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Alunos de Engenharia Mecânica do Unisalesiano desenvolvem misturador de pós para a Farmácia-Escola

Misturador desenvolvido pelos estudantes é totalmente automatizado e possui controle remoto para acionamento

Unisalesiano
06/10/26 às 09h50
Foto: Divulgação

Uma necessidade identificada na Farmácia-Escola do Unisalesiano de Araçatuba (SP) se transformou em projeto acadêmico e, posteriormente, em um equipamento desenvolvido por acadêmicos do Curso de Engenharia Mecânica. O grupo criou um misturador de pós automatizado, destinado à homogeneização de diferentes compostos utilizados nas atividades práticas da Farmácia.

O projeto foi desenvolvido no segundo semestre de 2025, quando os alunos cursavam o 6º termo de Engenharia Mecânica, como atividade da disciplina Elementos de Máquinas II, sob orientação do professor, Fernando Eguia. Atualmente no 8º termo, os alunos concluíram a entrega do protótipo ao curso de Farmácia neste ano.

De acordo com Eguia, a proposta da disciplina é estimular os acadêmicos a desenvolverem soluções para necessidades reais identificadas em empresas, na universidade ou na comunidade. “Os alunos devem escolher um tema que, geralmente, tenha origem em uma necessidade de equipamento. Neste caso, o grupo conversou com a professora responsável pela Farmácia Escola, Fátima Sato, e verificou que o equipamento atenderia a uma necessidade do desenvolvimento prático de uma disciplina do curso ” , explica.

A partir da identificação da demanda, os estudantes realizaram pesquisas, elaboraram a fundamentação teórica, analisaram soluções existentes e, posteriormente, iniciaram o desenvolvimento do projeto. A etapa envolveu cálculos, desenhos técnicos, escolha de materiais e montagem do protótipo.

Ao final, os alunos apresentaram o trabalho e entregaram o equipamento ao curso de Farmácia, transformando o projeto acadêmico em uma solução que poderá ser utilizada nas atividades de ensino.

Foto: Divulgação

Controle remoto

O misturador desenvolvido pelos estudantes é totalmente automatizado e possui controle remoto para acionamento. O equipamento permite colocar diferentes compostos em recipientes para que sejam misturados de maneira padronizada, antes do processo de encapsulamento.

Segundo o coordenador dos Cursos de Engenharia Elétrica, Mecânica e Mecatrônica do Unisalesiano, Nelson Hitoshi Takiy, a automação contribui para alcançar um nível de homogeneidade que seria difícil obter manualmente. “O processo, por ser automatizado e operado por motor elétrico, proporciona uma mistura com 100% de eficácia, o que manualmente é quase impossível de alcançar no mesmo nível de homogeneidade” , afirma.

Embora existam equipamentos semelhantes disponíveis comercialmente, o custo de aquisição pode ser elevado. Nesse contexto, o protótipo desenvolvido pelos estudantes apresenta-se como uma alternativa adequada às necessidades da Farmácia Escola. “Existem no mercado equipamentos desse tipo para venda, mas com um custo alto para aquisição. Este aparelho, desenvolvido pela equipe de alunos da Engenharia, atende perfeitamente ao propósito da Farmácia-Escola” , explica Nelson.

Tecnologia

Para a coordenadora do Curso de Farmácia, Ana Carolina Frade Gomes, o equipamento representa um importante recurso para as atividades práticas de Tecnologia Farmacêutica e para o ensino das boas práticas de manipulação. “O misturador de pós é um equipamento importante especialmente para o ensino de Tecnologia Farmacêutica e das boas práticas de manipulação. Ele permite homogeneizar diferentes pós de maneira padronizada, favorecendo a distribuição uniforme dos componentes de uma formulação” , destaca.

Segundo a coordenadora, a homogeneização é fundamental para garantir a qualidade das formulações, uma vez que contribui para que cada porção do medicamento contenha a quantidade adequada de princípio ativo. Além da aplicação prática, Ana Carolina destaca a integração entre diferentes áreas do conhecimento proporcionada pelo projeto. “Outro ponto em destaque é a integração do curso de Farmácia com a Engenharia, que são áreas distintas, mas podem, juntas, trabalhar para servir e atender às necessidades do ser humano” , afirma.

Resolução de demanda

De acordo com Fernando Eguia, a experiência permite aos estudantes percorrerem todas as etapas de desenvolvimento de um equipamento, desde a identificação de uma necessidade até a construção do protótipo. O trabalho envolveu pesquisa, fundamentação teórica, análise de soluções existentes, cálculos de engenharia, elaboração dos desenhos, definição dos materiais e montagem. Dessa forma, os conhecimentos trabalhados em sala de aula foram aplicados na resolução de uma demanda concreta da instituição.

Na opinião dos estudantes envolvidos, o projeto também representou uma oportunidade de aplicar, na prática, conhecimentos desenvolvidos ao longo da graduação. É o caso de Gabriel Botoni Ferreira, atualmente no 8º termo de Engenharia Mecânica e integrante da equipe responsável pelo protótipo. Para ele, acompanhar a transformação da ideia em um equipamento funcional foi uma experiência significativa.

“Foi uma experiência muito gratificante, principalmente por poder colocar em prática conhecimentos que aprendemos na Engenharia Mecânica e, ao mesmo tempo, desenvolver algo que pode facilitar o trabalho do pessoal da Farmácia. Foi muito bacana ver a ideia saindo do papel e ver nosso projeto funcionando” , afirma.

Já a acadêmica Danielle Genaro, do 8º termo de Engenharia Mecânica, o projeto proporcionou a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos durante a graduação e o contato com diferentes etapas do desenvolvimento de um equipamento. “Participar desse projeto foi muito importante para mim, principalmente pela oportunidade de colocar em prática conhecimentos que aprendemos durante a Engenharia Mecânica. Tivemos contato desde a ideia inicial e a modelagem até a fabricação, montagem e testes do equipamento” , relato.

Integração

A aluna também destacou a integração com a Farmácia e que o mais interessante foi perceber que a Engenharia Mecânica pode contribuir diretamente com outras áreas. “Foi uma oportunidade de aprender, trabalhar em equipe e entender como os conhecimentos da faculdade podem ser aplicados na criação de uma solução real” , completa.

Por fim, o Pró-Reitor de Ensino, Pesquisa e Pós-Graduação do Unisalesiano, Prof. André Ornellas, comenta que iniciativas como essa aproximam a formação acadêmica das necessidades concretas encontradas no cotidiano profissional, além de estimular a integração entre diferentes áreas do conhecimento.

"Projetos como este mostram a importância de uma formação que vai além da sala de aula, permitindo que os estudantes coloquem seus conhecimentos em prática e desenvolvam soluções para necessidades reais. A integração entre Engenharia e Farmácia também demonstra como diferentes áreas podem trabalhar de forma conjunta em benefício da comunidade acadêmica e da sociedade” , conclui.

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