A advogada Patrícia Gambaro Spegiorin é prova de que a vontade e a fé mudam destinos. Ela é casada há 11 anos com Silvio Antônio Spergiorin e hoje carrega nos braços a maior prova de Deus em sua vida: a pequena Martina Spegiorin.
No dia 26 de janeiro deste ano, Patrícia ouviu o choro de sua filha e naquele momento a felicidade misturada ao alívio tomou conta dela. A caminhada para conseguir realizar o sonho de ser mãe foi bem difícil, com muitos obstáculos e fracassos, mas, como ela mesmo diz só se é derrotado quando se desiste. “Nunca desisti”, fala com a filha de quatro meses nos braços. “O mais importante é confiar em Deus que ele vai te capacitar”, garante.
A caminhada para ser mãe:
“Você não é derrotado quando perde. Você é derrotado quando desiste. Com essa frase eu início a minha história de luta para engravidar, para ser mãe. Casei aos 29 anos e apenas aos 30 resolvi que era a hora de ter um bebê. Naquele tempo eu achava que era pá-bum, seria rápido, mas essas tentativas duraram um ano e então eu já com 31 anos procurei um médico para entender o que havia.
Logo de cara e depois de alguns exames e tentativas (três coitos) programados, ele suspeitou que eu tivesse Endometriose, o que mais tarde se confirmou através de uma videolaparoscopia diagnóstica. De fato eu tinha Endometriose Peritoneal e aderências na trompa esquerda.
Fiquei um ano tratando, depois da cirurgia, tomando várias injeções de Zoladex o que me acarretou uma menopausa provocada. Depois de quase um ano, quando voltei a menstruar tentei engravidar naturalmente por alguns meses e como não consegui resolvemos partir para a inseminação artificial, foram três tentativas, sem sucesso em nenhuma.
Nessa altura eu já estava com 34 para 35 anos e depois de muitos chás de ervas, simpatias, remedinhos homeopáticos, cirurgia espiritual, minha última opção era a Fertilização in Vitro. Na época eu era espírita e procurei o médium dirigente do Centro Espírita Kardecista que eu frequentava para me aconselhar sobre o que fazer e ele foi categórico; se eu não tinha engravidado até aquele momento com tudo o que eu já tinha feito, era porque não era propósito de Deus que eu fosse mãe ainda, provavelmente eu tinha débitos da vida passada para ter essa prova agora, ou seja, eu não tinha o merecimento necessário e que se lá na frente Deus entendesse que que sim Ele me daria.
Assim ele me aconselhou a não faver a FIV. Infelizmente eu adotei aquilo como uma verdade na minha vida e a partir disso sem que eu percebesse me tornei amarga, não ligava para crianças, evitava o assunto e declarava o todo tempo que eu não tinha nascido para ser mãe, eu havia desistido de tentar através de tratamentos, me tornei apática.
Meu casamento que já não era uma maravilha piorou... principalmente pela revolta, vergonha, sentimento de incapacidade... e o tempo passou... Quando então eu já estava com 36 anos depois de uma crise no meu trabalho eu finalmente conheci Jesus, e isso foi maravilhoso, a melhor coisa que me aconteceu. Conheci a verdade e ela me libertou.
Passei a mergulhar na palavra de Deus e a entender que eu não precisava mais de chás, simpatias, cirurgias espirituais, passes, benzedeiras, santos ou de outra coisa a não ser Jesus na minha vida, pois ele era e ainda é o caminho, a verdade e a vida. Passei a acreditar e ter fé que a vontade de Deus para minha vida é boa, perfeita e agradável e que Ele dá um lar à estéril e dela faz uma alegre e feliz mãe de filhos. Com essa verdade que libertou meu espírito da mentira, e após 02 anos de meditação nas promessas escritas na bíblia parti para a Fertilização in Vitro, fizemos a primeira, resultado negativo.
Era difícil acreditar, eu não me conformava principalmente porque o dinheiro tinha sido tudo gasto naquela primeira tentativa. Não tínhamos mais recursos, a não ser vender o que tínhamos. Porém ao sair da clínica sem uma explicação convincente do médico do porque tinha dado errado e com lágrimas nos olhos eu afirmei para mim mesma: Eu não vou desistir, Deus irá prover os recursos, a forma, o jeito, sei lá. Dias depois retomei a luta, pesquisei decisões favoráveis ao meu tratamento e vi que era possível o plano de saúde arcar com este tipo de tratamento desde que acionado judicialmente.
