Cotidiano

Solana: o que está mesmo a mudar na rede e por que é que importa

A rede está a passar pela maior renovação técnica da sua história, com dois upgrades simultâneos que mudam não apenas a velocidade do protocolo, mas a sua arquitetura fundamental.

Divulgação
17/07/26 às 13h52

A Solana (SOL) é negociada a cerca de US$ 73 em 22 de junho de 2026, com volume diário de negociação na ordem de US$ 1,8 bilhão e capitalização de mercado superior a US$ 41 bilhões. Quem quiser acompanhar a cotação ao minuto pode consultar a página  solana hoje  da Binance, que agrega dados de mercado em tempo real. Mas o preço, neste momento, é apenas parte da história.

O que torna este período relevante para quem acompanha a Solana é o que está a acontecer por baixo da cotação: a rede está a passar pela maior renovação técnica da sua história, com dois upgrades simultâneos que mudam não apenas a velocidade do protocolo, mas a sua arquitetura fundamental. Entender o que são o Firedancer e o Alpenglow é entender onde a Solana quer estar daqui a dois anos.

O problema que o Firedancer resolve

Desde o lançamento da mainnet em 2020, a Solana sempre operou com um único cliente validador. Na prática, isto significava que um bug grave nesse software tinha o potencial de parar a rede inteira, porque todos os validadores corriam o mesmo código. Foi exatamente isso que aconteceu em várias das interrupções que marcaram os primeiros anos do protocolo.

O Firedancer, desenvolvido pela Jump Crypto e lançado em mainnet a 12 de dezembro de 2025, é um cliente completamente reescrito em C/C++ e independente do código original. Em testes controlados, o novo cliente atingiu mais de 1 milhão de transações por segundo. Mas o número impressionante não é o mais importante: o que muda estruturalmente é que a rede passa a ter dois clientes distintos a correr em paralelo. 

Se um tiver um problema, o outro mantém os blocos a ser produzidos. Em dezembro de 2025, quando a rede foi alvo de um ataque DDoS de aproximadamente 6 terabits por segundo, um dos maiores registados no setor, não houve qualquer interrupção. Os blocos continuaram a ser validados dentro do prazo normal. Mais de 207 validadores já operam com versões do Firedancer, e a migração avança ao longo de 2026.

Alpenglow: o que muda para quem usa a rede no dia a dia

O segundo upgrade é o Alpenglow, e talvez seja o mais difícil de explicar sem recorrer a jargão técnico. A forma mais simples é esta: quando se faz uma transação na Solana hoje, a confirmação visual é rápida, mas a transação só se torna verdadeiramente irreversível ao fim de cerca de 12,8 segundos. É o tempo que a rede demora a atingir o que se chama de finalidade. Com o Alpenglow, esse intervalo desce para 150 milissegundos, menos do que um piscar de olhos.

Para o utilizador comum que faz um swap numa DEX, a diferença pode parecer irrelevante. Mas para aplicações que dependem de confirmações rápidas e definitivas, como plataformas de pagamento, sistemas de trading automatizado ou jogos com ativos on-chain, a distância entre 12 segundos e 150 milissegundos é a diferença entre viável e inviável. O upgrade foi aprovado em setembro de 2025 com 98,27% dos votos favoráveis dos validadores, uma das maiores margens de aprovação em governança descentralizada. Anatoly Yakovenko  confirmou no evento Consensus Miami , em maio de 2026, que o lançamento em mainnet está previsto para o terceiro trimestre deste ano.

O que os números on-chain dizem

Em setembro de 2025, o valor total bloqueado no ecossistema DeFi da Solana ultrapassou US$ 12 bilhões, segundo a DefiLlama. Ao longo de 2025, a rede processou um volume estimado de US$ 11,7 trilhões em transferências de stablecoins, com a USDC da Circle a representar uma parte expressiva desse fluxo. São números que traduzem utilização real da rede, não apenas especulação sobre o preço do token.

No lado institucional, os ETFs de Solana à vista lançados nos Estados Unidos no final de 2025 já ultrapassavam US$ 1 bilhão em ativos sob gestão, com produtos da Bitwise e da Fidelity a liderar em captação. O diferencial de staking, com rendimento anual entre 6% e 7%, tem sido um argumento relevante junto de alocadores que comparam o SOL com o Bitcoin, que não oferece yield nativo. A Binance disponibiliza acesso a staking de SOL diretamente na plataforma, o que simplifica o processo para quem não quer gerir infraestrutura própria.

O que falta confirmar

O lançamento do Alpenglow em mainnet no terceiro trimestre é o evento mais aguardado. Se o calendário se confirmar, será o primeiro grande teste real de um protocolo de consenso completamente novo numa rede com dezenas de milhares de milhões de dólares de valor bloqueado. A execução importa tanto quanto o design: a comunidade Solana sabe que atrasos ou problemas técnicos durante a transição teriam impacto imediato na confiança dos utilizadores e dos investidores institucionais.

Em paralelo, o avanço do CLARITY Act no Congresso americano pode ampliar o leque de entidades autorizadas a oferecer custódia de SOL, o que abriria o ativo a fundos de pensão e seguradoras que  hoje operam com restrições regulatórias. O segundo semestre de 2026 vai responder a perguntas que o primeiro apenas levantou.

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