Difícil alguém que não gosta de tomar uma cerveja com os amigos, jogando conversa fora e saboreando uns petiscos, mas existe um pessoal que vai muito além desse apreço pela loira gelada e nutre por ela uma verdadeira paixão.
Estamos falando dos Homebrewers, ou em bom português, cervejeiros caseiros, que fazem a sua própria bebida, que nesse caso nem sempre é uma loira, já que a variedade de estilos é imensa, e esses apaixonados dificilmente são fãs das cervejas comuns.
O andradinense Toni Fonzar é um desses, e confessa que deixou até de pescar, por conta da total dedicação à sua cervejaria caseira em suas horas vagas. “O mais estranho é que realmente não consigo me lembrar como isso começou”. Relata. “Fui me interessando e quando dei por mim já tinha lido uma montanha de livros sobre o assunto e estava começando a comprar equipamentos para começar a produzir”.
Conversamos com o cervejeiro, que nos contou um pouco sobre essa arte que é elaborar cervejas especiais.
Fala!: É muito difícil fabricar cerveja?
Toni Fonzar: Depende do ponto de vista. Cada cervejeiro tem sua própria visão do processo, e cada um acaba por se virar conforme os conhecimentos e equipamentos que possui. Só digo que não é uma atividade para quem acha que vai se dar bem sem muito estudo e paciência.
Fala!: Como acontece a mágica da transformação dos ingredientes em cerveja?
Toni: Tudo começa na elaboração da receita, depois vêm as fases da fabricação, propriamente dita, a moagem do malte de cevada, a brassagem, que é quando se faz uma espécie de “chá” com os grãos moídos, a fervura, fermentação, engarrafamento, carbonatação...
Fala!: Quais ingredientes são usados?
Toni: Olha, a coisa é bem livre, desde que o resultado seja legal está valendo tudo, já li sobre coisas bem inovadoras e também bem nojentas que andam adicionando na cerveja, no meu caso, gosto mesmo é de usar os quatro básicos: água, malte, lúpulo (muito lúpulo) e leveduras. Existem muitos tipos de malte, muitos tipos de água, muitos tipos de lúpulo e muitos de leveduras, sendo que cada um, dentre essa infinidade de ingredientes, confere algo característico no resultado final, então montar uma receita nova é sempre um grande exercício de experimentação.
Fala!: Até bem pouco tempo não se ouvia falar de cervejas artesanais, o quê aconteceu para que houvesse essa mudança?
Toni: Esse interesse já acontece nos Estados Unidos há algum tempo e me parece uma tendência natural nas pessoas mais antenadas, que cada vez mais se preocupam com a qualidade do que estão consumindo. Acredito que não se trate de uma moda, como muitos pensam, porque depois que se conhece a imensa variedade de estilos de cervejas que estão disponíveis, dificilmente a pessoa continua tomando apenas a American Lager que é o estilo da esmagadora maioria das cervejas mais populares no Brasil, que aqui, por marketing chamam de Pilsen.
Fala!: Você vende as cervejas que fabrica?
Toni: Não, e nem poderia, porque para comercializar você tem que se adequar a uma lista imensa de exigências feitas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e para isso teria de haver um investimento mais alto e uma dedicação total à cervejaria. Na verdade eu e a Roberta bebemos quase toda a produção e presenteamos alguns amigos.
Fala!: Qual seu estilo preferido?
Toni: Gosto de vários, mas tenho uma queda pelas cervejas mais lupuladas, como a IPA – India Pale Ale, embora esse estilo, por estar em evidência, tem muitas versões e algumas, na minha opinião, são desastrosas. Adoro também as mais encorpadas como a Stout e a Doppel Bock.
Fala!: É muito difícil conseguir os insumos?
Toni: Não, existem lojas on line excelentes, e chega tudo certinho, é só ter um pouco de paciência. O universo cervejeiro no Brasil se expandiu muito, quando comecei a me interessar pelo assunto ouvia-se falar de meia dúzia dessas lojas, hoje são dezenas, ou centenas.
Fala!: Sua cerveja tem nome, se chama Aroeira, de onde você tirou isso? (risos)
Toni: Quando comecei a fazer cerveja eu tinha a ideia, que abandonei depois, de fazer uma receita com adição de pimenta-rosa, que é a semente de uma espécie de aroeira, aí surgiu o nome e acabei registrando, porque foi ficando mesmo esse nome, meus amigos nunca perguntam se tenho cerveja pronta e sim se tem Aroeira.
Fala!: Obrigado pela entrevista e desejamos sucesso para a sua cerveja!
Toni: Valeu! Muito obrigado.