No Seminário de Agricultura Sustentável, promovido pelo Colegiado de Desenvolvimento Territorial Rural de Andradina, foi colocado em discussão pelo representante do MST- Movimento dos Sem Terra, Rene Parren, a permanência das 35 famílias que ocuparam a reserva natural da Fazenda Cafeeira em Castilho.
Rene propôs que o Incra e as instituições de pesquisa desenvolvessem um trabalho para fixar aquelas famílias ali mesmo, com projetos específicos de aproveitamento da florestar para a sobrevivência. O modelo da convivência na amazônia.
O plenário estava cheio mas Rene não foi aplaudido em sua polêmica defesa. Disse que as famílias não teriam para onde ir e que o ser humano é mais importante nessa peleja e que não poderia sair de lá para “debaixo da ponte”.
Em que pese todo sentido humanitário da defesa, aquilo que Rene pretende fazer é abrir um sério precedente para que nossas últimas reservas desapareçam e aquelas poucas ainda não invadidas, passem a ser ocupadas com a mesma justificativa.
Na região de Andradina, também chamada de Território Rural, com 11 municípios onde ocorreram reforma agrária, são várias as reservas que vem sendo invadidas por famílias sem terra. O Noroeste Paulista é o mais desmatado do Estado. Enquanto a média paulista é de 7% do revestimento nativo, na nossa região ele está abaixo de 2%.
O homem é importante, porém não mais que o meio ambiente. Todos os animais, insetos e aves, árvores de mata ou de cerrado, tem sua função para a manutenção de todas as vidas, inclusive as nossas. Abrir mão dessas reversas para instalação de projetos agroflorestais, exige muito mais que uma simples necessidade de espaço para assentamento.
Se o caminho for localizar novas áreas, basta comprar aquelas que estão em oferta pelos próprios fazendeiros endividados, ou desapropriar áreas ociosas ou que não atendam às necessidades da população que vivem no entorno.
Bem antes de ocuparmos as reservas, seria conveniente limitar a expansão da cana, deixando de considera-la como fator de exclusão das desapropriações.