Quem de vocês não conhece um “tiozinho do doce”? Nos principais eventos culturais e esportivos de qualquer cidade, eles são presença garantida e indispensável (para nossa alegria). Mas aqueles que mais marcam as nossas vidas são, sem dúvida alguma, os que ganham a vida nas portas das escolas.
No bairro Laranjeiras, este “tiozinho” chama-se “Seo Zé” e tem tanto o respeito da comunidade escolar quanto dos pais dos alunos. Por este motivo, o PORTAL DE NOTÍCIAS foi conhecê-lo para dividir com vocês a rica história deste personagem.
“Seo” José de Barros nasceu 74 anos atrás na famosa cidade mineira de Governador Valadares. Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro onde iniciou sua principal atividade na vida: caminhoneiro.
Nesta função trabalhou para grandes empresas (dentre elas a extinta companhia aérea Varig) e teve a oportunidade de conhecer grande parte do Brasil. Foi transportando cargas para o Estado de São Paulo que conheceu sua companheira Thereza, com a qual está casado há 36 anos.
Nascida em Castilho, Thereza foi para o Rio ganhar a vida, trabalhando como cabeleireira e também com o comércio de doces. Algum tempo após o casamento, eles decidiram investir em negócio próprio, abrindo uma distribuidora de doces conduzida pela esposa enquanto “Seo” Zé continuava rodando o Brasil com suas cargas.
Pouco tempo depois, o motorista experiente comprou seu próprio caminhão, mas por infelicidade foi vítima de assalto e perdeu sua preciosa fonte de renda. Mas ele não perdeu a paixão pelas estradas e retornou às empresas.
Passados alguns anos, decidiu arriscar um financiamento, adquirindo um caminhão novinho para retornar ao trabalho como autônomo. Novamente ele perdeu o ganha pão em outro assalto enquanto transportava móveis para o Nordeste do país.
Abalado com as duas percas, decidiu mudar-se com a esposa para Campinas, onde ela tem parentes. Lá investiram no ramo alimentício, abrindo sua própria lanchonete. Um bom negócio que garantiu o sustento da família, mas não tirou “Seo” Zé das estradas. Robson, o único filho do casal, nasceu 28 anos atrás, pouco tempo antes deles decidirem vir morar em Castilho, onde mora a família de dona Thereza.
O bairro Laranjeiras foi escolhido como porto seguro da família, mas a falta de emprego naquela época complicou a vida financeira da família e “Seo” Zé decidiu abrir um bar bem na esquina da Escola Mauro Roberto Manoel. Não demorou muito tempo até que o casal construísse uma nova casa defronte à escola, onde o caminhoneiro passou a comercializar doces para as crianças com um carrinho que ganhou do Fundo Social do Município em 2006.
Aos poucos, o carisma com a garotada fez com que todos o conhecessem e o cumprimentassem. “Todo aluno da escola conhece o Tio [como eles o chamam] e eu me sinto feliz e satisfeito com isso. É gratificante acompanhar o crescimento deles, porque a amizade de uma criança é sincera e verdadeira. Hoje conheço vários casados que ainda me chamam de Tio e que fazem questão de vir me apresentar seus próprios filhos”, conta o doceiro sorridente.
A consciência social de “Seo” Zé também é louvável. Parte das árvores existentes na calçada da escola foram plantadas e são repostas por ele quando vândalos as destroem durante as madrugadas. Mas o vandalismo na unidade escolar diminuiu consideravelmente. “Hoje os meninos não ficam mais pulando os muros da escola para bagunçar. Aprenderam a me respeitar porque eu sempre soube conversar com eles e pedir com jeitinho”, conta o doceiro mais famoso do Laranjeiras.
Há 04 anos “Seo” Zé finalmente conseguiu se aposentar. Questionado se ele pensa em deixar de ser doceiro, confessou que já pensou nisso, mas mudou de ideia porque as próprias crianças não deixam. “Como moro na frente da escola, eles vêm aqui no portão me pedir doces e por isso desisti de desistir”, brinca. Pelos seus planos, continuará com o negócio até que seus dias na Terra cheguem ao fim.
Deu pra matar as saudades e saber um pouco mais sobre o “tiozinho do doce” mais conhecido do Laranjeiras? Então, na próxima vez que vê-lo na rua, que tal dar um forte abraço e cumprimentá-lo por esta bela história de vida?