A divulgação da prévia dos resultados do Conceito Enade 2025, feita no dia 19 de janeiro de 2026 pelo ministro da Educação, Camilo Santana, acendeu um alerta para o ensino superior em saúde no país — e, especialmente, para a região de Andradina. Instituições localizadas em cidades próximas figuram entre os cursos de Medicina com os piores desempenhos no Estado de São Paulo.
De acordo com os dados do Ministério da Educação (MEC), 39.839 estudantes concluintes de 351 cursos de Medicina participaram da avaliação por meio do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enamed). Apenas 49 instituições alcançaram o conceito máximo (nota 5), enquanto 107 cursos receberam conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios. Desses, 24 obtiveram a nota mínima, ficando sujeitas a sanções severas.
Instituições da região em destaque negativo
Entre os cursos que receberam conceito 1, o pior da avaliação, estão faculdades localizadas em cidades próximas da região de Andradina, como: Universidade Brasil (Fernandópolis), Centro Universitário de Adamantina, Universidade Nilton Lins (Lins) e Faculdades de Dracena.
Já entre as instituições com conceito 2, também consideradas de desempenho insatisfatório, aparecem: Centro Universitário de Santa Fé do Sul e Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis.
Essas cidades são polos educacionais que atraem estudantes de diversos municípios, o que amplia a preocupação quanto à qualidade da formação médica oferecida na região.
Conceito Enade e critérios de avaliação
O Conceito Enade é um indicador oficial de qualidade que avalia o desempenho coletivo dos estudantes concluintes, com base nos resultados obtidos no Enamed. As notas variam de 1 a 5, sendo que conceitos 1 e 2 indicam desempenho abaixo do esperado pelo MEC.
Do total avaliado, 243 cursos obtiveram notas entre 3 e 5, consideradas satisfatórias, e apenas um curso não foi avaliado por ausência de estudantes concluintes.
Instituições públicas lideram desempenho
Os dados mostram um contraste significativo entre os diferentes tipos de instituições. As universidades públicas estaduais apresentaram os melhores resultados: 46% alcançaram a nota máxima (5) e nenhuma ficou na faixa 1.
Já as instituições públicas federais tiveram 26% dos cursos com nota 5.
Em contrapartida, as instituições privadas com fins lucrativos concentraram os piores desempenhos, com 11,5% dos cursos recebendo nota 1 e apenas 2,7% atingindo o conceito máximo.
Sanções e possíveis punições
Segundo o MEC, 54 cursos de Medicina sofrerão sanções. Dentre eles, oito estão impedidos de realizar novos ingressos já no segundo semestre deste ano. As penalidades variam conforme o nível de proficiência dos estudantes concluintes:
- Abaixo de 30% de proficiência (8 cursos): proibição de aumento de vagas, suspensão do Fies e de novos ingressos;
- Entre 30% e 40% (13 cursos): redução de 50% das vagas;
- Entre 40% e 50% (33 cursos): redução de 25% das vagas;
- Entre 50% e 60% (45 cursos): proibição de aumento de vagas.
As instituições terão 30 dias para apresentar defesa, que será analisada pelo MEC. As penalidades terão validade de um ano, até a próxima edição do Enamed. Caso o desempenho continue insatisfatório, o ministério poderá determinar redução definitiva de vagas ou até o fechamento do curso.
Tentativa de barrar divulgação fracassou
Na véspera da divulgação dos dados, uma entidade representativa de universidades particulares ingressou na Justiça para tentar impedir o anúncio dos resultados. No entanto, a ação foi indeferida, permitindo que o MEC tornasse públicos os dados preliminares.
Alerta para estudantes e famílias da região
Os números reforçam a importância de que estudantes e famílias da região de Andradina avaliem com cautela a escolha de instituições de ensino superior, especialmente em cursos da área da saúde, onde a qualidade da formação impacta diretamente a sociedade.
A divulgação dos resultados do Enade reacende o debate sobre expansão de cursos, fiscalização e qualidade do ensino médico, sobretudo em regiões do interior que concentram grande número de faculdades privadas.
