As investigações da Polícia Civil de Araçatuba (SP) que resultaram na operação “Ponto de Apoio”, deflagrada nesta sexta-feira (21), apontam que o esquema usado para burlar os bloqueadores de sinal de celular na penitenciária de Valparaíso seria o embrião de um projeto que o PCC (Primeiro Comando da Capital) pretendia estender em outros presídios do Estado.
Nesta manhã foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, todos em Valparaíso, onde foram desativadas 4 casas de apoio para comunicação entre integrantes da facção. Também foram apreendidos 13 radiotransmissores de frequência e 171 celulares, dos quais, 153 estavam em um único imóvel.
A ação foi coordenada pela DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Gerais), sob o comando do delegado coordenador José Abonízio, que concedeu entrevista à imprensa. A ação envolveu 70 policiais civis e foram utilizadas 18 viaturas, resultando em sete pessoas ouvidas, com uma prisão em flagrante por tráfico de drogas, e oito boletim de ocorrência registrados.
Foram apreendidos 13 radiotransmissores de frequência, 11 baterias para esses rádios, 171 celulares, uma balança de precisão, uma porção de maconha, uma munição, vários comprimidos de estimulante sexual e tubos plásticos para fracionar cocaína.
Fora do ar
Segundo o delegado, a investigação teve início em junho, pela delegacia de Valparaíso, a partir de denúncia de tráfico de drogas em alguns pontos da cidade. Com a identificação dessas casas de apoio a partir da apuração da denúncia, a investigação passou a ser coordenada pela DIG/Deic.
A investigação apontou que após a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) instalar sistema de bloqueadores de sinal de celular no presídio de Valparaíso, os presos foram impedidos de se comunicar com o lado externo, o que eles descrevem como estar “fora do ar” , segundo o delegado.
Segundo a polícia, para manter a comunicação dos membros da facção que estão presos com o meio externo, a organização criminosa passou a utilizar os radiocomunicadores, por meio das bases de apoio que foram desmontadas hoje.
“Essas casas funcionavam como uma extensão do braço da facção. De maneira rotativa os integrantes se revezam na condução de aparelhagem de telefonia, que visava a comunicação dos presos com o exterior, sem necessitar dos celulares”, explicou Abonízio.
Apoio
O delegado explicou que essas casas de apoio funcionavam como uma extensão do braço da facção. Em cada uma delas havia pessoas com HTs, que são os radiotransmissores de frequência, que não tem o sinal bloqueado. De maneira rotativa, os integrantes se revezavam na condução de aparelhagem de telefonia, com a missão de manter a comunicação dos presos com os integrantes que estão em liberdade.
Os imóveis eram alugados por tempo determinado e os operadores recebiam salário, alimentação e “trabalhavam” no sistema de turnos, havendo quem fizesse a rendição para que pudessem descansar. Por serem casas comuns, não levantavam qualquer tipo de suspeita, segundo a polícia.
Ainda de acordo com o que foi informado, alguns dos investigados já eram conhecidos da polícia, mas durante a operação foram identificadas pessoas que não haviam aparecido nas investigações. Não foi informado quantas pessoas integravam o esquema, para não atrapalhar as investigações.
Porém, de acordo com ele, várias pessoas podem ser responsabilizadas no decorrer do inquérito. O crime principal é organização criminosa, mas outros podem ser identificados no decorrer da investigação.
