Literatura como ferramenta social
A literatura infantil também tem sido essencial para a discussão de temáticas sociais. É o caso do livro “Bela, a diferente abelhinha que virou rainha”. O livro, escrito pela autora baiana Palmira Heine, conta a história de uma abelhinha que tinha o corpo e cabelo diferente das demais, e estava sempre mudando suas características para poder se inserir.
Infelizmente, essa é uma narrativa comum e verídica. Palmira conta que a história de Bela, se baseou em um episódio da vida real. “A inspiração veio de minha filha, que tem uma colega que achava que o cabelo dela era feio”.
De acordo com a escritora, temas como esse têm sido demandados pelas crianças, pois elas estão inseridas em uma sociedade excludente. Desde a publicação do seu primeiro livro, quando tinha 18 anos, Palmira tem se dedicado a escrita infantil, enquanto também atua como professora universitária. Na lista de títulos já publicados estão “Chapeuzinho no Pêlo”, “Mila, a pequena sementinha”, “O sonho de Ritinha” e tantos outros.
Além de contribuir para o debate social, a literatura também pode ser um instrumento didático. Segundo a autora, é possível utilizá-la em várias disciplinas, como por exemplo, na matemática. O livro “A amizade no mundo dos números”, por exemplo, conta a história do “0”, um personagem que se sentia triste porque diziam que ele não valia nada. “Você pega um conceito de matemática e traz de uma forma lúdica para adaptar ao universo infantil”, explica Heine.
O Mercado na Literatura Infantil
Não existe uma faculdade própria para isso, mas para os que se interessam pela área, cursos como Letras e Jornalismo podem ajudar a desenvolver essa habilidade.
Para quem deseja seguir a carreira de escritor e até trabalhar com literatura infantil, é preciso ter muita disposição. Quem inicia fazendo as publicações de forma independente, como foi o caso de Palmira, pode encontrar muitas adversidades. É que geralmente as editoras conhecidas preferem autores com mais visibilidade.
A escritora compartilhou que o seu primeiro livro tinha ilustrações em preto e branco, porque a tinta colorida tornava a impressão mais cara. Mas o talento e persistência vencem as adversidades. Hoje, os livros de Palmira são coloridos e dão vida à imaginação de crianças de várias partes do país, graças ao seu trabalho independente de produção e distribuição.
Essa é uma área que têm crescido e também dado bons rendimentos. O Sindicato Nacional dos Editores de Livros em parceria com a Associação Nacional de Livrarias divulga mensalmente um balanço feito por todas as lojas que realizam a venda de livros. No início do ano, houve um aumento no número de vendas dos livros infantis, quando comparado ao mesmo período do ano passado. A categoria infanto-juvenil teve um aumento de aproximadamente 15%.
