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Eleições e as redes sociais

 Caro leitor, adorada leitora, estas eleições para Presidente e Governador de Estado – que chegam ao segundo turno nesta semana – trouxeram em seu bojo motivação para bela reflexão circunspecta, ligada aos aspectos tecnológico e psicológico.

Wilson Paganelli
22/10/18 às 09h43
(REPRODUÇÃO)

 Caro leitor, adorada leitora, estas eleições para Presidente e Governador de Estado – que chegam ao segundo turno nesta semana – trouxeram em seu bojo motivação para bela reflexão circunspecta, ligada aos aspectos tecnológico e psicológico. 

 Tecnologicamente, acreditamos que ninguém tem dúvida de que as redes sociais adquiriram extrema importância como elemento primordial de campanha política. Foi algo revolucionário, embora não seja coisa nova. Tivemos, à disposição, pela internet, aí para trás, recursos vários para comunicação com diversidade de objetivos. Contudo, esse recurso, por meio de grupos de whatsApp, com disparos replicantes de mensagens capazes de atingirem milhares de pessoas, só veio à tona – e com força - nestas eleições. 

 E está ocasionando muita polêmica, até com ações no TSE. E uma certeza: veio para ficar. As autoridades responsáveis pelo ordenamento eleitoral estão atônitas, porque não conseguiram, até o momento, lidar com essa novidade para evitar ilícitos, como as fake news. Mas esse “boom” deixa lições – a influência persuasiva do voto para este ou aquele candidato diminuiu consideravelmente sob os aspectos televisivos, radiofônicos e de grupos de formadores de opinião como celebridades, que declaravam apoio a este ou aquele candidato, buscando assim favorecê-lo, com objetivo de manter determinado interesse ou, quem sabe, até mesmo remunerados para tal.

 Esses meios de comunicação perderam força e prestígio. Nas próximas eleições – as municipais – candidatos (e até eleitores) certamente seguirão os mesmos procedimentos de campanha, em que o whatsApp, facebook, instagram e o que mais aparecer serão ferramentas essenciais para divulgação de candidatura. Caberá às autoridades, até lá, encontrarem mecanismos que evitem excessos e ilícitos. Psicologicamente, notamos comportamento diferente dos eleitores. 

 Não se trata de algo geral, mas notável em boa parte do eleitorado – a consciência do que quer. O desamarrar do voto de cabresto, do voto por interesse, derrubado pela consciência do eleitor da existência do lamaçal de corrupção entre os donos do poder e da necessidade de negar a esses corruptos novo cargo. Tanto que a limpeza no Congresso foi perceptível.

 Nesse sentido, ainda não se chegou ao ideal, mas aproximou-se dele. E esses aspectos devem servir de lição para quem quiser se candidatar nas eleições municipais, daqui a dois anos. O moralismo alçou voo de condor e não será possível a qualquer político alcançá-lo por meio de discursos vazios ou promessas vãs. O povo acordou para uma realidade de campanha diferente, em que ele, por meio das redes sociais, apresenta mazelas do candidato, discute, reflete, apoia, fica contra, e, infelizmente, cria até fakes. 

 É o novo apontando no horizonte, embora, como dissemos, não seja um novo realmente novo. Mas, veio para sacudir alicerces e abalar. E o perigo – para os que possuem cargo eletivo fiscalizador – é essa ferramenta, à disposição das pessoas, ser tão eficaz, a ponto de o executivo (presidente, governador, prefeito) se preocupar e dar mais valor a ela que a senadores, deputados e vereadores.

 Tivemos exemplo vivo do que abordamos aqui em Castilho. As reivindicações da Deva, pelas redes sociais, em razão da alta repercussão, receberam atenção especialíssima, exclusiva e reservada do Executivo. Estamos errado? É isso.

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