Cotidiano

Mãe de menina com autismo nível 3 faz campanha para construir quarto sensorial e dar mais segurança à filha

Sem conseguir descansar um minuto sequer, Geni Farias enfrenta diariamente as crises da pequena Elisa e busca transformar um cômodo da casa em um refúgio de acolhimento, proteção e desenvolvimento.

H+ Andradina
06/08/26 às 10h00

Há mães que enfrentam noites mal dormidas. Outras convivem com a preocupação constante. Mas existem aquelas que vivem em estado permanente de alerta, sem conseguir desligar por um único instante. É assim a rotina de Geni Farias.

Mãe da adolescente Elisa, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3, Geni convive diariamente com uma realidade que poucas pessoas conhecem de perto: crises intensas, hiperatividade extrema e o medo constante de que a filha se machuque.

A menina simplesmente não consegue parar. "Ela anda o tempo todo. O pezinho dela chega a ficar esfolado de tanto caminhar. Ela não consegue sentar, não consegue descansar. A hiperatividade não permite", conta a mãe.

Dentro de casa, as marcas dessa luta estão por toda parte. A porta do quarto e vidros  já foram quebrados durante as crises. Geni carrega no próprio corpo os arranhões de inúmeras tentativas de proteger a filha. Elisa também acaba se machucando, muitas vezes sem perceber o risco ao seu redor.

Cada móvel representa um possível perigo. Cada crise exige força física, equilíbrio emocional e um amor que parece não conhecer limites. Mesmo exausta, Geni continua.

"Não é fácil expor nossa vida dessa forma. Mas eu faria qualquer coisa para conseguir oferecer um lugar onde minha filha possa viver com mais conforto e segurança."

Foi dessa necessidade que nasceu a campanha para construir um quarto sensorial especialmente adaptado para Elisa. A ideia vai muito além de decorar um ambiente. O objetivo é criar um espaço seguro, onde ela possa se regular durante as crises, reduzir a sobrecarga sensorial e encontrar conforto quando tudo ao seu redor parece intenso demais.

O projeto prevê iluminação suave, painéis táteis, colchão antivibratório, brinquedos adaptados e outros recursos indicados por terapeutas ocupacionais e especialistas em desenvolvimento infantil.

Além de diminuir os riscos de acidentes, o ambiente poderá contribuir para estimular a comunicação, as habilidades motoras e proporcionar momentos de tranquilidade para Elisa.

Para muitas famílias, um quarto é apenas um lugar para dormir. Para Elisa, poderá representar proteção. Para Geni, significará a esperança de ver a filha sofrer menos.

Em publicação nas redes sociais, ela resume o sonho que move essa campanha: "Nosso sonho é proporcionar a ela um espaço seguro e acolhedor, onde possa se sentir confortável e tranquila todos os dias."

Toda a arrecadação será destinada exclusivamente à compra dos equipamentos, à montagem do ambiente e às adaptações necessárias.

Quem desejar colaborar pode contribuir por meio da vaquinha divulgada pela família. Mais do que uma contribuição financeira, cada gesto representa um abraço em uma mãe que luta diariamente para oferecer dignidade, segurança e qualidade de vida à filha.

Porque, para Geni, o maior sonho não é ter uma casa diferente. É apenas ter um lugar onde Elisa possa estar segura, encontrar paz em meio às crises e viver com o conforto que toda criança merece.

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