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A tradição da mulher no Direito

 Não é de hoje que a mulher vem ganhando espaço no mercado de trabalho.

Andradina - Daniela Galli
31/03/17 às 15h53
(Cleber Carvalho)

 Não é de hoje que a mulher vem ganhando espaço no mercado de trabalho. Principalmente em áreas que são dominadas pelos homens. Três advogadas de Andradina, atuantes desde a década de 80, passaram por toda essa transformação e mostram que é possível sim conciliar a carreira com a criação dos filhos e se consolidar profissionalmente.

 Neusa Maria Teruel de Melo, Eneida Helena Müller Marques Troncoso e Noêmia Mateussi Justo atendem seus clientes em um escritório localizado à Avenida Guanabara, 1183. Neusa e Eneida vieram para cá para acompanhar seus maridos. Noêmia nasceu em Murutinga do Sul, tendo se mudado para Andradina  quando tinha apenas 15 anos de idade.  As três começaram a atuar na década de 80.

 Cada uma de nós tem histórias incontáveis em nossa longa carreira. Histórias de alegrias, de tristezas, de vitórias e de derrotas, mas que muito nos acrescentaram em experiência de vida e profissional.

 Cada dia é uma nova oportunidade de participar da história da vida de alguém. Defendendo o patrimônio, a liberdade, e tantos outros valores que são disputados nos tribunais.

 Nenhum caso é mais importante que o outro. A dedicação é sempre a mesma. O anseio de dar ao cliente o alento que ele veio buscar, e quando obtemos sucesso é um sentimento inigualável de ser um pouco anjo.

  É fato incontroverso que os colegas advogados têm maior volume de trabalho, isto porque têm maior visibilidade no meio social em que vivemos, já que frequentam e circulam por muitos locais aos quais a mulher, não tem disponibilidade de tempo pra frequentar e sociabilizar.

 Em contrapartida, para estabelecer um parâmetro de igualdade, conquanto está em desvantagem em numero de clientes, a advogada busca demonstrar o diferencial na prestação do serviço. Empenham-se em obter êxito em causas de maior complexidade, pouco atrativas para quem tem muita clientela, e assim, obtém, pela via oblíqua, notoriedade por serem corajosas e se exporem aos riscos inerentes à profissão.

 Historicamente dominada pelos homens, a advocacia agora está sendo definitivamente conquistada pelo sexo feminino.

 O fato é que está havendo uma valorização cada vez maior do sexo feminino no mercado de trabalho, e as advogadas estão acompanhando esta tendência. A cada ano o número de mulheres formadas em Direito que entram no mercado torna-se mais expressivo, e isto é um forte indicador de que as mulheres poderão ultrapassar em breve o número de advogados.

 Mas, esse otimismo deve ser olhado com reservas, pois, quando se analisa a participação da mulher nas carreiras jurídicas, ao olhar apenas para as listas de aprovação nos exames de Ordem ou dos concursos públicos, pode-se ter a falsa ideia de que há igualdade em relação aos homens.

Mas basta uma análise não muito profunda, como a da composição dos tribunais, constituídos majoritariamente por indivíduos do sexo masculino, para perceber a necessidade de constante luta pela igualdade de participação nos mecanismos judiciários entre os dois gêneros.

 Com certeza precisamos de mais Janaínas Pascoal, mais Carmens Lúcias no nosso mundo jurídico, mulheres paradigmas da premissa de que podemos muito, de que somos realmente capazes de fazer melhor e diferente, com a convicção de que o casamento e a maternidade não constituem a única aspiração da mulher ou que só os cuidados domésticos devem absorver-lhe toda atividade.

 Não é a lei, é a natureza, que a faz mãe de família. A liberdade de profissão é como a igualdade civil da qual promana, um princípio constitucional segundo o qual o livre exercício de qualquer profissão deve ser entendido no sentido de não constituir nenhuma delas monopólio ou privilégio, e sim carreira livre, acessível a todos, e só dependente de condições necessárias ditadas no interesse da sociedade e por dignidade da própria profissão.

 Não queremos ser iguais aos Homens, queremos Direitos iguais e muito respeito.

Trabalhamos incansavelmente, mas o fazemos com prazer. Temos uma identidade profissional que nos une de forma umbilical, o sentimento de dever cumprido quando vemos a justiça ser materializada através do trabalho que realizamos. Isso não tem preço. A advocacia não é uma profissão é a nossa vida.

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