Há mães que enfrentam noites mal dormidas. Outras convivem com a preocupação constante. Mas existem aquelas que vivem em estado permanente de alerta, sem conseguir desligar por um único instante. É assim a rotina de Geni Farias.
Mãe da adolescente Elisa, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3, Geni convive diariamente com uma realidade que poucas pessoas conhecem de perto: crises intensas, hiperatividade extrema e o medo constante de que a filha se machuque.
A menina simplesmente não consegue parar. "Ela anda o tempo todo. O pezinho dela chega a ficar esfolado de tanto caminhar. Ela não consegue sentar, não consegue descansar. A hiperatividade não permite", conta a mãe.
Dentro de casa, as marcas dessa luta estão por toda parte. A porta do quarto e vidros já foram quebrados durante as crises. Geni carrega no próprio corpo os arranhões de inúmeras tentativas de proteger a filha. Elisa também acaba se machucando, muitas vezes sem perceber o risco ao seu redor.
Cada móvel representa um possível perigo. Cada crise exige força física, equilíbrio emocional e um amor que parece não conhecer limites. Mesmo exausta, Geni continua.
"Não é fácil expor nossa vida dessa forma. Mas eu faria qualquer coisa para conseguir oferecer um lugar onde minha filha possa viver com mais conforto e segurança."
Foi dessa necessidade que nasceu a campanha para construir um quarto sensorial especialmente adaptado para Elisa. A ideia vai muito além de decorar um ambiente. O objetivo é criar um espaço seguro, onde ela possa se regular durante as crises, reduzir a sobrecarga sensorial e encontrar conforto quando tudo ao seu redor parece intenso demais.
