Cultura

Janotas tocam juntos em Andradina em única apresentação

Um encontro para ficar na história musical de Andradina.

Andradina - Hugo Leonardo – Hoje Mais Andradina
03/07/19 às 11h24
(Arquivo Pessoal)

Um encontro para ficar na história musical de Andradina. O “Janotas” tocarão juntos pela primeira vez em 31 anos e a data não o poderia ser a melhor, dia 13 de julho, o Dia Internacional do Rock. Fortuitamente o dia também é aniversário de Norival Nunes um dos integrantes da banda que fez sucesso em Andradina desde os anos 60.

O evento acontece em uma parceria com a Revista Fala! e a Cervejaria Império à partir das 21 horas no Gran Luxe, ao lado do Restaurante Vila Verde. O número de mesas são limitadas e podem ser reservadas pelos fones/whatts 018 996127422 e 018 996084320.

Além do show do Janotas, participações especiais serão anunciadas. Cada mesa terá uma tábua de frios e caldos variados fecharão a madrugada.  

Histórico do grupo, por Norival Nunes

(arquivo pessoal)
(Arquivo Pessoal)

Os Janotas nasceram de uma dissidência do Positivo e do Norival que saíram do Conjunto Gold Star, em 1964, para formar um novo conjunto onde gostariam de tocar músicas dos anos 60’s, rocks, Beatles, Rolling Stones, mas também Bossa Nova e MPB que então surgia.

Os primeiros ensaios foram na casa do Luiz Afonso Prado (Mosca), no subsolo de onde é hoje a residência do Barbosa da Imobiliária. O próprio Luiz Afonso improvisou uma bateria, o Tom (cuja mãe, D. Gertrudes era professora de piano), comprou um contrabaixo e começaram.

Logo em seguida convidamos o Vilmar Barbaroto para fazer a guitarra base, e em seguida o Carlos Alberto (Carlão de Murutinga) para o Sax tenor.

O nome Os Janotas veio por inspiração da Sra. Maria Cecília Meireles Ortiz, esposa do então Juiz de Direito de Andradina, Dr. Carlos Alberto Ortiz, grande incentivador da formação do Grupo. O nome Janotas foi no sentido de “almofadinha”, daí até o primeiro uniforme do Grupo. Então, no final de 1964 para 1965 começaram a se apresentar em público, sendo que o primeiro baile do conjunto foi no ATC, com a seguinte formação: Positivo, Norival, Tom, Vilar e Carlão. Embora nessa apresentação o Tiãozinho se apresentou com o conjunto, na verdade era por estar em férias já que estudava em São Manoel, onde tinha um conjunto.

(Arquivo Pessoal)

A esse Grupo depois se junto o “Françoaise” (Françuá), com o Acordeon, já que não era comum na época, a não ser os grandes grupos, o uso de teclado, como se vê hoje.

Essa formação ficou durante todo ano de 1965 e um episódio hoje pitoresco, mas na época muito grave (sem consequências, porém), foi que no mês de julho de 1965, na volta do Araçatuba Club, onde fizemos um baile num domingo, o Luiz Afonso que sempre dirigia a Kombi que era nosso transporte oficial, não pode ir e o Carlos Alberto, sax, que nunca dormia nas viagens, na Rodovia Marechal Rondon, entre Mirandópolis e Guaraçaí, acabou dormindo e capotamos e Kombi caindo numa “ribanceira” de aproximadamente 7 metros, sendo que ninguém teve qualquer arranhão. Madrugada, tudo escuro, fomos saindo um a um e subindo para a rodovia, onde só apareceu socorro por volta das seis da manhã.

No final de 1965, resolvemos acabar com o Grupo e eu mesmo fui para São José do Rio Preto ser contador de uma empresa do Sr. Norberto Vicente, onde, por motivos pessoais, fiquei menos de um mês, voltei e formamos o novo Os Janotas.

Também pitoresco, no último baile de 1965, foi a formatura do Tiãozinho e do Realino em São Manoel.

Durante o baile, um irmão do Tiãozinho brigou no Clube, viralizou (como diriam hoje), e entre cadeiradas e outros procedimentos típicos de briga em baile, o Alcione que já se integra no Grupo, começou a tomar a música “Piston” de Gafieira. . .foi uma risada geral e acabou a briga.

Numa nova formação em 1966, saindo o Vilmar veio para Os Janotas o Realino, guitarra base e o Tiãozinho, ambos que eram da Banda Agroboys de São Manoel (Escola Agrícola).

Ficou então: Tiãozinho voz e rítmo, Realino, Alcione sax tenor e Carlão Sax barítono, Tom contrabaixo, Norival guitarra solo e voz, Positivo bateria, e saindo também o Françoaise.

Depois saiu o Carlos Alberto e quase todo ano de 1966 a formação, principal e que fez muito sucesso, graças à competente orientação musica do Alcione, foi: Norival, Positivo, Alcione, Tom, Realino e Tiãozinho, sendo diretor e empresário, o Juvenal Teixeira.

O último baile de Os Janotas em 31/12/1966 foi na cidade de Itararé, divisa com o Estado do Paraná, um Reveignon, e foi o fato pitoresco, prá rir hoje mas no dia foi quase desastroso. Era o Baile mais caro de toda trajetória do Grupo.

Bom, todos sabiam que o Alcione gostava de beber um pouco mais da conta, e eu tentava segurar na distribuição do chamado “consumação”, fichas que os organizadores dos bailes davam aos músicos para gastar durante o baile.

Éramos seis músicos, a aparelhagem toda na época não chegava a 5% de um bom som de hoje.

Por volta da uma da manhã o Alcione estava “apagado” numa saleta ao lado do Palco; por volta de duas da manhã o aparelho de som do Realino “pifou”.

E das duas da manhã até às quatro, fizemos um BAILE DE REVEILLON apenas Norival na Guitarra e voz, Tiãozinho na voz, Positivo na Bateria e Tom no Contrabaixo...O show era o Alcione. . .

Terminado o Baile, os organizadores chegaram ao Norival, Positivo e Juvenal Teixeira, então diretor e “chauffeur” de nosso transporte, então uma Perua Rural Willys, ofereceu uma quantia equivalente a 70% do valor contratado do baile, e nos recomendando que saíssemos logo dali pois tinha muitos diretores e dançarinos muito nervosos com o fato. . .

Saímos rapidamente, e pouco mais de 5 km de Itararé, voltando, por volta de 5:00 horas da manhã “apaga” a bateria da perua Rural. . .

Primeiro de janeiro de 1967, numa estrada escura, e tivemos que aguardar amanhecer o dia, o Juvenal conseguiu uma carona, voltou para a cidade para tentar resolver o problema...

O dia amanheceu, o sol saiu, não tinha uma única sombra para nos escondermos do sol ardente, fome e sede. . .

Por volta das 15:00 horas passou um caminhão da AILIRAM, fábrica de doces de Marília, voltando, e a única coisa que tinham para nos oferecer era “Pão de Mel”, doce. . .e a sede judiando.

O Juvenal chegou pouco depois, nunca mais quis comer pão de mel, e foi nossa última experiência em ser músicos de Banda...

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