Cotidiano

Como um simples teste de saliva feito em casa pode ajudar a identificar o câncer de próstata

Estudo britânico aponta que exame baseado em DNA é mais preciso que teste de sangue na detecção precoce de tumores agressivos.

Internacional|Do R7
11/04/25 às 18h47
Teste de saliva pode ser mais preciso na identificação de riscos ao câncer de próstata Divulgação/Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres

Um teste de saliva que pode ser feito em casa está sendo apontado como uma  revolução na detecção precoce do câncer de próstata , segundo um novo estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres (ICR), no  Reino Unido .

A pesquisa sugere que esse exame, baseado na análise de DNA, é mais eficaz na identificação de homens com maior risco de desenvolver tumores agressivos do que o tradicional exame de sangue PSA (antígeno prostático específico), amplamente utilizado hoje em dia.

Assim como no Reino Unido, o câncer de próstata é o  segundo tipo de câncer mais incidente na população masculina no Brasil , atrás apenas dos tumores de pele não melanoma.

Em uma avaliação com 6.142 homens europeus entre 55 e 69 anos – faixa etária em que o risco da doença aumenta –, os cientistas descobriram que o método identifica com maior precisão quem realmente precisa de exames adicionais, como ressonância magnética e biópsia.

Entre os 10% dos participantes com os maiores riscos de câncer, 40% foram diagnosticados com câncer de próstata após exames complementares. Desses casos, 55,1% eram de tumores agressivos – aqueles que crescem rapidamente e podem se espalhar.

Em comparação, o teste PSA, utilizado atualmente, detecta apenas 25% de casos reais entre homens com riscos de desenvolver a doença. Apenas 35,5% desses casos são agressivos.

“Com este teste, será possível reverter a situação do câncer de próstata”, disse a professora Ros Eeles, líder da pesquisa, em entrevista ao The Guardian. “Podemos identificar homens com risco de câncer agressivo que precisam de mais exames e poupar os de menor risco de tratamentos desnecessários”.

Eeles disse que o exame de saliva é simples, barato e pode ser coletado em casa, o que aumenta a acessibilidade do método.

Como funciona o teste

O teste de saliva não procura sinais diretos de câncer no corpo, como tumores ou proteínas específicas. Em vez disso, ele analisa o DNA presente na saliva para identificar se uma pessoa tem maior risco genético de desenvolver câncer de próstata no futuro.

O passo-a-passo do método é o seguinte:

  • Coleta da saliva:  a pessoa coleta uma pequena amostra de saliva em casa, usando um kit simples, e a envia para análise em um laboratório;
  • Análise do DNA:  no laboratório, os cientistas extraem o DNA da saliva e examinam 130 variações específicas no código genético (chamadas de variantes genéticas). Essas variações são conhecidas por estarem associadas ao câncer de próstata;
  • Cálculo do risco:  com base nessas variantes, é gerado um escore de risco poligênico (PRS), que é como uma pontuação. Quanto mais variantes de risco uma pessoa tiver herdado, maior será seu escore, indicando que ela tem uma predisposição genética maior para desenvolver a doença;
  • Triagem direcionada:  os homens com os escores mais altos são encaminhados a exames mais detalhados, como ressonância magnética ou biópsia, para confirmar se já têm câncer ou monitorar a possibilidade de desenvolvê-lo.

Limitações do PSA

O exame de PSA, padrão no Sistema Nacional de Saúde britânico (NHS) e usado em muitos países, mede os níveis de uma proteína no sangue que pode indicar câncer. No entanto, ele é impreciso.

Três em cada quatro homens com PSA elevado não têm a doença, e o teste frequentemente detecta tumores de crescimento lento que não representam risco à vida. Isso leva a exames invasivos e tratamentos desnecessários, com efeitos colaterais como incontinência urinária e disfunção sexual.

Já o teste de saliva mostrou resultados promissores ao reduzir falsos positivos e identificar casos que o PSA e até a ressonância magnética deixariam passar.

Dos 187 homens diagnosticados no estudo, 63,1% tinham níveis de PSA considerados normais (abaixo de 3,0 ug/L), o que indica que eles não teriam sido encaminhados para exames adicionais se tivessem passado pelo método tradicional.

Apesar dos avanços, especialistas alertam que ainda não há provas de que o teste salve vidas, e a adoção rotineira dele pode levar anos. “Precisamos monitorar esses homens a longo prazo para entender se o rastreamento baseado em risco genético realmente reduz mortes”, disse Eeles.

Por enquanto, o teste é visto como uma ferramenta complementar ao PSA, com potencial para transformar o diagnóstico precoce.

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