Um morador de Andradina, de 48 anos, denunciou ter sido vítima de agressão e humilhação durante uma abordagem policial ocorrida na noite da última quarta-feira (20), enquanto seguia para a faculdade.
Daniel Fernandes da Silva, morador do bairro Vila Esmeralda, registrou boletim de ocorrência e afirma aguardar providências das autoridades para que o caso seja apurado.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Daniel relatou que conduzia seu veículo quando foi abordado por policiais motociclistas da ROCAM. Segundo ele, as motos estariam com as luzes apagadas e a ordem de parada teria acontecido já muito próxima do carro.
“Eu imediatamente parei o veículo. Falei que era PCD, mostrei minha carteirinha”, afirmou.
Daniel contou que possui perda funcional de 75% da perna, artrose degenerativa e utiliza implante femoral com haste metálica. Segundo ele, possui laudos médicos, documentação de Pessoa com Deficiência (PCD) e autorização especial de trânsito.
Ainda conforme o relato, ao ser solicitado para descer do veículo, enfrentou dificuldades de mobilidade e tentou pegar o equipamento que auxilia na sustentação da perna. O morador afirma que os policiais exigiram que ele abrisse as pernas durante a revista, algo que, segundo ele, não consegue fazer devido às limitações físicas.
“Expliquei que não conseguia abrir a perna daquela forma por ser PCD. Foi quando um dos policiais deu um chute justamente na região onde tenho o implante”, declarou.
Daniel afirma que caiu no chão e começou a gritar por socorro devido às fortes dores. Ele disse que uma moradora próxima saiu de casa para tentar ajudar, mas que naquele momento não conseguiu acessar o celular que estava dentro do carro.
Segundo o morador, a esposa, um advogado e familiares foram acionados posteriormente, além do resgate médico. Ele foi encaminhado ao atendimento hospitalar, onde recebeu medicação e permanece afastado das atividades por atestado médico.
“Eles falaram que eu estava fazendo drama. Mas eu estava sentindo muita dor”, relatou.
No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, os policiais relataram que Daniel teria apresentado resistência à abordagem e desobedecido ordens durante a revista pessoal. A ocorrência também menciona que o homem alegava deficiência física e que posteriormente precisou de atendimento médico.
A versão apresentada por Daniel, porém, sustenta que a suposta resistência teria sido, na verdade, consequência direta de sua limitação de mobilidade. Segundo ele, os policiais teriam confundido sua dificuldade física para se posicionar durante a abordagem com resistência à ação policial.
Ainda conforme Daniel, durante a ocorrência ele recebeu voz de prisão por desacato. O morador afirma que decidiu tornar o caso público para pedir investigação sobre a conduta policial e para evitar que outras pessoas passem pela mesma situação.
“As autoridades locais precisam verificar esse fato pela brutalidade. Quero justiça e que outras pessoas não sofram a humilhação que eu sofri”, disse.
O caso deverá ser apurado pelas autoridades competentes. Até o momento, não houve manifestação oficial da Polícia Militar sobre a denúncia apresentada pelo morador.
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