A notícia de que a fosfoetanolamina sintética, a “pílula o câncer”, como ficou conhecida nacionalmente, passaria a ser testada em humanos, reacendeu a esperança de milhares de pessoas que sofrem com a doença e seus familiares. Apesar disso, para outras pessoas, que já perderam pessoas queridas por conta da doença resta se lamentar por não ter tido a mesma oportunidade ou então se alegrar pelas vitórias dos amigos que conseguiram.
O jornalista Hugo Leonardo é uma dessas pessoas. Ele passou por duas experiências bastante dolorosas com duas pessoas diferentes em sua família. A primeira delas com uma de suas irmãs, que teve câncer na garganta quando tinha 22 anos. “Hoje, aos 37, já está curada”.
A segunda ainda está recente e difícil de cicatrizar. Ele ainda se emociona muito ao lembrar de tudo que passou com sua mãe, Vera Rita dos Santos Pereira que faleceu aos 59 anos há sete meses; um ano e meio depois de descobrir um câncer no reto.
Meses antes de falecer, no final do ano passado, a discussão pela liberação ou não da substância estava quente e acirrada. Muitos familiares de pessoas doentes se mobilizaram naquela época para tentar conseguir, de qualquer forma, o medicamento.
Foi neste mesmo período que chegou até as mãos de Hugo Leonardo a informação de que a substância fazia parte de um composto vendido livremente nos Estados Unidos para o tratamento de osteoporose.
Ele começou então uma mobilização através das redes sociais em busca de alguém que pudesse lhe fornecer o medicamento. “A tese defendida no Brasil era a de que a substância poderia fazer mal à saúde e precisava ser testada. Por que não utilizaram estudos sérios para isso? Ora, se é vendido como se fosse uma ‘vitamina’ nos Estados Unidos, não pode fazer mal.
Eu sabia que o câncer da minha mãe era incurável e que não havia perspectiva de cura com medicamentos já estudados. Mas eu queria ter esperança de pelo menos tentar uma coisa nova e no Brasil não consegui ao menos o direito de ter esperança”, diz.
A esperança para o jornalista veio através da ação de pessoas que estavam no exterior e começaram a se mobilizar para o envio de capsulas, e outros no Brasil que passaram a pesquisar a presença de da fosfoetanolamina sintética em complexos vitamínicos importados. “Não á como agradecer as pessoas que acolheram meus pedidos e a quem acabou me enviando a substância da maneira que podiam. Infelizmente elas chegaram tarde para a minha mãe”, lembra.
A mãe do jornalista faleceu no dia 27 de dezembro. No dia seguinte seu filho mais novo nasceu. Visivelmente emocionado, ele revela que foi difícil dar os primeiros passos para ver o filho. “Entrei no hospital e fui direto ao quarto dela. Foi como Deus tivesse segurado meu coração fortemente por duas vezes e depois soltado para que voltasse a bater”, narra.
As primeiras cápsulas do medicamento chegaram até ele alguns dias depois que sua mãe já tinha falecido. Agora ele as encaminhou para um outro filho que o contatou via Facebook pedindo a mesma esperança para o tratamento de sua mãe no Mato Grosso. “Eu tive esperança até o final. Era só isso que queria por isso não neguei esperança a quem buscava”, disse.
Hugo lembra de todos os passos que percorreu antes do falecimento e de como uma doença pode mexer tanto com uma família inteira. “Em algumas ocasiões chegamos a leva-la três vezes na mesma semana para Jales, onde fazia o tratamento. O câncer é uma doença que abala emocionalmente todos aqueles que amam a pessoa que está doente”.
O jornalista lamenta pelo fato do Brasil, que tem potencial de pesquisa para descobrir muita coisa, ainda seja “travado”, seja pela indústria ou pelas leis. “Acredito que a cura esteja a caminho. Agora a esperança está nas mãos de outras pessoas. Espero, de coração que eles tenham mais sorte que eu”, finalizou.