Mais do que depressa reuni todo o material necessário, redigi em causa própria minha ação e despachei direto com o juiz, expliquei a ele a urgência, eu já tinha 38 anos, minha reserva ovariana já estava baixa, eu tinha pouco tempo. Eis que o juiz concedeu a decisão liminar mais bonita que já li na minha vida, sim, a partir da decisão o plano de saúde tinha 30 dias para cumprir a decisão sob pena de multa de R$ 100 mil. E lá fomos nós para a segunda tentativa da Fertilização in Vitro, dessa vez muito mais aliviada financeiramente e confiante pois até as medicações necessárias o plano forneceu em tempo.
Mudamos o protocolo dessa vez, congelamos os embriões e decidimos transferir em outro ciclo. No entanto, e apesar de todos os esforços nossos e da equipe médica, tivemos o segundo resultado negativo. Dessa vez confesso que eu caí, não entendia o que Deus queria de mim, pois Ele tinha dado o tratamento e todas as condições, eu me questionava será que é falta de fé? E pensava que tinha algo de muito errado comigo, me achava uma vergonha, só pensava em mudar da minha cidade, fugir, desaparecer.
Mas Deus como é fiel e nunca desampara seus filhos, ele enviou os anjos dele para nos apoiar, nos dar um ombro amigo e para fortalecermos a nossa fé. De fato, fui muito amparada pelo meu pastor e por sua esposa, e é claro, pelas irmãs, amigas mais próximas e alguns familiares que se dispuseram a orar por mim, principalmente para que eu não desistisse. Consegui aos poucos retomar a luta mas dessa vez com uma nova postura, questionei o médico e exigi uma mudança de protocolo.
Ele atendeu e antes de partir para a terceira vez fizemos um exame chamado ERA a fim de descobrir falhas na implantação do embrião. Do mesmo modo ao produzirmos os embriões enviamos quatro para a biópsia genética chamada NGS, e desse lote tivemos apenas um normal e em condições de ser implantado. Fizemos tudo o que tinha de ser feito dessa vez e andamos eu e o marido pela fé, afinal, nós só precisávamos de um para Deus fazer o milagre.
Voltei pra casa e deveria esperar os 12 dias após o procedimento para fazer o tão esperado exame de sangue Beta HCG que confirmaria ou não a gravidez. Eis que no décimo dia eu resolvi fazer um teste de farmácia, aquele das duas listrinhas. Eu pensava que pelo menos a segunda listrinha iria aparecer fraquinha, mas apareceria. Ledo engano, nem sinal da segunda listrinha.
Nem preciso dizer que eu quase morri!!! Desfaleci na hora, não iria suportar. Quase coloco tudo a perder com essa atitude digamos irresponsável da minha parte. Procurei ajuda, fui orientada a permanecer em atitude de fé, orar sem cessar e acreditar, naquele dia recebi uma mensagem a noite no whatsapp que falava sobre quando Deus abriu o mar. Nada era impossível para Ele.
Chorei muito e adormeci. No décimo segundo dia fui para o laboratório colher o sangue, estava tranquila, mas uma alegria inexplicável eu sentia na alma. A tarde me ligaram do laboratório informando que o resultado do exame estava pronto. Corri pra lá e abri lá mesmo, caí de joelhos emocionada agradecendo a Deus pelo milagre, meu positivo estava lá, eu estava realmente GRÁVIDA. Deus sorriu pra mim e com Ele vencemos a infertilidade! Toda honra e glória ao Senhor!”, Patrícia.
Uma nova história
Foi uma gravidez de risco, com trombofilia onde Patrícia tomou 309 doses de injeções, durante toda as 38 semanas e 2 dias de gravidez e 45 dias depois do parto. “Fui amadurecendo como mulher, hoje entendo que sou completa. Toda essa luta até eu conseguir foi um divisor de águas, hoje sou realizada”, afirma ela garantindo que faria tudo de novo para ter sua filha em seus braços.
“Mulheres não esperam muito para ser mãe, pois quando descobrirem se tem algum problema poderá ser tarde. Eu lutei contra a Endometriose, mas também com o relógio biológico”, Patrícia, hoje mãe aos 40 anos.