As frentes parlamentares do Empreendedorismo e da Agropecuária anunciaram nesta sexta-feira (1º) a adesão ao chamado Parcelo Sim!, movimento que apoia o parcelamento sem juros no cartão de crédito e foi criado por entidades do varejo e de defesa do consumidor.
A ação é uma resposta às mudanças propostas pelo Banco Central, de diminuir o número de parcelas e aplicar juros em compras no cartão de crédito. Em menos de dez dias do lançamento do Parcelo Sim!, o abaixo-assinado criado pelo movimento já conta com mais de 120 mil assinaturas digitais, feitas no site parcelosim.com.br .
Diversos órgãos já se posicionaram a favor das compras parceladas sem juros, como a Frente Parlamentar do Comércio e a Associação Comercial de São Paulo.
Atualmente, de acordo com dados da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nove em cada dez varejistas no Brasil adotam o parcelamento sem juros. Outro levantamento, do Instituto Locomotiva, diz que quase 115 milhões de brasileiros só conseguiram conquistar seus sonhos por meio de compras parceladas.
O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente de Empreendedorismo, que conta com mais de 200 parlamentares, classifica a limitação das parcelas nas compras de uma “tragédia”. “Nós, defensores desse setor fundamental da economia no Parlamento, não vamos aceitar qualquer mudança nessa modalidade de pagamento”, declara.
A opinião é compartilhada pelo deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da bancada ruralista, com mais de 300 integrantes, entre senadores e deputados federais. “A população e seus representantes aqui no Congresso não vão permitir que mexam no parcelamento sem juros”, afirma.
O movimento Parcelo Sim! é de natureza apartidária e foi lançado na terça-feira (28) com o objetivo de sensibilizar autoridades políticas do Executivo e Legislativo para impedir a aplicação de juros no parcelamento pelo cartão de crédito.
Entenda
A possibilidade de limitar o parcelamento sem juros foi mencionada pela primeira vez pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em audiência no Senado em agosto. Desde então, diversas entidades têm criticado a ideia, como a Associação Brasileira de Internet (Abranet), pois, segundo ela, "as compras parceladas são o motor do consumo no Brasil [50% do volume de cartões, que atinge R$ 1 trilhão ao ano, o equivalente a 10% do PIB]".
