla Cristina Castner Martins já pediu urgência na apreciação do caso ao juiz responsável.

Procurado pela reportagem, Edson Cleyton não respondeu às mensagens.

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