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Construção e reforma em alta: brasileiros investem na casa em meio à desaceleração do mercado imobiliário

Em meio a um cenário de desaceleração do mercado imobiliário nacional, muitos brasileiros estão optando por investir em melhorias residenciais.

Divulgação
27/06/25 às 08h31

Com as taxas de financiamento ainda altas e a incerteza econômica persistente, reformar tornou-se uma alternativa mais acessível e estratégica do que comprar um imóvel novo. Juntos Somos Mais e Votorantim Cimentos, em pesquisa com mais de mil pessoas, apontaram que 33,2% dos brasileiros planejam obras em 2025 – um movimento significativo diante do desafio econômico.

Reforma residencial: um mercado que não para de crescer

O Brasil possui cerca de 72,4 milhões de domicílios ocupados, dos quais 84,8% são casas, de acordo com dados do Censo de 2022. Entre 2021 e 2024, reformas em apartamentos aumentaram a 21,1%, enquanto reformas em casas diminuíram de 83,8% para 77,4%. Isso indica que, mesmo em áreas tradicionais, cresce a busca por adaptações em espaços menores - reflexo do novo perfil residencial.

Dados extraídos de 2013 pelo Clube da Reforma apontam que esse segmento movimentava cerca de R$ 32 bilhões por ano, com 16,8 milhões de reformas residenciais sendo efetuadas anualmente. Hoje, essa cifra é ainda maior, alimentada por programas federais que ampliam o acesso a crédito via FGTS.

Em outra pesquisa, o Instituto Datafolha revelou que 54% da população economicamente ativa já realizou obras ou reformas em casa ou comércio, sendo que somente 14,6% contrataram arquitetos ou engenheiros, enquanto 85,4% executaram por conta própria ou com ajuda de pedreiros e familiares. É um quadro que mostra quadros de "faça você mesmo" dominantes em lares comuns.

Banheiro e quarto: os protagonistas das reformas

Nem todos os cômodos recebem a mesma atenção. Segundo levantamento da Juntos Somos Mais e Opinion Box, 32% dos brasileiros planejam reformar o banheiro, seguido pelo quarto, com 31,4%. Já dados da Fundação de Dados corroboram essa tendência: entre 2020 e 2022, cerca de 64% reformaram apartamentos e 61% reformaram quartos ou lavabos.

Esses espaços íntimos são priorizados por oferecerem ganho de qualidade de vida a baixo custo e com impacto visual imediato, uma alternativa preferida pelas classes C, D e E, que representam 35,5% dos que planejam reformas em 2025. Tinta e torneiras estão entre os itens mais comprados, com 57,7% e 44,7% respectivamente.

Por que agora? Contexto econômico e mobilidade residencial

A combinação entre juros elevados, inflação persistente e o grande déficit habitacional do país acaba por estimular a construção de novas casas e o investimento em reformas. Estima-se que o Brasil ainda precise construir 23,4 milhões de moradias até 2024 para suprir a demanda habitacional. Além disso, a pandemia reforçou a importância de ambientes funcionais: um estudo da AGP Research mostrou que 63% dos brasileiros reformaram em 2023, quase o mesmo nível dos anos de isolamento.

Esse contexto evidencia duas histórias simultâneas: o mercado imobiliário continua pressionado e as famílias recorrem à reforma por necessidade e oportunidade. Ao mesmo tempo, muitos se adaptam ao home office e à mobilidade, o que altera a distribuição e uso dos espaços domésticos.

Ferramentas digitais no auxílio ao “faça você mesmo”

Com uma ampla adoção do modelo DIY, surgem desafios como saber posicionar móveis, prever volumes e planejar a execução e materiais. Nesse cenário, ferramentas avançadas gratuitas, como o criador de planta baixa online, ajudam a tornar o planejamento mais prático e confiável, mesmo sem contratar um arquiteto.

Essas plataformas permitem simular ambientes com precisão, desenhar cômodos, testar diferentes esquemas de layout, quantificar materiais e visualizar resultados em 3D. Ao contar com um bom criador de planta baixa, o consumidor se sente mais seguro para investir seu dinheiro, e isso impacta diretamente no sucesso ou fracasso de uma reforma.

O papel dos profissionais: quando investir

Embora o “faça você mesmo” seja dominante, há sinais de amadurecimento: 70% dos brasileiros afirmaram que considerariam contratar um arquiteto ou urbanista em sua próxima obra. Esse número revela uma clara valorização dos profissionais, especialmente entre classes com maior escolaridade e renda.

Além disso, a pesquisa mostrou que 78% dos que contrataram um arquiteto se disseram satisfeitos com o resultado. Portanto, cada vez mais reformas combinam solução econômica traduzida em mão de obra própria com o toque técnico de um especialista, sobretudo em etapas como instalação elétrica, hidráulica, ventilação e adequação a normas.

Tendências para ficar de olho

  • Reforma em apartamentos continua ganhando espaço, com aumento de quase 6 pontos percentuais em apenas três anos.
  • Os ambientes sociais, como salas e cozinhas, também atraem atenção: 53% e 51,2% dos casos nos últimos três anos.
  • Para dois terços dos brasileiros, a “casa dos sonhos” depende de boa circulação, ventilação e espaço bem distribuído – reforçando a importância do layout.

Conclusão: reforma inteligente para um futuro mais funcional

O olhar brasileiro sobre construção e reforma mudou. Em 2025, a tendência é clara: opta-se por refinamento em detrimento de compra, com foco em qualidade de vida e custo-benefício. Ainda que o mercado imobiliário desacelere, o setor de reformas continua vibrante, e exige eficiência no planejamento.

Com o auxílio de tecnologias acessíveis e dados na mão, consumidores adotam uma postura mais informada e estratégica. E para muitos, essa combinação entre autonomia, economia e apoio especializado representa o caminho mais seguro e satisfatório para transformar imóveis comuns em lares ajustados às suas necessidades.

O futuro da reforma é digital, sustentável e pessoal, e quer transformar cada centímetro disponível no seu espaço.

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