Geral

Jornalista diz que pessoas não devem desistir do direito de ter esperança

A notícia de que a fosfoetanolamina sintética, a “pílula o câncer”, como ficou conhecida nacionalmente, passaria a ser testada em humanos, reacendeu a esperança de milhares de pessoas que sofrem com a doença e seus familiares.

Andradina - Daniela Galli
31/07/16 às 21h06
Vera Rita carregando no colo a neta Gabriela (Dyas Way)

A notícia de que a fosfoetanolamina sintética, a “pílula o câncer”, como ficou conhecida nacionalmente, passaria a ser testada em humanos, reacendeu a esperança de milhares de pessoas que sofrem com a doença e seus familiares. Apesar disso, para outras pessoas, que já perderam pessoas queridas por conta da doença resta se lamentar por não ter tido a mesma oportunidade ou então se alegrar pelas vitórias dos amigos que conseguiram.

O jornalista Hugo Leonardo é uma dessas pessoas. Ele passou por duas experiências bastante dolorosas com duas pessoas diferentes em sua família. A primeira delas com uma de suas irmãs, que teve câncer na garganta quando tinha 22 anos. “Hoje, aos 37, já está curada”.

  A segunda ainda está recente e difícil de cicatrizar. Ele ainda se emociona muito ao lembrar de tudo que passou com sua mãe, Vera Rita dos Santos Pereira que faleceu aos 59 anos há sete meses; um ano e meio depois de descobrir um câncer no reto.

 

Meses antes de falecer, no final do ano passado, a discussão pela liberação ou não da substância estava quente e acirrada. Muitos familiares de pessoas doentes se mobilizaram naquela época para tentar conseguir, de qualquer forma, o medicamento.

 

Foi neste mesmo período que chegou até as mãos de Hugo Leonardo a informação de que a substância fazia parte de um composto vendido livremente nos Estados Unidos para o tratamento de osteoporose.

Ele começou então uma mobilização através das redes sociais em busca de alguém que pudesse lhe fornecer o medicamento. “A tese defendida no Brasil era a de que a substância poderia fazer mal à saúde e precisava ser testada. Por que não utilizaram estudos sérios para isso? Ora, se é vendido como se fosse uma ‘vitamina’ nos Estados Unidos, não pode fazer mal.

Eu sabia que o câncer da minha mãe era incurável e que não havia perspectiva de cura com medicamentos já estudados. Mas eu queria ter esperança de pelo menos tentar uma coisa nova e no Brasil não consegui ao menos o direito de ter esperança”, diz.

A esperança para o jornalista veio através da ação de pessoas que estavam no exterior e começaram a se mobilizar para o envio de capsulas, e outros no Brasil que passaram a pesquisar a presença de da fosfoetanolamina sintética em complexos vitamínicos importados. “Não á como agradecer as pessoas que acolheram meus pedidos e a quem acabou me enviando a substância da maneira que podiam. Infelizmente elas chegaram tarde para a minha mãe”, lembra.

A mãe do jornalista faleceu no dia 27 de dezembro. No dia seguinte seu filho mais novo nasceu. Visivelmente emocionado, ele revela que foi difícil dar os primeiros passos para ver o filho. “Entrei no hospital e fui direto ao quarto dela. Foi como Deus tivesse segurado meu coração fortemente por duas vezes e depois soltado para que voltasse a bater”, narra.

As primeiras cápsulas do medicamento chegaram até ele alguns dias depois que sua mãe já tinha falecido. Agora ele as encaminhou para um outro filho que o contatou via Facebook pedindo a mesma esperança para o tratamento de sua mãe no Mato Grosso. “Eu tive esperança até o final. Era só isso que queria por isso não neguei esperança a quem buscava”, disse.

Hugo lembra de todos os passos que percorreu antes do falecimento e de como uma doença pode mexer tanto com uma família inteira. “Em algumas ocasiões chegamos a leva-la três vezes na mesma semana para Jales, onde fazia o tratamento. O câncer é uma doença que abala emocionalmente todos aqueles que amam a pessoa que está doente”.

O jornalista lamenta pelo fato do Brasil, que tem potencial de pesquisa para descobrir muita coisa, ainda seja “travado”, seja pela indústria ou pelas leis. “Acredito que a cura esteja a caminho. Agora a esperança está nas mãos de outras pessoas. Espero, de coração que eles tenham mais sorte que eu”, finalizou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Jornalista acredita no potencial da pesquisa brasileira (Cleber Carvalho)
A substância é vendida como suplementação de vitaminas nos Estados Unidos (Reprodução)
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM GERAL
Franquia:
Andradina SP
Franqueado:
FLAVIA REGINA DE AVELAR GOMES 25180990858
14.225.543/0001-11
Editor responsável:
Flavia Gomes Mtb 8.016/MG
Email: ointeriorfala@gmail.com
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.