Política

"Eu avaliaria como uma administração insuficiente e com dificuldade de priorizar", disse Rafael Roza

Vereador eleito é contra o aumento de vereadores neste momento e se caracteriza como oposição à gestão Maia. Economia, combate a corrupção e pautas pró-família são suas bandeiras

Victor Faria - HojeMais Maringá
20/11/20 às 14h15

O HojeMais Maringá contatou todos os vereadores eleitos para responderem nove perguntas formuladas pela nossa equipe de jornalismo. As perguntas foram exatamente as mesmas para todos os vereadores eleitos e abordam visões políticas, análises do legislativo, fiscalização ao executivo e proposições de leis.

Confira a entrevista com o vereador eleito Rafael Roza (Pros):

HojeMais Maringá - Você se considera situação, oposição ou independente ao prefeito reeleito Ulisses Maia? 

Em relação ao prefeito, naturalmente serei oposição. Entretanto, isso não quer dizer que projetos que eu entenda serem relevantes e benéficos para a população não serão por mim aprovados, esse foi o meu posicionamento durante a campanha e quem votou em mim já espera por isso. O que posso dizer agora é que não serei aquele tipo de oposição cega. Estou assumindo uma cadeira de vereador para representar a população e fiscalizar o uso do meu e do seu dinheiro, sempre que o executivo propor algo que seja bom para nossa cidade, obviamente votarei a favor, mas se entendermos que a população não será beneficiada ou se existir algum tipo de privilégio indevido, serei oposição. É meu papel lutar para defender os interesses da população. O que os maringaenses podem esperar de mim é um mandato com foco e coragem para fazer o que é correto, com inteligência, eficiência, estratégia, diálogo, ética, honestidade e mansidão.

Qual a principal bandeira que você vai defender na próxima legislatura?

É difícil elencar uma bandeira apenas. Toda a nossa campanha e plano de mandato estão fundamentados nos seguintes pilares: Emprego e Economia, Gestão e Desburocratização, Fiscalização e Transparência. Além disso, por ser evangélico, pautas conservadoras, pró-família ou relacionadas às igrejas também terão a minha atenção.

Qual será o primeiro projeto que vai ser apresentado por você na Câmara?

Em decorrência da pandemia que estamos vivendo, muitas pessoas estão com problemas na área econômica. Neste sentido, Maringá precisa sair na frente no que diz respeito ao fomento e à retomada do crescimento para 2021. Pretendo colocar em pauta o projeto da Liberdade Econômica, que visa facilitar a abertura de estabelecimentos na cidade, além da redução da burocracia, para que possamos ter um ambiente de negócios mais simples, ágil, moderno e digital, justamente para buscar diminuir a crise que estamos enfrentando e a que ainda está por vir.

É a favor do aumento de vereadores no município? Por quê?

Não sou favorável nesse momento. Ainda que se fale em aumentar a representatividade na Câmara de Vereadores, o que por si só não é ruim, precisamos considerar que o país como um todo está enfrentando um período de recessão econômica e tem anos pela frente para uma retomada, então não é razoável diante desse desafio, pensar em aumentar o número de vereadores da Câmara Municipal. Neste caso, penso que a melhor opção seria a de menor gasto, ou seja, a manutenção das 15 cadeiras.

Como avalia os quatro primeiros anos de governo de Ulisses Maia?

Eu avaliaria como uma administração insuficiente e com dificuldade de priorizar. Cuidou muito da parte estética, principalmente no centro, mas não conseguiu proporcionar o básico a população. As filas de consultas, exames e cirurgias são imensas, a pessoa chega a esperar mais de 1 ano para uma consulta, e isso é inaceitável. A fila de vagas de creches não foi resolvida, pelo contrário, a tendência é aumentar ainda mais na pós pandemia. Houve falta de relacionamento com a Sociedade Civil Organizada, o melhor exemplo disso foram os decretos de fechamento realizados sem diálogo. As igrejas sofreram com fiscalizações e burocracias desenfreadas. Tudo isso me motivou a sair do papel de “observador reclamão” para ser um agente de transformação social por meio da política. 

Qual o maior acerto e o maior erro do prefeito nos últimos quatro anos?

Podemos dizer que, de certa forma, houve um acerto no âmbito do lazer. A atual administração empenhou muitos recursos (o que pode ser questionado) em praças públicas, por exemplo, em que pese os problemas identificados e não solucionados no Parque do Ingá (um dos principais pontos turísticos de nossa cidade). Por outro lado, acredito que houve erros graves na área econômica que envolve gastos exorbitantes, empréstimos desnecessários, reajuste salarial e falta de diálogo com o setor comercial (especialmente a falta de diálogo no fechamento precipitado e tão rígido de nossa cidade, sem uma estratégia para evitar a fragilização das empresas e negócios).

Houve uma renovação de 46% da câmara. Como você avalia essa mudança que vem?

A Câmara de Maringá tem vereadores com mais de 20 anos de carreira e respeito a experiências deles, mas também acredito que a renovação é algo positivo e necessário, pois permite que novas ideias sejam discutidas e que o poder não fique limitado a um grupo reduzido de pessoas.

Prevê alguma política pública voltada para as mulheres? Quais?

Primeiramente, quero parabenizar as duas mulheres que farão parte do nosso legislativo. Não temos projeto especificamente para as mulheres, entretanto nossos projetos voltados para o empreendedorismo, de certa forma terão um impacto direto na vida da mulher maringaense, tendo em vista que, em Maringá, as mulheres ocupam 45,5% dos empregos formais e elas representam 46,4% dos MEIs. Vamos ser um braço parceiro das empreendedoras. De qualquer modo, eu e os membros do meu gabinete queremos deixar o canal aberto e estaremos atentos aos anseios para identificar as demandas e necessidades de nosso povo.

Qual será, no seu ponto de vista, os maiores desafios do legislativo maringaense entre 2021-2024

O maior desafio do legislativo para essa gestão é se manter independente do poder executivo e cumprir o seu papel que é fiscalizar as ações da Prefeitura, mesmo sendo uma Câmara aparentemente em sua maioria base do governo.

Também em razão da pandemia, com o fechamento precipitado e tão rigoroso, a iniciativa privada está bastante fragilizada. Portanto, é inconcebível o aumento de tributos e despesas e será imprescindível o controle de gastos públicos. E, para isso, o Legislativo terá de buscar, juntamente com o Executivo, soluções práticas que amenizem os impactos econômicos e de desemprego na cidade, que as despesas sejam enxugadas e que os recursos sejam canalizados nos serviços essenciais, cortando tudo aquilo que for dispensável ou importe aumento de despesas. Precisamos evitar o inchaço da máquina pública com aumento de salários e novos cargos comissionados. Certamente, o trabalho de fiscalização será árduo, inclusive por conta do número elevado de contratações sem licitação nos últimos tempos, que exigirá mais acuidade de cada um dos vereadores para se evitar práticas ilícitas.

Além disso, o alto nível de abstenção nesta última eleição mostrou que grande parte da população perdeu a fé na política, e caberá a nós mostrarmos que ainda há políticos responsáveis e sensíveis aos anseios da população, que atuam em prol do povo e não de si mesmo.

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