Cotidiano

Educação infantil: quais são as principais características da vida escolar de crianças superdotadas?

Psicóloga Leninha Wagner comenta verdades e mitos sobre crianças com habilidades especiais como Gustavo Saldanha, o brasileiro mais novo a entrar para sociedade de gênios

H+Andradina

18/01/22 às 15h16
Gustavo Saldanha

A vida escolar das crianças é repleta de desafios a serem superados individualmente. Quando os pequenos apresentam a superdotação, podem surgir novas necessidades que merecem receber atenção adequada para um desenvolvimento satisfatório. Existem diversos mitos que rondam a ideia de ‘superdotação’, como o pensamento de que crianças superdotadas devem ser boas em todas as matérias escolares. "Às vezes, crianças superdotadas têm um desenvolvimento ‘desarmônico’. Isto é, podem ser excelentes em determinadas áreas do saber e pouco desenvolvidas nas habilidades sociais, ou apresentar menor interesse, ou pouca habilidade em outros domínios”, explica a psicóloga Leninha Wagner .

De acordo com Luciane Saldanha, mãe de Gustavo Saldanha , o brasileiro mais novo a entrar para a Mensa, uma sociedade para pessoas de alto QI, tem sido um desafio explicar as particularidades do caso do pequeno após a repercussão. “As altas habilidades demonstradas até o momento são em conteúdos não curriculares, extracurriculares ou mesmo complementares. O Gustavo demonstra uma habilidade superior, para a idade, na área da música, tecnologia e tudo o que envolve as telecomunicações. Esses conteúdos, normalmente, são pouco explorados nas escolas na educação regular, então seria mais difícil de ser percebido durante o dia a dia na sala de aula”, detalha.

De acordo com Leninha Wagner, existem sinais importantes que podem ser observados na escola em casos de superdotação como facilidade de concentração; autonomia; interesse por áreas e tópicos diversos; iniciativa e liderança; vocabulário avançado e riqueza de expressão verbal; habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas e perceber a discrepância entre ideias; facilidade de interagir com crianças mais velhas ou com adultos; interesse por livros; e criação de meios pessoais para resolução de problemas. Luciane Saldanha pôde perceber algumas dessas características durante o período de ensino remoto de seu filho. “Quando algo realmente desperta sua atenção, o grau de dedicação é impressionante, inspirador até para nós adultos, pois ele não desiste facilmente, ou melhor, raramente desiste”, pontua.

Para a psicóloga, uma das tarefas mais árduas que a família e a escola devem trabalhar juntas é a de derrubar mitos sobre a superdotação. “Crianças superdotadas continuam sendo crianças e tendo suas demandas emocionais e educacionais ativas. Os educadores devem estar cientes da condição desse aluno e, diante dessas especificidades, desenvolver projetos e estratégias criativas, inclusive com sugestões trazidas por eles. Para um estudo dinâmico, num modelo ecológico que traga ganhos reais, empíricos e aplicáveis na vida coletiva escolar”, aconselha. “Sempre tentamos mostrar para ele a importância de fazer as tarefas de casa, que podem não ser tão prazerosas, mas são fundamentais para a consolidação do que está sendo aprendido na escola. Também gostamos muito de explicar que há coisas que temos que fazer e outras que podemos escolher se queremos ou não fazer. Até o momento, tem funcionado bem a explicação dessa forma e ele já tem sentido os benefícios no dia a dia”, complementa a mãe de Gustavo.

Sobre Gustavo Saldanha

Nascido em São Paulo, no ano de 2013, Gustavo Arias Saldanha, desde o primeiro momento, era uma criança diferente das outras. Ao passo que Gustavo ia crescendo, uma paixão por música começou a ser percebida pelos pais. Com 5 anos, por conta de uma apresentação escolar, o menino conheceu os Beatles e, no mesmo ano, começou a fazer apresentações cantando ao lado do presidente do Fã Clube Revolution, Marco Mallagoli. Em menos de 1 ano, o repertório de Beatles já englobava mais de 50 sucessos. Gustavo aprendeu a tocar violão rapidamente, começou a estudar guitarra, teclado, bateria, baixo, ukulele e outros instrumentos. Atualmente, o prodígio musical de 8 anos começou a expandir o repertório musical e segue se desenvolvendo rapidamente na quinta arte.

A tecnologia também fascina o menino e a união entre as duas paixões fez com que ele aprendesse a usar sistemas complexos como o Logic Pro, utilizado pelos músicos profissionais. Atualmente, o repertório do pequeno artista já supera mais de 100 músicas. Gustavo também já gravou 4 músicas autorais, se apresentou em Liverpool e já foi notado por grandes nomes da música mundial como John Fogerty, James Taylor, Gerald Alston e Brian Ray. (Divulgação / MF Press Global).

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