O Cursinho Popular Paulo Freire, em Andradina, inicia suas atividades no próximo dia 7 de maio já com todas as vagas preenchidas para a edição de 2026. A iniciativa gratuita é voltada à preparação de estudantes para o ENEM e vestibulares, atendendo principalmente alunos da rede pública e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
O projeto é fruto de uma construção nacional ligada ao Ministério da Educação, por meio do programa CEPOPS, articulado em parceria com a APEOESP e o Ministério da Educação. A iniciativa tem sido pautada pela deputada estadual professora Bebel e presidenta afastada da APEOESP, e chegou a Andradina a partir de uma demanda apresentada pela diretora estadual da APEOESP, Cilene Obici.
A partir dessa demanda, lideranças locais passaram a atuar para viabilizar a implantação do cursinho na cidade. “Foi uma construção coletiva. A demanda foi trazida para a subsede e, a partir disso, fomos buscar meios de concretizar o projeto em Andradina”, destacou Cilene.
O cursinho é uma iniciativa que integra uma política educacional mais ampla do MEC, sendo o CEPOPS uma realidade nacional que vem sendo expandida para os municípios com apoio da APEOESP.
Ao todo, são 40 alunos matriculados, incluindo estudantes do Ensino Médio — da primeira à terceira série — além de pessoas que já concluíram os estudos e buscam uma nova oportunidade de acesso ao ensino superior.
Um dos diferenciais do projeto é a oferta de bolsa auxílio no valor de R$ 200 mensais para parte dos participantes. Dos alunos matriculados, 20 foram contemplados com base em critérios sociais, como inscrição no CadÚnico e recebimento de benefícios como o Bolsa Família. O auxílio será pago durante os oito meses de duração do curso.
De acordo com o coordenador geral, Ricardo Silva, a proposta pedagógica segue as diretrizes oficiais da educação. “A gente vai trabalhar com base no Currículo Paulista, alinhado à BNCC e ao que é exigido no ENEM, as diretrizes do INEP. Nosso foco é preparar os alunos com conteúdo direcionado e simulados”, explicou.
As aulas regulares ocorrerão no período noturno, mas o cronograma também prevê atividades com temas transversais em horários diversos, ampliando a formação dos estudantes para além do conteúdo tradicional exigido nos exames.
O presidente do PT de Andradina, Manoel Messias de Almeida, reforça o caráter inclusivo do cursinho. “Podem participar alunos de todas as séries do Ensino Médio e também aqueles que já concluíram. Como é um cursinho popular, há também a possibilidade de alunos ouvintes, desde que estejam cadastrados".
A implantação do projeto enfrentou desafios, principalmente na busca por um espaço adequado. Após articulações, as Faculdades Integradas Rui Barbosa (FIRB) passaram a sediar as atividades, oferecendo estrutura e apoio institucional. “Prontamente, o diretor das FIRB, Benatti disponibilizou a estrutura necessária, nem temos como agradecer a acolhida”, revelou Messias.
A coordenadora pedagógica, Ana Jacob, destacou o esforço coletivo. “Foi um trabalho construído por muitas mãos. Conseguimos um espaço com estrutura e apoio, o que também abre portas para expansão futura".
Além das aulas, os alunos terão acesso a atividades acadêmicas e eventos da instituição, podendo inclusive pleitear bolsas caso ingressem no ensino superior na Firb.
O corpo docente é formado por professores voluntários, muitos com experiência em cursinhos populares. Apesar de receberem ajuda de custo por meio do programa federal, o engajamento vai além da remuneração. “Há professores que são fruto de cursinhos populares e querem retribuir, o que fortalece ainda mais o projeto”, relatou Ricardo.
A equipe também conta com acompanhamento psicossocial, coordenado por Ana Beatriz, com o objetivo de garantir não apenas o acesso, mas a permanência dos alunos ao longo do curso. Segundo ela, houve diferenças na receptividade entre redes de ensino. “A rede particular apresentou maior abertura inicial, enquanto a rede estadual teve mais entraves, principalmente estruturais”, afirmou.
O cursinho reúne alunos de diversas escolas de Andradina, como Álvaro Guião, JBC, Augusto Mariani e Alice Marques, reforçando seu caráter abrangente.
Para os organizadores, a iniciativa vai além da preparação acadêmica. “Não se trata apenas de acesso, mas de permanência. Queremos que esses alunos ingressem na universidade e tenham condições de concluir seus estudos”, finalizou Ana Jacob.
