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Unisalesiano avança na pesquisa clínica e coloca Araçatuba no mapa mundial de estudos oncológicos

Centro de Pesquisa Clínica Dom Bosco, criado por meio do Curso de Medicina, em parceria com a Santa Casa de Araçatuba, foi considerado apto para conduzir estudos clínicos internacionais

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05/02/26 às 09h26
Foto: Divulgação

Araçatuba (SP) acaba de dar um passo histórico na área da saúde e da ciência. O Centro de Pesquisa Clínica Dom Bosco, criado com apoio do Unisalesiano, por meio do Curso de Medicina, e em parceria com a Santa Casa de Araçatuba, foi oficialmente considerado apto para conduzir estudos clínicos internacionais, colocando a cidade ao lado de grandes centros de pesquisa do Brasil e do mundo.

O centro é liderado pelos médicos Wolney Barreto, hematologista, e Igor Precinotti, infectologista, e tem a coordenação da enfermeira, Andreza Bernardi Marques, contando ainda com a atuação da hematologista e subinvestigadora, Mariana Stucchi Urazaki. Todos integram o corpo docente do Curso de Medicina do Unisalesiano, sendo que os médicos Wolney e Igor acumulam mais de uma década de experiência em pesquisa clínica em centros de excelência, como a USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto e a Unifesp – Escola Paulista de Medicina.

“Os centros de pesquisa clínica são responsáveis por testar, em seres humanos, novas terapias e medicamentos, sempre seguindo protocolos rígidos de segurança e ética. É assim que a ciência avança e que tratamentos inovadores chegam aos pacientes” , explica Wolney.

Após a implantação do Curso de Medicina, o Centro de Pesquisa Clínica Dom Bosco começou a ser estruturado em 2020 e, ao longo de cerca de três anos, passou por um rigoroso processo de organização técnica, capacitação de equipe e adequação de fluxos, sempre com o suporte institucional do Unisalesiano.

“Para que um centro seja escolhido por patrocinadores nacionais e internacionais, ele precisa demonstrar capacidade técnica, qualidade de dados e processos comparáveis aos melhores centros do mundo. Esse reconhecimento mostra que atingimos um nível de excelência internacional” , destaca Igor.

No ano passado, o centro passou a receber visitas de patrocinadores — como são chamadas as indústrias farmacêuticas responsáveis pelos estudos — e foi oficialmente aprovado para conduzir dois grandes estudos clínicos, ambos voltados a doenças onco-hematológicas.

Leucemia

Um dos estudos, já em fase de início, é voltado ao tratamento da leucemia linfocítica crônica, o tipo mais comum de leucemia em idosos. A pesquisa avalia a eficácia e a segurança de uma nova molécula inovadora, comparada ao melhor medicamento atualmente disponível no mercado — que, no entanto, não é oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

“Estamos falando de pacientes que, muitas vezes, já esgotaram as opções terapêuticas disponíveis. Ao ingressar no estudo, eles passam a ter acesso gratuito a tratamentos de ponta, com acompanhamento rigoroso e padrão internacional” , explica Wolney.

Segundo ele, os pacientes incluídos na pesquisa recebem, no mínimo, a melhor terapia já existente no mercado ou, alternativamente, uma nova medicação que pode se mostrar ainda mais eficaz. “É um ganho para todos: para o paciente, que recebe um tratamento de excelência; para o SUS, que deixa de arcar com esse custo; e para a ciência, que avança no desenvolvimento de novas terapias” , reforça.

O estudo é multicêntrico internacional, com participação de centros da Europa, Austrália, Estados Unidos e Brasil. No Estado de São Paulo, apenas três instituições foram aprovadas para conduzi-lo: a USP-SP, o Hospital Nove de Julho e o Centro de Pesquisa Clínica Dom Bosco, em Araçatuba.

“Isso mostra que a qualidade do que é feito aqui é comparável aos maiores centros do país e do mundo. O que realizamos em Araçatuba é exatamente o que é feito em hospitais da França, dos Estados Unidos ou da Austrália” , ressalta Igor.

