Aos 14 anos, a estudante Isabelli de Nóbrega Mazzin, aluna do 9º ano da Escola JBC, mostrou que sua maior vitória não está apenas nos números que a levaram à medalha de ouro na Olimpíada de Matemática, mas na extraordinária história de superação que construiu ao longo dos últimos anos.
Enquanto muitos adolescentes viviam a rotina escolar normalmente, Isabelli enfrentava desafios que colocariam à prova até mesmo os adultos mais experientes. Diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela precisou passar por um longo período de tratamento médico, ficando cerca de dois anos afastada das aulas presenciais.
Nesse período, sua vida foi dividida entre estudos, consultas, internações e procedimentos cirúrgicos. Ela enfrentou a colocação de uma derivação ventrículo-peritoneal, a retirada de um tumor nasal e, mais recentemente, uma das fases mais difíceis de sua trajetória: uma meningite bacteriana que exigiu novos procedimentos médicos, incluindo a retirada da válvula.
Em diversos momentos, Isabelli esteve internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enfrentando situações delicadas e cercada pela preocupação da família e dos profissionais de saúde. Mas mesmo diante das adversidades, nunca abandonou os estudos.
A cena de seus primeiros passos após a recuperação da meningite, em janeiro deste ano, permanece viva na memória de quem acompanhou sua luta. Foi mais um capítulo de uma história marcada pela coragem, pela persistência e pela vontade de seguir em frente.
Para que o aprendizado continuasse, a escola organizou uma verdadeira rede de apoio. Com o suporte da vice-diretora Valéria e da diretora Márcia Campos, os professores Letícia, Bruno e Luiz passaram a levar as aulas até a casa da estudante, garantindo que ela permanecesse conectada ao conteúdo escolar mesmo durante os períodos mais difíceis.
Ao lado dessa estrutura educacional, Isabelli contou com o amor e o apoio incondicional dos pais, Juliana e Elydio, que estiveram presentes em cada consulta, cada internação e cada etapa da recuperação.
O resultado de todo esse esforço veio em forma de medalha de ouro, mas poderia ser traduzido de outra maneira: determinação. A conquista simboliza a inteligência de uma aluna dedicada, mas também representa a força de uma jovem que se recusou a permitir que a doença definisse seu futuro.
Mais do que uma campeã da Matemática, Isabelli tornou-se um exemplo de resiliência. Sua história prova que existem pessoas que escrevem sua trajetória com coragem, transformando desafios em aprendizado e sofrimento em inspiração.
A medalha de ouro agora ocupa um lugar especial em sua vida. Mas, para quem conhece sua caminhada, a maior conquista já foi alcançada há muito tempo: nunca desistir.
