A Justiça de Andradina ouviu, ontem à tarde, no Fórum local, o ex-assessor parlamentar K.P.M., que teria sido vítima de assédio sexual do vereador Mário Henrique Cardoso, o Mário Gay (PPS), de Andradina. Foi ouvida também a mãe do ex-funcionário do representante do Legislativo.
A medida fez parte de audiência de conciliação, instrução e julgamento marcada há um mês pelo juiz Jamil Nakad Júnior. Segundo apurou a reportagem, apesar de convocado, o juiz dispensou a oitiva de Mário Gay.
O caso ainda aguarda julgamento. O Judiciário determinou prazo para que o Ministério Público apresente sua acusação e os advogados de Mário Gay façam a sua defesa, o que deve ocorrer nos próximos dez dias. Somente após estas etapas, a Justiça julgará o caso.
O processo em tramitação no Judiciário é uma ação de improbidade administrativa movida em maio pelo Ministério Público que pede a condenação de Mário Gay.
Conforme denúncias, o parlamentar teria começado a assediar sexualmente um ex-assessor, com o objetivo de manter relações com ele, sob ameaça de demissão. A prática, segundo a Promotoria de Justiça, ocorria no próprio gabinete do representante do Legislativo, por meio de mensagens de voz ou de texto enviadas pelo celular e ainda via Facebook. Após o caso ter sido denunciado à Polícia, o então assessor foi demitido.
Se acatada pela Justiça, a denúncia do MP pode resultar na cassação do mandato do parlamentar, suspensão dos seus direitos políticos, pagamento de multa de até cem vez sua remuneração enquanto agente político e na proibição de contratar com o poder público.
Para a Promotoria de Justiça, o episódio caracteriza improbidade pelo fato de o praticante se valer de sua condição superior hierárquica em relação à vítima. Ela argumenta ainda que a prática de improbidade pode ser atribuída à violação dos princípios da constitucionais da moralidade, impessoalidade e legalidade.
NOVOS FATOS
No começo deste mês, o vereador foi denunciado à Delegacia de Defesa da Mulher após ter agredido a professora Luciana Pimenta e a jornalista Luana Carvalho, que está grávida de seis meses.
A agressão aconteceu um dia após apresentação de relatório pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) criada em março na Câmara Municipal para investigar Mário Gay no caso do assédio a um ex-assessor.
O grupo decidiu pedir o afastamento do parlamentar por 90 dias para que uma CP (Comissão Processante) decida se cassa ou não o mandato dele. O pedido de afastamento, no entanto, não foi acatado e a CP segue normalmente.