As amostras dos pacientes, por exemplo, são enviadas para laboratórios globais, incluindo centros na Alemanha, garantindo padronização internacional na análise dos dados.

Integração

A pesquisa clínica está integrada à estrutura da Santa Casa de Araçatuba, especialmente ao setor de oncologia, onde os pacientes já realizam seus tratamentos. Para os médicos, essa proximidade é fundamental.

“Pesquisa clínica precisa estar onde o paciente está. E a Santa Casa, por meio de seu provedor, Dr. Éverton Santos, e do Superintendente, Fabiano Ferreira de Paula, foi extremamente aberta e parceira desde o início, entendendo a importância científica, assistencial e social desse projeto” , afirma Wolney.

Os pesquisadores também destacam o papel decisivo do CEP (Comitê de Ética em Pesquisa) do Unisalesiano, reconhecido pela agilidade e seriedade na análise dos estudos. “A burocracia é um dos maiores desafios da pesquisa no Brasil. Ter um CEP eficiente faz toda a diferença para que possamos participar de estudos competitivos no mesmo tempo do que acontece fora do Brasil” , explica Igor.

Com a aprovação oficial dos primeiros estudos, o Centro de Pesquisa Clínica Dom Bosco entra agora em uma nova fase: a do recrutamento de pacientes e da execução prática dos protocolos internacionais. O estudo sobre leucemia linfocítica crônica terá um período de recrutamento de aproximadamente um ano, com pacientes de Araçatuba e de toda a região.

“Agora estamos finalizando as etapas regulatórias, ativando os sistemas internacionais e iniciando o recrutamento. Todo o processo é rigorosamente ético, com termo de consentimento e acompanhamento contínuo do paciente enquanto houver benefício clínico” , explica Wolney.

Além desse protocolo, o centro já foi selecionado para um segundo estudo, voltado ao tratamento do mieloma múltiplo, outra doença onco-hematológica de alta complexidade. A expectativa é que a visita de iniciação desse novo estudo ocorra a partir de abril.

Responsabilidade

Para Igor Precinotti, o crescimento será sempre guiado pela responsabilidade científica. “A pesquisa clínica depende da qualidade dos dados. Por isso, nossa decisão é crescer com cautela, garantindo excelência em cada estudo. Só abrimos novos protocolos quando temos certeza de que conseguiremos manter o padrão internacional que nos trouxe até aqui” , afirma.

Os próximos passos incluem ainda a capacitação contínua da equipe técnica, a ampliação gradual das áreas de pesquisa — como tumores sólidos e infectologia — e a consolidação da presença do centro na oncologia da Santa Casa, que contará com salas exclusivas para pesquisa clínica após a ampliação do setor por meio da revitalização que está sendo feita no CTO (Centro de Tratamento Oncológico), com recursos do Curso de Medicina do Unisalesiano.

“A pesquisa melhora a assistência. Tudo o que trazemos em termos de protocolos, certificações e qualidade acaba beneficiando todos os pacientes, inclusive os que não participam diretamente dos estudos” , reforça Wolney.

Ensino médico

A médio e longo prazo, o projeto também fortalece o ensino médico, abrindo caminho para que acadêmicos do Curso de Medicina do Unisalesiano tenham contato com a pesquisa clínica, uma realidade ainda restrita a poucas instituições do país. “Estamos construindo algo sólido, que impacta o presente dos pacientes e o futuro da medicina na nossa região” , frisa.

Para o Pró-Reitor de Ensino, Pesquisa e Pós-Graduação do ensino médico, Prof. Dr. André Ornellas, o reconhecimento do Centro de Pesquisa Clínica Dom Bosco representa a consolidação de um projeto acadêmico-científico de longo prazo.

“Esse avanço reafirma o compromisso do Unisalesiano com a produção de conhecimento de impacto real na vida das pessoas. Não se trata apenas de pesquisa de alto nível, mas de uma ciência que nasce integrada ao ensino, à ética e à responsabilidade social. Ver Araçatuba inserida no cenário mundial da pesquisa oncológica mostra que é possível fazer ciência de excelência fora dos grandes centros, quando há planejamento, investimento institucional e profissionais altamente qualificados” , conclui.

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