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A centenária história de uma nordestina

 “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”.

ANTÔNIO CRISPIM - Araçatuba - LR1
27/08/18 às 16h44
(LR1)

 “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. A frase, escrita por Euclides da Cunha, no livro Os Sertões, é sempre usada para realçar a luta do povo nordestino. Com dona Enedina Maria do Nascimento não foi diferente. O seu roteiro de vida segue o mesmo de muitos outros nordestinos que “deixaram a terra natal”, como bem expressou o Patativa do Assaré em “Triste Partida”, imortalizada na voz de Luiz Gonzaga. 

 No último dia 8 de agosto, dona Enedina completou 100 anos. Viveu as durezas das duas guerras e muitos outros conflitos, doenças que atingiram a sociedade e ditaduras. Manteve-se de pé. Hoje, do alto de seus 100 anos, mantém a lucidez e atividades diárias. Um exemplo.

 Enedina Maria do Nascimento, nasceu em Murici, Estado de Alagoas em 8 de agosto de 1918. Porém, aos 9 anos, a vida lhe reservou o primeiro golpe. Perdeu os pais. Assim, foi morar com os avós, sob uma rígida educação, típica daquelas épocas no sertão nordestino. Ao falar sobre o assunto, seus olhos brilham e olham para o nada, como se estivesse voltando no tempo. Ela viveu em Alagoas até casar-se com Manoel Luiz do Nascimento.

 Em 1944, aos 26, o casal teve o primeiro filho, José Luiz, hoje com 74 anos. Nesta época, com as dificuldades do Nordeste, agravadas pelas restrições impostas pela Segunda Guerra Mundial, o jovem casal decidiu vir para São Paulo. Foi assim que dona Enedina, Manoel Luiz e o pequeno José Luiz, chegaram em Ribeiro do Vale (Guararapes). 

 O casal trabalhou muito e com o dinheiro que conseguiu guardar, comprou um pequeno sítio de seis alqueires em Marinópolis, na região de Jales. Foi no Sítio Córrego das Laranjeiras que o casal viveu outros momentos difíceis. Fizeram ali uma casa de coqueiro, revestida com barro nas paredes e coberta de sapê e ali moraram por um longo tempo. Logo vieram mais filhos e para sustentá-los dona Enedina trabalhava no sitio e seu Manoel ia trabalhar em um sitio vizinho para conseguir dinheiro. Assim a família continuou. A vida não era fácil, dona Enedina levantava de madrugada, pegava os filhos pequenos e levava para a roça. Ela lembra que com dor no coração os deixa dentro de um balaio grande para protege-los lá os deixava dentro de um balaio grande. Era a forma de protege-los das cobras, muito comum naquela época.

 “Naquela época tudo era mais difícil. Eu arava a terra com um cavalo e passar veneno, era com máquina nas costas”, lembra ela. Com muito trabalho e economia, conseguiram comprar algumas cabeças de gado e plantar banana, café, mandioca e milho e montaram uma oficina de farinha de mandioca que foi um sucesso. Chegaram a criar porcos na roça, pois havia fartura de abóboras, mandioca e milho.

 Depois de muito esforço compraram mais alguns alqueires de terra, somando a 12 e compraram uma casa em Marinópolis, onde foram morar pois naquele tempo não havia ônibus escolar e precisava estudar os filhos. Porém iam e voltavam todos os dias para o sitio para trabalhar. Dona Enedina é analfabeta, mas tem facilidade com a economia, principalmente mexer com dinheiro.

 Foi com muito trabalho que o casal criou nove filhos, sendo 8 homens e 1 mulher. Tem 25 netos, 19 bisnetos e um tataraneto. É viúva há 26 anos e mora hoje com seu filho João Luiz Nascimento em Araçatuba. É muito querida por seus familiares, vizinhos e amigos que fizeram uma festa para comemorar seu centenário. ” Nós estamos muito felizes por tê la saudável e lúcida junto de nós e com muita expectativa para comemorar seus 101 ano, no próximo agosto de 2019?, celebra João Luiz Nascimento.”

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