A falta de imunização da vacina (AV-10 comercializada), somada a possível desatenção em não conferir as carteiras de vacinas vem contribuindo para a provocação de um surto do vírus “Cinomose” que já matou aproximadamente 150 cães desde fevereiro deste ano em Castilho. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (21) pelo veterinário Fernando Luis Jorge, ele alerta que é transmitido pelas vias respiratórias e fica mais forte em ambientes seco e frio.
“Essa doença não existe cura, ela fica mais forte em ambiente seco e frio, muitos animais estão sofrendo e mais de cento e cinquenta já morreram”, afirma o veterinário que tem algumas décadas de experiência com cães.
“A única forma de prevenir, é vacinando assim é mais eficaz, toda semana são vários chamados de eutanásia para sacrificar, isso me dói demais, chega despedaçar o meu coração”, relatou.
Durante a presença da reportagem colhendo informações, Regiane da Silva França, 36 anos, foi solicitar a sacrificação, ela disse que seu cão da raça Border Collie, de nome Neguinha, com três anos, apresentou os sintomas há cerca de 15 dias, tentou tratamento porém não resolveu e por ver sofrendo optou pelo sacrifício. “Ela travou, está deitada, sua boca nem abre”, comenta.
Outro caso ocorrido na semana passada foi com uma Basset de 2 anos, que também precisou ser sacrificado. “De cem por cento dos casos, noventa e nove não sobrevivem, nossa cidade já tinha esses casos, porém era com números anuais de no máximo quarenta, mais até agora nesses quatros meses os números triplicaram e isso me preocupa muito”, desabafa o profissional.
“É um vírus sem controle, somente vacina que custa em média sessenta reais, pode evitar essas mortes, na duvida consulte seu veterinário de confiança para maiores informações”, concluiu.
HISTÓRIA – Trata de uma doença que ataca cães mais jovens em seu primeiro ano de vida, pode também infectar animais mais velhos que por alguma razão não tenham sido imunizados anteriormente com vacinas próprias, ou que por alguma doença seu sistema imunológico se encontra debilitado.
Ela pode atingir vários órgãos, é sistêmica, podendo atuar em todo o organismo, é altamente contagiosa. É uma doença causada por um vírus que sobrevive por muito tempo em ambiente seco e frio. Porém é um vírus muito sensível ao calor, luz solar e desinfetantes comuns, dura em média três meses no ambiente após a retirada do portador.
TRASMISSÃO – A cinomose se dá através de animais que se contaminam por contato direto com outros animais já infectados, ou pelas vias respiratórias, pelo ar contaminado ou por fômites, que são objetos que já tiveram contato com o portador da cinomose.
A transmissão direta é por secreção do nariz e boca de animais infectados que é a principal fonte de infecção.
SINTOMAS – Pode haver perda de apetite, corrimento ocular e nasal, diarréia, vômito e sintomas nervosos (tiques nervosos, convulsões e paralisias), dificuldade de respirar e febre. E de acordo com o estado imunológico do animal como um todo, ele pode vir a óbito.
Basicamente, a doença se apresenta em fases, podendo pular uma delas eventualmente. Inicia-se pela fase respiratória (pneumonia e secreção nasal purulenta, o conhecido pus), e ocular (secreção ocular purulenta, ou remela, em grande quantidade).
TRATATAMENTO – Não existe. O que se pode fazer é usar medicamentos para o controle dos sintomas. É importante que o animal seja mantido em um ambiente limpo, com temperatura agradável e alimentação correta de acordo com as indicações do veterinário.
PREVENÇÃO – A melhor forma de prevenir é a vacinação, que pode ser feita em uma clínica veterinária. Os cães podem ser vacinados com seis meses de idade, filhotes devem receber três doses desta vacina na primeira fase da vida. Posteriormente os cães devem receber uma dose da vacina anualmente.