No mês do Novembro Azul, que foca na saúde do homem, um tema vem ganhando destaque nas pesquisas neurocientíficas, o papel da testosterona na função cerebral. Muito além de influenciar a força muscular e o desempenho sexual, esse hormônio está diretamente ligado à memória, motivação, foco e estabilidade emocional.
De acordo com o Pós PhD em Neurociências
Dr. Fabiano de Abreu Agrela
, os receptores de testosterona estão distribuídos em áreas estratégicas do cérebro, como o hipocampo e o córtex pré-frontal, regiões essenciais para o aprendizado, a tomada de decisão e o controle das emoções.
“A testosterona influencia a plasticidade sináptica, ou seja, a capacidade do cérebro de criar novas conexões. Ela melhora a velocidade de processamento, o foco e até a clareza mental”, explica.
Queda nos níveis
Nos últimos anos, porém, várias pesquisas vêm apontando uma queda gradual nos níveis médios de testosterona entre os homens, o que preocupa especialistas. O declínio, segundo Dr. Fabiano de Abreu, é multifatorial, ou seja, envolve desde fatores ambientais até mudanças comportamentais.
“A exposição crônica a disruptores endócrinos como o bisfenol A e os ftalatos, o aumento da gordura visceral, o sedentarismo e a privação de sono formam um cenário que contribui para esse declínio hormonal”, detalha.
Essa redução não afeta apenas o corpo. No campo neurofuncional, níveis baixos de testosterona podem modificar circuitos dopaminérgicos, impactando a motivação, o humor e o desempenho cognitivo.
“Estudos longitudinais recentes mostram que até disfunções hormonais leves podem gerar déficits sutis de memória e prejudicar o raciocínio executivo”, acrescenta o especialista.
“A perda de motivação, a dificuldade de concentração e a lentidão mental nem sempre estão ligadas apenas à rotina ou ao cansaço. Em muitos casos, há um desequilíbrio hormonal de fundo a essa situação”, ressalta Dr. Fabiano.
Cérebro e hormônios. Uma relação próxima
Ele reforça que cuidar da saúde hormonal é também cuidar da saúde cerebral. Manter hábitos saudáveis, dormir bem e evitar a exposição a substâncias químicas nocivas são estratégias importantes para preservar os níveis adequados de testosterona.
“O cérebro e o corpo funcionam como um sistema único. Quando um está em desequilíbrio, o outro responde e entender isso é fundamental para a longevidade cognitiva e emocional do homem”, conclui.
