Economia

Esportes: Quanto de dinheiro eles geram para o Brasil e quanto mais poderiam gerar

Ao falar em esportes no Brasil, a modalidade que vem mais rápido à cabeça é o futebol, considerado paixão nacional e esporte mais praticado do país segundo a revista Superinteressante, estimando mais de 30 milhões de praticantes, mas com a Olimpíada a Tóquio ocorrendo, sempre fica o questionamento de como seria o cenário esportivo se o Brasil investisse tanto em outros esportes, quanto outras potências econômicas mundiais.

H+Andradina
03/09/21 às 14h57
(krisanapong detraphiphat/Getty Images).

INVESTIMENTO MUNDIAL EM ESPORTES

Ao analisar o quadro de medalhas da olimpíada atual e edições anteriores somente a China, que está em 90º, não se encontra nas primeiras posições do ranking de índice de desenvolvimento humano mundial, divulgado em 2015 pela UNICEF, atrás até do Brasil que ocupa a 70ª posição do ranking global. 

Contudo, os países primeiros colocados do ranking de medalhas das olimpíadas tem uma semelhança interessante entre si, investindo no esporte nas escolas e faculdades, como ocorre na China, Estados Unidos e Rússia, com projetos interessantes para crianças e jovens.

ESPORTES NAS ESCOLAS

Uma rápida pesquisa no Google mostra que os países desenvolvidos buscam os atletas logo no início por volta dos 6 a 8 anos, como ocorre na China por exemplo. A criança é selecionada em uma peneira escolar e caso atenda as exigências físicas e tenha interesse no esporte, é convidada a estudar em uma escola completamente voltada ao âmbito esportivo e totalmente custeada pelo governo.

Uma pesquisa feita pelo repórter da TV Globo, afirma que existem 310 escolas esportivas no país e 130 mil chineses frequentam esses centros esportivos.

Nos EUA, em uma escola comum americana, que possui em média 1.800 alunos, a educação física, com uma carga horário sugerida pelo Departamento de Esportes Americano, é matéria obrigatória a todos e em todos os 50 estados, sendo que cerca de 580 adolescentes praticam algum tipo de esporte como extracurricular, representando 32% dos estudantes.

O país conta ainda com as bolsas oferecidas a atletas para frequentarem determinada faculdade, que selecionam os jovens, de acordo com seus programas universitários, para fazerem parte de seus times de esportes. O incentivo àqueles que buscam uma faculdade vai além da possibilidade de não precisar pagar a mensalidade, que gira em torno de R$ 6 mil por mês, mas também o sonho de viver como atleta.

As grandes ligas de esportes americanos e seus números astronômicos, são as que mais chamam a atenção dos futuros atletas e movimentam em média, por ano, mais de US$ 52 bilhões.

Na Rússia, existem 36 escolas voltadas à prática esportiva, específicas para atletas e mantidas pelo governo russo que, diferente da China, não faz a seleção dos alunos/atletas tão cedo, ocorrendo por volta dos 14 anos.

Os alunos que se destacam na seleção, são convidados para passar por avaliações feitas na escola, para verificar aptidões e interesse no esporte. Só depois é decidida a entrada ou não dos jovens na escola.

Até 19 tipos esportivos são praticados nas escolas especializadas espalhadas pelo país, sendo 4 delas em Moscou, a capital e metade dos 320 alunos que estudam no local fazem parte de alguma seleção do país.

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No Brasil, os investimentos em esportes por parte do governo são definidos anualmente. Em 2020, conforme Lei das Loterias, Bolsa Atleta e Lei de Incentivo, o montante girou em torno de R$ 750 milhões, segundo o relatório do próprio governo federal.

Apesar dos incentivos monetários destinados a atletas e os diversos programas do governo que ocorrem nas grandes metrópoles do país, a realidade fora dos grandes centros ainda é bem diferente, uma vez que escolas públicas e até mesmo particulares não dão tanta visibilidade ao esporte.

A falta de investimento superior e incentivos no início, talvez seja um dos grandes motivos de não produzir tantos atletas fora dos grandes centros.

Por falta de estrutura para treinamento, muitos atletas que se destacam no país, são convidados a competir em clubes de fora, em busca de melhores condições de treinamento e maior competitividade.

Segundo levantamento do Comitê Olímpico Brasileiro feito em 2019, mais de 70 atletas da natação e do atletismo fazem treinamentos fora do país, e mais de 300 atletas de 22 modalidades, buscando uma melhor preparação para os jogos Pan-Americanos de Lima em 2019 e Campeonatos Mundiais, foram para o exterior com o suporte do COB.

O FUTEBOL NACIONAL E SUA REALIDADE PARALELA

O futebol brasileiro possui uma realidade diferente dos outros esportes praticados no país. Segundo pesquisa realizada pela Ernst & Young, a pedido da Confederação Brasileira de Futebol, o esporte da bola redonda movimentou mais de R$ 52 Bilhões de reais em 2018, equivalente a 0,72% do PIB do país.

Com 55% desses valores relacionados aos custos para realização de uma partida, com a geração de empregos temporários e os pagamentos de salários fixos de funcionários dos estádios. Estão envolvidos a bilheteria, seguranças, equipe de saúde, iluminação e divulgação no pré jogo. E isso não para apenas por aí.. Tem outros mercados que vão desde o vendedor da pizza no fim do jogo até as casas de apostas que recebem os palpites dos apaixonados pelo esporte. 

Entretanto, o próprio estudo aponta que apenas 1,43% desse valor é destinado ao pagamento de impostos, valor esse muito diferente de outros setores da economia do país, que se dá devido ao tipo de sociedade dos clubes (sem fins lucrativos) o que barateia os impostos.

Segundo o relatório, o país terminou o ano de 2018 com 1769 clubes profissionais, 874 ativos e 895 inativos, sendo 83 destes são geridos como clube-empresa.

“LEGADO OLÍMPICO”

Conforme relatório dos países sede dos jogos olímpicos desde o ano 2000 apontam, todos os orçamentos foram estourados e os gastos foram além do previsto inicialmente.

Em Sydney, foram gastos US$ 6,9 bi mesmo com a previsão de US$ 3,2 bi. No Brasil, vindo de uma copa do mundo no país, as Olimpíadas Rio 2016, planejavam um gasto de US$ 14 Bilhões, entretanto foram gastos US$ 20 bilhões, 6 bilhões de dólares a mais que o previsto originalmente.

Pensando em seus gastos e da população, Estocolmo, na Suécia, desistiu de tentar ser sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2022, por ter outras prioridades, que assim como os jogos de verão os gastos, em geral são mal empregados.

No Rio, apesar dos anos de obras pela cidade toda e a população carioca frustrada pelo caos que se transformou a cidade, houveram melhorias significativas na cidade e nas vias de acesso ao centro da cidade.

Por outro lado, a estação do BRT no Boulevard Olímpico, uma das mais lotadas durante o evento, começou a sentir os sinais da falta de dinheiro e por consequência, o abandono, logo após os Jogos.

O parque olímpico, construído para o evento, tinha planos de se tornar público logo após o término dos Jogos Olímpicos, o que ocorreu somente em 2017, três anos após a conclusão dos jogos, recebendo o Rock In Rio, o que também aconteceu em 2019.

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